sexta-feira, 20 de março de 2026

D.R.I. - 17/03/2026 - BAR OCIDENTE - PORTO ALEGRE/RS

 


D.R.I.
Abertura: TROLL
17/03/2026
Bar Ocidente
Porto Alegre/RS
Produção: Ablaze Productions

Texto e fotos: José Henrique Godoy

Estamos em 1989, um final de semana quente do mês de Outubro. No Bar Lola, uma roda de headbangers está tomando a sua décima rodada de cerveja Polar enquanto discutem sobre suas bandas preferidas e shows que gostariam de assistir. Um deles fala: “Já imaginaram, um dia ter show do D.R.I. no Bar Ocidente??? Seria massa demais!!!”. Logo ele é desenganado pelos demais: “Seria massa demais, óbvio, mas não viaja cara: estamos em Porto Alegre, este c* de mundo e esse show só aconteceria em nossos sonhos mesmo!”.

Esse diálogo é fictício, mas bem que pode ter acontecido. E passadas mais de três décadas, o sonho dos headbangers da minha “anedota” se tornou realidade. Pra quem não conhece Porto Alegre, o Bar Ocidente é um dos locais mais exponenciais do Underground da nossa cidade, desde 1980 abrigando shows e espetáculos musicais, teatro e etc.

O D.R.I. por sua vez é uma banda clássica, formada em Houston/Texas, em 1982 e influenciou muita gente boa, pegando por exemplo “apenas” o Slayer. Durante toda a sua trajetória conseguiu unir o Metal/Thrash Metal, com o Hardcore e praticamente são os pais do estilo “Crossover”. Contando com Spike Cassidy (guitarras) e Kurt Brech (vocal), os dois membros originais, e acompanhados pelo baixista Greg Orr e pelo baterista Danny Walker, o D.R.I. lotou o Ocidente e quebrou tudo (no melhor sentido da palavra).

A abertura da noite ficou a cargo da banda gaúcha Troll. Riffs extramemante pesados e a presença de palco do vocalista Rodrigo Ruínas demonstram que provavelmente não haveria banda melhor para a abertura da noite. Banda coesa no palco, com seu Groove Metal agradou a todos os presentes, com destaque para a música “Fogo Ancestral”. Ao final, a banda tocou “Eye for an Eye”, cover do Soulfly. Excelente apresentação dos gaúchos, e ao término de 40 minutos se despedem.


Eram 21h30, quando o D.R.I. inicia sua apresentação destruidora com “All For Nothin” e “Manifest Destiny” Ao final desta, Kurt pergunta se estávamos prontos para “noventa minutos de puro Crossover Hardcore Thrash”. A resposta imediata foi sim, mas dali para adiante, quase sem respirar o D.R.I desceu a lenha, e as rodas punks/Mosh Pits se tornaram insanos, ao ponto de correr da pista aqueles que não tem mais gás para este tipo de atividade (este que vos escreve incluso).


"I'd Hather Been Sleeping”, “Hooked”, “The Explorer“, "Karma”, enfim uma infinidade de clássicos tocadas com fúria, grove e classe! “Suit and Tie Guy”, “Nursing Home Blues”, “I Don't Need Society”.... era uma pedrada atrás da outra, o Mosh Pit pegando fogo literalmente! E aqui vai o único senão da noite: o calor dentro do Ocidente estava insuportável!!! Não sei se algum problema técnico no ar condicionado, alguma ação para economizar, o certo é que para outros eventos lá, fica este ponto de atenção.

“Worker Be”, “ABduction” e “The Five Year Plan” fecham o set desta explosiva primeira visita do D.R.I. na capital do RS. Que seja a primeira de muitas. Ao final Spike Cassidy esbanjando simpatia desceu do palco e ficou atendendo a todos que queriam uma foto e um autógrafo. Nossos agradecimentos a Ablaze Produções e ao Bar Ocidente!



