domingo, 8 de setembro de 2019

SHOW DE LANÇAMENTO - ANDRALLS - BLEDDING FOR THRASH (19/07/2019)



Banda Principal: ANDRALLS
Abertura: CORPSIA
Local: ESPAÇO SOM/ São Paulo/SP
Data: 19/07/2019
Produção: ABSOLUTE MASTER


                     Muitos que trabalham, estudam, ou até mesmo aqueles que não têm nada pra fazer no momento, quando chega a seta feira, mudam de humor, pois os planos do final de semana florescem, dando a entender que toda a carga ruim vai desaparecer. Imagine se na sexta feira tem show de THRASH METAL? Pois é... Nada melhor do que terminar a semana com riffs rápidos não é mesmo? E foi com esse pensamento que o REBEL ROCK correu para o ESPAÇO SOM, na capital paulista, para assistir a banda paranaense CORPSIA e os paulistas e veteranos do ANDRALLS.

                      Chegando ao local, nos deparamos com um bom número de fãs aos arredores, seja batendo papo, forrando o estômago, ou claro, dando aquela "calibrada", afinal, ninguém é de ferro e uma cervejinha sempre cai bem. 

                       O atraso que ocorreu, de forma alguma desanimou o público que soube ter calma e esperar o exato momento da alegria. Após as 20h30min, o CORPSIA, trio formado por Gabriel Arns Stobbe (vocal e guitarra), Lucas Landin (baixo) e Daniel Scaloni (bateria), subiu ao palco para detonar, surpreender e, até mesmo, deixar uma certa dúvida na cabeça deste que vos escreve. Lançando o EP MY MURDER MIND, que é pesado, rápido e com ótimas sacadas líricas que intercalam português e inglês, a banda apresenta uma sonoridade que traz influências de Overkill, Machine Head, Corrosion of Conformity (em alguns momentos) e Raimundos (fase "Lapadas do Povo").

                        Algo que me chamou a atenção durante todo o set foi o comportamento dos integrantes. Inquietos, a todo instante agitando, querendo realmente ensandecer o local, Gabriel, por muitas vezes, me fez lembrar os áureos tempos de James Hetfield. Não sei até que ponto ele é fã, mas a maneira como se porta em ciam do palco, as caretas, o modo como a correia da guitarra fica, como a palheta, me fez ver que alguém estudou bastante o frontman do Metallica. O set foi praticamente baseado em seu mais recente trabalho, sendo que as 05 faixas foram tocadas ao vivo, com destaque para "Legalized Murder" que contou com a participação de Jairo Vaz Neto, da banda Chos Synopsis. Mesmo com foco no novo trabalho, o grupo não esqueceu de seu primeiro álbum, "Genocides in the Name of God" de 2017, executando de forma enérgica "Blood Sacrifice", "Execution" e "Returns".

                        A passagem do CORPSIA pela capital paulista com absoluta certeza deixará bons seguidores e deixou uma certa ponta de curiosidade para saber quais serão os passos dessa banda, que já podemos destacar como uma bela realidade do nosso cenário.



Setlist:

Viciado
Blood Sacrifice
Execution
Blood, Body and Disgrace
Returns
Legalized Murder
About the Storm
My Murder Mind




                               Após alguns bons minutos de preparação do palco, era chegada a hora de ver em cena uma das principais bandas do nosso underground. O ANDRALLS, no alto de seus 21 anos de carreira, está em excelente forma. Após um hiato de sete anos desde "Breakneck, o grupo lança BLEEDING FOR THRASH, seu mais recente e aclamado trabalho. Passava das 22hs quando Alex Coelho (vocal e guitarra), Felipe Freitas (baixo e vocal) e Xandão (bateria) entraram no palco com a emotiva e arrepiante "Noiséthrash" tocando no PA, e logo em seguida, começaram um massacre que infelizmente durou pouco mais de 01 hora.

