ETERNOS CASCAVELLETES
18/09/2026
SESC/CANOAS
CANOAS/RS
Produção: Vini Canto (Fala Com o Vini Produtora)
18/09/2026
SESC/CANOAS
CANOAS/RS
Produção: Vini Canto (Fala Com o Vini Produtora)
Texto: Sergiomar Menezes
Fotos: Tércia Falck
Fotos: Tércia Falck
Em uma noite daquelas que ficam marcadas na memória de quem viveu o Rock Gaúcho nos anos 80 e 90 e ainda respira a cena local, Os Cascavelletes (sob a alcunha de Eternos Cascavelletes) aportaram no SESC em Canoas, no Rio Grande do Sul. E quer saber? O público compareceu em bom número. Mas o mais legal de ver foi a mistura na plateia: a maioria formada por pessoas "mais velhas" ou "Jovens há mais tempo" que carregam a história do rock gaúcho no DNA, mas pontuada por muitos jovens curiosos e ávidos por presenciar a lenda viva. A banda subiu ao palco trazendo os pilares fundadores Frank Jorge (baixo) e Alexandre Barea (bateria), acompanhados por Humberto Pettinelli (teclados) — veterano que entrou na banda lá nas sessões de gravação de "Rock'a'ula" (1989) —, além de Vince Velvet (guitarra) e Evandro Vandu (ex-Identidade) nos vocais. O resultado? Um verdadeiro desfile de clássicos eternos do rock gaúcho que não dão espaço para descanso.
O repertório foi um verdadeiro tiro certeiro na nostalgia e na irreverência que sempre definiram o grupo. Logo de cara, mandaram petardos como "Menstruada", "Carro Roubado" e a inesquecível balada "Estou Amando uma Mulher", mostrando que o caldeirão de influências e o bom humor escrachado continuam intactos. Faixas como "Ugagogobabago", "Morte Por Tesão" e "Jessica Rose" vieram na sequência — e teve momento hilário em "Jessica Rose", onde o vocalista acabou errando a letra, algo perdoado na hora, até porque ele próprio já havia avisado antes que não a sabia de cor! A viagem continuou com "Cão e Cadela", "Eu quis comer você" (aquela mesma, eternizada e famosa por ser a música apresentada no programa da Angélica), "Gato Preto", "Moto" e "Nega Bom Bom".
A energia não caía um segundo sequer. Veio "Homossexual", com direito ao aviso da banda de que se tratava de uma história real, seguida pela clássica "Sob um Céu de Blues" e "Lobo da Estepe" — momento divertido em que Evandro e Humberto deram aquela leve desencontrada na letra, mas que ao vivo só acrescenta charme e humanidade ao show. Ainda desfilaram pérolas como "Entra Nessa" em sua versão original (aquela que depois foi gravada pelo TNT), "O Dotadão Deve Morrer", "Ela Usa Minissaia sem Calcinha" e "Sábado a la Noche".
Vale destacar o desempenho individual dos músicos no palco. É impressionante o quanto Alexandre Barea continua sendo um baterista extremamente técnico, preciso e pesado, segurando a cozinha com uma firmeza absurda, enquanto Frank Jorge segue exatamente o mesmo de sempre: elegante, dono de seu instrumento e com aquela presença cênica única.
Uma noite absolutamente inesquecível, que ainda contou com a impecável produção de Vini Canto. No fim das contas, ver os Eternos Cascavelletes em ação é a certeza de que o verdadeiro espírito do rock gaúcho continua vivo, pulsante e chutando portas por aí!

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