DESTROYER 50 ANOS - O KISS EM SEU AUGE CRIATIVO

 


DESTROYER 50 ANOS 

Por Sergiomar Menezes

Em 1976, muitas coisas que marcaram a história aconteceram. Foi o ano do nascimento da Apple, aconteceu o golpe militar na Argentina, foi comemorado o bicentenário da Independência americana, Mao Tsé Tung foi de arrasto, chegava aos cinemas "Rocky, Um Lutador", este que vos escreve veio ao mundo, e mais um monte de outras situações. Nesse momento, o Rock n' Roll ainda estava tentando entender o que  tinha acontecido com ele próprio.  O sonho hippie tinha virado uma ressaca de asfalto e o punk já começava a rosnar nos bueiros de Nova York. No meio desse turbilhão, quatro sujeitos mascarados, que muitos críticos teimavam em chamar de "apenas um espetáculo de circo", decidiram que não bastava mais cuspir fogo e sangue. Era preciso criar um mito.

DESTROYER não foi apenas um álbum; foi a transformação do KISS de uma banda de hard rock de garagem para uma entidade cósmica e universal.

Para entender o impacto histórico de "Destroyer", precisamos falar de Bob Ezrin. O produtor chegou com a disciplina de um sargento e a visão de um diretor de Hollywood. Ele não queria que a banda apenas aumentasse o volume: ele queria a profundidade e dramaticidade de atores cinematográficos.

Foi Ezrin quem ensinou ao quarteto que o rock e a orquestração poderiam ser tão pesados quanto uma Gibson distorcida ou naipe de metais. Ele trouxe corais de crianças, efeitos sonoros de festas fantasmagóricas e a grandiosidade da Filarmônica de Nova York para dentro do estúdio. Ele transformou a crueza do KISS em estúdio em uma "quase" ópera com guitarras.


O álbum abre com o som de um carro ligando e o rádio sintonizando o próprio sucesso da banda. "Detroit Rock City" não é apenas uma canção; é um hino à vida e à celebração juvenil. O duelo de guitarras entre Paul Stanley e Ace Frehley ali estabeleceu o padrão de ouro para o que viria a ser o rock de arena. Ezrin gravou sons reais de um carro, o rádio sintonizando (tocando "Rock and Roll All Nite"), a porta batendo e o motor roncando. Isso cria um clima cinematográfico antes da primeira nota. Paul e Ace tocam harmonias que são matematicamente perfeitas. Ezrin exigiu precisão absoluta, eliminando a "sujeira" das garagens dos discos anteriores para criar um som estéril e poderoso.

Em "King of the Night Time World", Ezrin usou camadas sobrepostas de guitarras rítmicas para dar uma sensação de parede sonora. A bateria de Peter Criss foi gravada com microfones de sala (room mics) para capturar o eco natural do estúdio, fazendo-a soar como se estivesse sendo tocada em um estádio vazio. O resultado? Uma das músicas mais legais da carreira do KISS! O que dizer então de God of Thunder", a faixa que praticamente definiu a "persona" "The Demon" de Gene Simmons. Ezrin desacelerou a fita da gravação da voz de Gene para deixá-la mais grave e cavernosa, quase inumana. Aqueles sons de crianças gritando e ruídos estranhos no fundo? São os filhos de Bob Ezrin brincando no estúdio com walkie-talkies. O produtor capturou o som de "pesadelo infantil" para emoldurar a letra sombria.

"Great Expectations", a faixa mais ambiciosa e estranha da carreira do KISS (pelo menos, até aquele momento). Ao que tudo indica, a melodia principal foi "roubada" de uma sonata de Beethoven (Pathetique). Ezrin trouxe o Brooklyn Boys Chorus. O contraste entre a letra sobre a vida de uma estrela do rock e as vozes angelicais de crianças cria uma atmosfera grandiosa. Para reforçar a estética de "circo do rock", em "Flaming Youth", Ezrin introduziu um calíope (um órgão de tubos a vapor). Isso dá à música um tom lúdico e psicodélico que a diferencia do hard rock padrão da época. Já em "Sweet Pain" (uma das prediletas da casa), as harmonias vocais trazem uma técnica quase de música pop, criando um refrão "grudento" que brilha por cima da base pesada.

Mas o hino, a faixa que retrata tudo aquilo que o KISS foi e sempre será é "Shout it Out Loud". A sacada de gênio aqui foi alternar as vozes de Paul e Gene frase por frase, algo que exige uma mixagem muito dinâmica para que as frequências de ambas as vozes não se anulem. É uma engenharia de "ping-pong" vocal perfeita. O solo de Ace é daqueles que a gente guarda na memória e nunca, mas nunca mais esquece mesmo! "Beth", cantada por Peter Criss, salvou a banda financeiramente e mudou a história das baladas em discos de rock. Teoricamente, nenhum dos outros membros toca aqui. É apenas o Catman e uma orquestra de 25 músicos. O arranjo que não é meramente decorativo, ele conduz a emoção da música, usando violoncelos para dar o peso da melancolia. E pra fechar com chave de ouro, "Do You Love Me?", onde o baixo de Gene se destaca e a bateria traz um som mais seco, como se fosse um soco no peito. E o resultado é um encerramento mais do que espetacular.