                                   "We Are the Only Ones" e "Andralls III" simplesmente fizeram o local tremer, tamanho o poderio do trio, que resolveu seguir a mística de poucas palavras e muita música. O set foi recheado de músicas novas, que se em estúdio já são capazes de levar alguém a nocaute, ao vivo ganharam poderes de uma bomba nuclear, tamanho o peso e violência com as quais foram apresentadas. Dentre as faixas novas, destaques para a faixa título, "Legion", com uma bela homenagem a Fabiano Penna (Rebaelliun), "After Apocalypse", e a mais punk e hardcore do set "Imminent Cancer", que inclusive, tem uma letra extremamente forte e inspiradora, pois foi composta por Xandão logo após o vocalista Alex Coelho ter descoberto que estava com a doença.

                                   Algo bastante perceptível é a alegria que os integrantes estão no atual momento. Nos poucos momentos de papo, o trio deixou bem nítido isso. O novo álbum e toda a resposta positiva obtida por ele, faz com que tudo fique mais leve. Aliás, quase tudo. o tão peculiar estilo "Fasthrash", apresentado pelo grupo, segue forte e ríspido, onde por muitas vezes somos arremessados ao passado, com aquele Thrash Metal oitentista que muitas vezes, fez o Espaço Som tremer com a fúria despejada em músicas como "Enemy Within", "Two Sides", "Beyond the Chaos", no belíssimo cover "Acid Rain", da banda Subtera, mas principalmente, com o fechamento com chave de ouro com a clássica "Andralls On Fire", que provavelmente fez com que a vizinhança viesse a se assustar com a brutalidade que vinha do local.

                                    Para finalizar, um bom show de Tharsh Metal deveria estar na Constituição. Deveria ser Lei e direito de toda a população! Obrigado Corpsia e Andralls pela bela noite!

Setlist:

We Are The Only Ones
Andralls III
64 Bullets
Unexpect/Fear is my Ally
Enemy Within
Two Sides
Bleeding for Thrash
Legion 
Rotten Money
After Apocalypse
Imminent Cancer
Beyond the Chaos
Acid Rain
Andralls on Fire








            
                     Texto, fotos e vídeos: Willian Ivan Kotzo Ribas

sábado, 7 de setembro de 2019

KATAKLYSM - MEDITATIONS (2018)



                 Lá se vão bons anos de carreira e o KATAKLYSM continua firme e forte na caminhada árdua que é a indústria musical, os fãs e, porque não dizer, a vida. Desde o começo, o nome do grupo sempre foi motivo de divisão de para quem gosta de música pesada. Se por um lado existe o grupo mais radical, old school, que não aceita novas bandas, sem aceitar que o heavy Metal pode ganhar elementos a mais do que aquela coisa reta do início ao fim, do outro lado temos as pessoas que desejam novidade, uma injeção de influências e momentos diferentes num mesmo álbum. E MEDITATIONS, lançado pela parceria Shinigami Records/Nuclear Blast, mostra bem isso.

                    O estilo em que os canadenses foram rotulados, o Death Metal, nunca foi motivo para que a banda ficasse presa. Em MEDITATIONS, mais uma vez, o grupo soube ousar e mostra que quem manda na música deles são eles e mais ninguém. As guitarras pesadas estão aqui, com riffs bem interessantes, paradinhas e palhetadas hipnóticas. As esmurradas no kit de bateria em "In Limbic Resonance" são uma verdadeira aula, juntamente com a carga emocional que a música traz, mostrando um verdadeiro aprendizado de como evoluir musicalmente sem perder a essência e a brutalidade.

                        Este novo álbum pode muito bem ser apresentado como uma evolução natural que toda a espécie deveria passar, carregando o passado em sua alma e essência, mas sem medo do caos e transformação. O KATAKLYSM, seja nas melodiosas brutalidades em que MEDITATIONS nos obriga a amar, seja na rapidez com que o material passa diante dos nossos olhos, faz com que poucas vezes venhamos a perceber o quão belo e significativo um material que começa veloz e pesado pode ir diminuindo, pisando no freio. E isso pode se tornar tão emblemático, crucial e direto ao mesmo tempo.