Meio século depois, a capa icônica de Ken Kelly — com os quatro saltando de um monte de escombros sob um céu apocalíptico — continua sendo a imagem definitiva do rock como sinônimo de poder.

DESTROYER foi o momento em que o rock percebeu que poderia ser maior que a vida. Ele pavimentou o caminho para o que o Iron Maiden, o Mötley Crüe e até o Metallica fariam anos depois: criar um universo visual e sonoro onde o fã não apenas ouve música, mas habita um mundo.

O que o álbum nos ensina hoje nos ensina hoje? Que o rock precisa de perigo, mas também de estrutura. Que é possível ser teatral sem perder a alma. Cinquenta anos depois, quando as primeiras notas de "God of Thunder" ecoam, o chão ainda treme. Não é apenas nostalgia: é a prova de que, quando você constrói um monstro com inteligência, mas sobre tudo, com amor e paixão, ele nunca morre.


Para fechar essa pequena e singela homenagem, convidamos alguns amigos para deixarem seus depoimentos sobre o disco. Confira:

"Comprei o disco na loja Woodstock e ainda lembro bem quando ouvi a primeira vez. De cara, a introdução marcante, emendada com 'Detroit Rock City', me impactou. De fato, quase todas as faixas chamaram a atenção, mas acredito que 'Shout It Out Loud', que nasceu de uma releitura de 'I Wanna Shout', dos The Hollies, ainda nos dias de Wicked Lester, virou o grito de guerra. Ela traz a mensagem: esqueça regras, ignore limites e se entregue ao que realmente importa... Rock and roll. É, com isso eles chegaram ao primeiro Disco de Platina." - Ricardo Batalha 

"“Destroyer” começava a ser planejado antes do estouro de “Alive!”, que salvou a gravadora Casablanca da falência. No entanto, ganhou ares mais ambiciosos após o Kiss ter conquistado êxito comercial e desejado ir além. Contrataram o produtor certo para a ocasião: Bob Ezrin, que descartou quase tudo composto antes de sua chegada e elevou o patamar de todos os envolvidos ao ponto de até ensinar teoria musical a eles. “O propósito era fazer com que eles deixassem de ser uma banda de rock que só atraía moleques de 15 anos cheios de espinhas”, conta o produtor ao Rockounters. A julgar pelo sucesso de clássicos como “Beth”, “Detroit Rock City” e “God of Thunder”, o objetivo foi alcançado." - Igor Miranda

""Destroyer foi o primeiro disco do Kiss que comprei, em 1980. Abriu as portas para minha paixão e fanatismo por esta banda fantástica e que dura até hoje!" - Jacques Maciel (Rosa Tattooada)

"Destroyer é a mudança de chave e a primeira tentativa (bem sucedida)do Kiss ser levado a sério e somente Bob Ezrin seria capaz de levá-los aonde queriam. O álbum é impecável da primeira a última faixa e imortalizou clássicos como “Detroit Rock City”, “Beth”, “God Of Thunder”, entre outras, mostrando que havia muito mais conteúdo além das máscaras." - Tarcísio Chagas (Rock on Board / The Bridge Press)

"Um disco com uma produção grandiosa e músicas que viraram clássicos atemporais e que estiveram presentes nos setlists da banda em todas as tours, como “Detroit Rock City”, “God Of Thunder”, “Shout it Out Loud”, “Beth” e “Do YOu Love Me?” e que provou que o KISS não era um azarão, e sim a próxima grande atração do mundo do Rock n' Roll. E o que dizer da sua capa? Pra mim, a ilustração da capa é a imagem definitiva do quarteto mascarado. Sempre que penso no KISS, a primeira imagem que vem a mente, é a capa do Destroyer. Enfim, um dos maiores clássicos do Rock de todos os tempos." - José Henrique Godoy (Chatterboxes / Rebel Rock)

* coleção pessoal de José Henrique Godoy

sexta-feira, 13 de março de 2026

NITE STINGER - WHAT THE NITE IS ALL ABOUT (2026)

 


NITE STINGER
WHAT THE NITE IS ALL ABOUT
Pride & Joy Music/Believe - Importado

Enquanto muitas bandas buscam modernizar o hard rock com elementos contemporâneos ou explorando outros estilos, o NITE STINGER opta por um caminho um pouco diferente: adotar com entusiasmo o espírito clássico do gênero. Em WHAT THE NITE IS ALL ABOUT, o grupo apresenta um álbum que funciona como uma autêntica declaração de amor ao hard rock dos anos 80 — repleto de riffs caprichados, refrãos cativantes e aquela atmosfera característica de noites com amplificadores no volume máximo. Um passo a frente de seu antecessor, o bom "Nite Stinger" lançado em 2021. Saindo pela Pride & Joy Music e distribuído pela Believe, o grupo mostra que veio pra ficar em um cenário instável, mas com bandas de muita classe e talento.

Formado por Jack Fahrer (vocal), Bento Mello (baixo), Ivan Landgraf (guitarra), Bruno Marx (guitarra), Leandro Araújo (bateria) trazem um trabalho que conta com 11 faixas e chega para reforçar a identidade do grupo, apostando em riffs marcantes, harmonias de guitarra bem construídas e vocais carregados de energia. Produzido por Bento Mello e Henrique Canalle (Spektra), os quais também ficaram encarregados da mixagem e masterização. O álbum preserva a temática que celebra a vida noturna e o clima do hard rock, com as participações de Stevie Rachelle (vocal, Tuff e Tales From The Porn) na faixa título, e do ex-integrante e guitarrista Roger Benet no single e do vídeo musical "Only You".

O álbum abre com "You Know Why", um Hard Rock pegado com riffs típicos, mas com aquela pegada atual, mostrando que apesar de resgatar uma sonoridade "das antigas", o grupo agrega um estilo mais atual em sua identidade. A faixa soa forte, deixando claro o clima que o álbum carrega consigo. Na sequência, "Your Own Way to Be", é mais cadenciada, pesada e intensa. No entanto, a melodia é ótima para que as linhas de guitarram desenvolvam seus riffs de forma certeira. "The Night is Never Over" (título propício, não?), vem em seguida e tem um clima meio Sunset Strip, pois apesar das guitarras em profusão, aquela atmosfera sacana fica ao redor da composição durante sua execução. Dá pra imaginar aqueles clubes de strippers esfumaçados enquanto se ouve a faixa... Aquela veia Hard/Heavy do grupo se mostra mais presente em "Love & Freedom", enquanto "Only You" foi escolhida como primeiro single do trabalho. A faixa traz a participação do ex-guitarrista Roger Benet. Os riffs trazem um arranjo mais melódico, soando mais como bandas atuais (H.E.A.T.), porém sem perder o peso. A faixa também possui um clipe dirigido e editado por Leonardo Xavier, com assistência de Danny Poison.

Se a banda tem por característica resgatar a sonoridade mais anos 80 nesse trabalho, "Fantasy" acerta em cheio! Falando sobre um relacionamento e suas fantasias, a faixa mostra o lado mais instigante do grupo. Refrão de fácil assimilação e melodias bem desenvolvidas fazem dela um dos destaques do álbum. Assim como a faixa título que traz a participação de Stevie Rachelle, que deu uma cara mais "hard" à música ao adicionar sua voz bem característica. Outro ótimo momento do trabalho! Aqueles corais clássicos são adicionados ao início de "High Above", um Hard bem composto e executado. Já "Highway Bound" é a faixa mais próxima daquele Heavy/Hard, tanto que a introdução me trouxe a mente "Bark at The Moon", de... vocês sabem quem. Coincidência ou não (ou loucura da minha cabeça), a faixa é bem legal e é dona de um refrão marcante. E como não poderia deixar de ser, "All the Love That You Need", é aquela "power ballad" que todo disco de Hard Rock tem e precisa ter. E aqui, ela faz jus a sua presença, com uma bela melodia e interpretação de Jack Fahrer, que mostra versatilidade em cantar de forma mais melódica. O álbum fecha com "Reach the Sky", com peso, energia e diversão, encerrando o trabalho com o clima lá em cima.