                         
                   Willian Ivan Kotzo Ribas

GRAND MAGUS - WOLF GOD (2019)



                    Com mais de 20 anos de carreira e após três anos de seu último trabalho, o ótimo "Sword Songs", o GRAND MAGUS, um dos grandes nomes do Heavy Metal, Stoner Rock, Doom Metal, ou seja lá como você prefere classificar o grupo, volta à carga com mais um álbum que tem tudo para, novamente, agradar os fãs da banda sueca. WOLF GOD traz as características que estão sempre presentes nos trabalhos do trio: guitarras pesadas, andamento marcado e muita qualidade nas composições. E o CD chega ao Brasil através da parceria Shinigami Records/Nuclear Blast, que há tempos vem oferecendo ao público headbanger brasileiro o que de melhor o Heavy Metal tem produzido pelo mundo.

                       JB (vocal e guitarra), Fox (baixo) e Ludwig (bateria) trazem 10 faixas que transbordam aquela aura "true metal", dosando de forma correta o que Heavy, o Stoner e o Doom, com uma produção que sabe valorizar a sonoridade do trio, sem que impeça sua criatividade dentro dos limites que muitas vezes são impostos pelo estilo. Pesado e intenso, WOLF GOD pode não trazer nenhum aspecto inovador em suas composições. No entanto, a garra e disposição do grupo em praticar sua música sem se importar com os modismos soa extremamente revigorante dentro de um estilo que, na maioria das vezes, é recheado de preconceitos.

                    Após a introdução "Gold and Glory", a faixa título mostra que as características do grupo permanecem firmes. Pesada, arrastada e com uma ótima performance da dupla Fox e Ludwig, a faixa representa de forma consistente o estilo do trio. "A Hall Clad in Gold" é mais rápida, mas traz consigo uma variação no momento do refrão, dando um toque bem pessoal ao seu andamento. JB, com seu timbre bastante peculiar, mostra que não é necessários agudos insuportáveis para ser considerado um vocalista com estilo. Ainda, podemos destacar ótimas faixas como "Brother of the Storm", onde o Doom Metal se apresenta de forma explícita, "Dawn of Fire", que traz características semelhantes à clássica "Triumph and Power", o metal mais próximo do tradicional em "Spear Thrower", da mesma forma que "To Live and Die in Solitude". Pra encerrar, temos os ótimos riffs de "He Sent All to Hell" e "Untamed", que mesmo se mostrando bem estruturada e executada, pode ser apontada como o momento mais "fraco" do trabalho.

                       WOLF GOD apresenta uma banda que em mais de duas décadas de uma correira bem consistente, mostra que continua mantendo uma excelente regularidade em seus trabalhos. Acreditando em sua música, sem se vender ao mercado ou ao modismo dentro do cenário que por vezes acaba por contaminar muitos grupos, o GRAND MAGUS mostra personalidade. E nós, fã de Heavy Metal, só podemos agradecer!






                  Sergiomar Menezes
                          

domingo, 14 de julho de 2019

FELLPS ROCKER - TUDO QUE HAVIA DE BOM EM MIM SE FOI (2017)



                       Não é preciso dizer que o nosso querido, amado e velho Rock n' Roll bebeu, e muito, da fonte do blues e também do country. Basta olharmos para trás para entendermos que a influência desses estilos, agregados a outras particularidades, moldaram as características do Rock, principalmente, daquele praticado nos anos 50 e 60. E é essa aura, atmosfera, e principalmente, o feeling que o músico FELLPS ROCKER busca resgatar em seu primeiro trabalho intitulado TUDO QUE HAVIA DE BOM EM MIM SE FOI, lançado em 2017. E, apesar de pequenos detalhes, podemos dizer que o objetivo foi atingido, dentro da proposta almejada pelo talentoso guitarrista.

                      O álbum foi gravado por Fellps Rocker (vocal e guitarra base), Felipe Barbosa (guitarra base), Reinaldo de Menezes (guitarra base, guitarra solo e baixo) e Marco Antônio Viana (bateria). Gravado no Rei Menezes estúdios, o trabalho foi produzido, mixado e masterizado pelo guitarrista Reinaldo Menezes. Composto por 11 faixas, TUDO QUE HAVIA DE BOM EM MIM SE FOI acaba pecando em pequenos detalhes, como por exemplo na produção, que apesar de correta, deixou a voz de Fellps muito à frente, além de que o timbre de sua voz acaba por sair um pouco da proposta musical. Mas de forma geral, o álbum apresenta boas composições, calcadas no blues rock, o que vai agradar aos apreciadores do estilo.