O NITE STINGER não pretende reinventar o Hard Rock. E alguém disse que precisa? Fazendo aquilo que sabem, agregando influências do hard anos 80 com uma sonoridade atual e moderna, o grupo mostra que veio pra ficar. WHAT THE NITE IS ALL ABOUT apresenta uma banda madura, com personalidade e energia pra "espalhar a palavra" num mundo que tá chegando ao limite. Desse jeito, o Hard Rock não só nos diverte, mas alivias  as agruras dos dias atuais...

Sergiomar Menezes

Foto: Danny Poison





BRYAN ADAMS - ROLL WITH THE PUNCHES TOUR - 11/03/2026 - ARAÚJO VIANNA - PORTO ALEGRE/RS

 


BRYAN ADAMS
ROLL WITH THE PUNCHES TOUR
11/03/2026
ARAÚJO VIANNA
PORTO ALEGRE/RS
Produção: EntreLike/Mercury Concerts

Texto: José Henrique Godoy
Fotos: Carolina Capeletti Peres (capa)/ Edu Defferrari 

Bryan Adams dispensa apresentações, é um dos músicos mais bem sucedidos do Rock/Pop Rock de todos os tempos. Com uma carreira cheia de hits , o cantor e multi-instrumentista canadense também têm grande popularidade no Brasil, porém ao contrário de outros artistas internacionais, não são muito frequentes suas visitas por aqui.

Todos esses fatores justificaram um Auditório Araújo Vianna completamente lotado na noite de onze de março. Segundo relatos, quando as bilheterias abriram no inicio da noite havia apenas cerca de quarenta ingressos à venda, que por óbvio se esgotaram rapidamente. E nada melhor que casa cheia para celebrar uma noite de boa música.

O telão no palco exibia uma imagem de Bryan Adams com um roupão de boxeador, escrito “Roll With The Punches“ nome do seu ultimo lançamento e que também batiza a atual turnê. Conforme se aproxima o horário do inicio do show, algumas situações “inusitadas” começam a acontecer no telão, ao redor da imagem de Adams, como um idoso de cadeira de rodas arrastando um carro com uma corrente, uma judoca que desfere alguns golpes e um cachorro que surge dando um passeio aleatório pela tela,

Próximo das 21h30, Bryan Adams surge no meio da plateia apenas com seu violão no formato acústico: “Can´t Stop This Thing We Started”, “Straight From The Heart” e “Lets Make A Night To Remember” são tocadas. Este formato de início de show, vem sendo executado durante toda a turnê atual, porém mesmo assim boa parte do público se mostrou surpreso.


Após a trinca inicial, Brian se dirige ao palco onde se junta à Luke Doucet (guitarras), Pat Steward (bateria) e Gary Breit (teclados) e dão inicio a “Kick Ass”, do álbum de 2022 “So Happy It Hurts”. Começava então um desfile de canções clássicas e atemporais de um artista que não sabe o que é derrota. Bem humorado e brincalhão, Bryan Adams divertiu e se divertiu no palco do Araújo Vianna: brincou que aqui no Brasil, as pessoas pronunciam seu nome como se fosse uma palavra só: “Bryanadam”. Em outro momento pegou alguns cartazes dos fãs mais próximos e começou a ler e interagir com os mais próximos do palco.

Outro fator interessante era o contraste da simplicidade da banda no palco (apenas quatro caras com seus instrumentos) com a exuberância visual do telão de Led e suas projeções. Todos os presentes receberam também uma pulseira de Led, que reproduziam as luzes do palco ao som das músicas executadas.


Na parte musical, Bryan apostou em todos os seus clássicos, mas também incluiu músicas mais recentes no set, como “ So Happy It Hurts” (nesta uma réplica inflável do carro do vídeo da música sobrevoa o Araújo Vianna, com faróis acesos e tudo mais). Porém o momento mais hilário ocorreu durante “You Belong To me”, quando sob incentivo de Adams, vários fãs tiraram as camisetas e giraram sob a cabeça. Foi divertido ver vários tiozinhos mostrando suas barriguinhas não tão saradas e dançando. Mas como falam, o que vale é ser feliz e se divertir. Durante as baladas como “Please Forgive Me”, “Have You Ever Loved A Woman” e “Everything I Do - I Do it For You” foi possível assistir vários casais dançando como se estivessem em uma reunião dançante na garagem dos pais. Estes momentos mais românticos se alternavam com a hora do “Rock-Arena” de canções como “Run To You” e “Somebody” onde o público cantava as letras de ponta a ponta. Neste quesito a mais que clássica “Summer Of 69” foi a mais ovacionada e entoada.


E ao final de mais de duas horas de espetáculo, Bryan Adams que tocou guitarra, baixo, harmônica e cantou perfeitamente com sua potente e característica voz, finaliza o show como começou: violão e voz interpretando “All For Love”. Um show excelente em uma “noite para se recordar“, como diz a música do nosso protagonista, que prometeu voltar o mais rápido possível. Nós vamos aguardar Sr. Adams. Agradecimento especial à Mercury Concerts e Entrelike pelo credenciamento e gentileza e ao staff do Auditório Araújo Vianna.



quinta-feira, 12 de março de 2026

IRON SAVIOR - AWESOME ANTHEMS OF THE GALAXY (2026)

 


IRON SAVIOR
AWESOME ANTHEMS OF THE GALAXY
Reigning Phoenix Music - Importado

Uma coisa que não se pode falar de Piet Sielck é que ele é acomodado! Durante seus quase 30 anos de carreira, o Iron Savior gravou inúmeros covers, em especial, do Judas Priest, banda do coração do dono da porra toda! Porém, alguns covers fugiram do padrão tradicional e fugiram totalmente do gênero Rock e Heavy Metal. Exemplos, são vários: “Crazy” (Seal), “Underneath the Radar” (Underworld), “Run to You” (Bryan Adams) e “Sweet Dreams” (Eurythmics) são os que me recordo no momento.

O Iron Savior é uma máquina que não tem receio de fazer o que lhes derem na cabeça e resolveram expandir seus horizontes e se aventurar por uma arriscada empreitada de fazer um álbum de covers com hits grandiosos que nada tem a ver com o estilo que tanto amamos.

A experiência já começa a se tornar maluca ao vermos a capa e o título do trabalho. Aqui, é tudo nostalgia, tudo anos 80, temos clássica da música Pop, clássicos temas de trilhas sonoras, outras não tão clássicas assim, enfim, tudo aquilo que as pessoas que tiveram o privilégio de ser daquela geração ouviram a exaustão.

Boa parte das faixas nós já reconheceremos apenas pelo nome, como “Maniac” e “What a Feeling” (Michael Sembello e Irene Cara, respectivamente), presentes na trilha sonora do filme “Flashdance” (1983), clássicos absolutos dos anos 80. Quer mais? “Take on Me” (A-Ha) não poderia faltar, e aqui não faz feio (veja o clipe abaixo).

A faixa que mais se aproxima do bom e velho Rock & Roll, é a clássica “Separate Ways” (Journey), uma música que já recebeu tantos e tantos covers diferentes ao longo dos anos, que aqui não se transformou em algo tão especial, parecendo um mero tapa buracos. Não chega a destoar, mas fica aquém das demais.

Tudo é legal pra quem gosta de Power Metal, mas indiscutivelmente, onde os caras mais ousaram foi em transformar as baladas melosas dos bailinhos dos anos 80 em furiosos hits metálicos. Não acredita? Ouça, “She’s Like the Wind” (Patrick Swayze), aquela mesma do também clássico filme “Dirty Dancing” (1987), e principalmente, “Forever Young” (Alphaville), uma das mais melosas baladas da história da música. Sim, eles conseguiram deixa-la soando um estridente e poderoso Power Metal. Pra mim, a melhor do disco! Ouça e delire (ou não!).

Uma de minhas frustrações é nunca ter visto o Iron Savior ao vivo. Com tantas e tantas bandas em um festival como Bangers Open Air, por exemplo, será que realmente não há um lugarzinho pra eles? Na boa, acho que sim, a banda tem muitos fãs no Brasil.

Se a ideia de Piet Sielck era se divertir, ele o fez tão bem que transformou um disco de covers em algo realmente especial. “Awesome Anthems of the Galaxy” é pura diversão, nostalgia e até emoção. Um dos melhores álbuns de covers de todos os tempos, recomendado para fãs de Power Metal e Heavy Metal em geral. Ouça alto!

Mauro Antunes