                   "Rock n' Roll" abre o disco de forma crua, num blues intenso, com uma letra bem pessoal, daquelas que farão com que muitos ouvintes se identifiquem. Com uma levada bem típica, Fellps mostra uma composição cheia de feeling, algo recorrente durante a audição do álbum. "Agora Que Eu Me Vejo Sem Você", tem uma pegada mais rock, e, posso até ter interpretado de forma errônea, mas tem um "quê" de Jovem Guarda. Se a composição tivesse um teclado ao fundo, com certeza se encaixaria muito bem nesse rótulo... "Cupido", a terceira faixa, é puro Rock n' Roll, com destaque para o solo do guitarrista e produtor Reinaldo de Menezes. E fica uma dica: a faixa é muito bem estruturada, as a voz de Fellps em alguns momentos sai do lugar, principalmente no final das frases. Nada que cause demérito, mas que pode ser melhorado num próximo trabalho. "Quebrando Minha Própria Prisão" tem uma levada mais cadenciada, com uma pegada mais próxima do country (mas por favor, não cofunda com sertanejo, ok?). A veia rocker volta á carga com "Desde Quando Você Se Foi", outra faixa bem característica, com destaque para as guitarras.

                           "Eu Fui Comprar Cigarro" é o grande destaque do trabalho. Rock n'Roll como tem que ser, direto, pegado e com uma letra daquelas "politicamente incorretas" em se tratando de relacionamento amoroso. Uma mistura e blues e rock é o que temos em "Velha Visita", com uma levada bem ditada pela cozinha composta por Reinaldo de Menezes e Marco Antônio Viana (baixo e bateria, respectivamente). As guitarras comandam "Prefiro Ficar Para Bolor", mantendo um clima mais bluesy, enquanto a faixa título  se mostra um rock cheio de vigor e pegada. O bom e velho blues se apresenta em "Pela Mesma Porta", outro bom destaque do álbum, que se encerra com "Minhas Lágrimas Secam Essa Noite".

                          TUDO QUE HAVIA DE BOM EM MIM SE FOI é um bom trabalho de um músico que prioriza muito mais a música enquanto arte. Nada de arroubos auto indulgentes, muito menos técnica acima do feeling. FELLPS ROCKER apresenta aqui um trabalho correto, bem composto e que precisa apenas, de pequenos ajustes, detalhes, no próximo álbum para atingir um patamar mais alto. E começo foi bom, mas pode sim, melhorar ainda mais.







              Sergiomar Menezes

                           

quinta-feira, 11 de julho de 2019

REBEL ROCK ENTREVISTA - TORTURE SQUAD



                     São mais de 25 anos de carreira. E em todos eles, sempre houve uma incansável atitude de lutar pelo metal nacional! Estamos falando do TORTURE SQUAD! Uma das bandas mas importantes do cenário brasileiro, o quarteto composto por Mayara "Undead" Puertas (vocal), Rene Simionato (guitarra), Castor (baixo) e Amilcar Christófaro (bateria) finalizou 2018 excursionando pelo país tocando "Hellbound" (2008) na íntegra, mostrando a força deste clássico nos dias de hoje. Aproveitando a ótima receptividade obtida com seu mais recente trabalho, o excelente "Far Beyond Existence" (2017), o REBEL ROCK bateu um papo com a dupla Castor e Renê para falar sobre isso e muito mais! 



Rebel Rock - No ano passado, "Hellbound" completou 10 anos de seu lançamento e vocês fizeram uma turnê comemorativa. Como foi olhar para o passado e reaprender a tocar algumas faixas que não eram tocadas há anos?

Castor - Foi a primeira vez que fizemos uma turnê revisitando um álbum. Relembrar das antigas músicas, as quais fizemos há mais de 10 anos, foi uma grande experiência! Algumas músicas nunca havíamos tocado ao vivo e outras vezes, apenas na época do lançamento. Curtimos muito poder ter feito essa homenagem a um dos discos mas emblemáticos da carreira do TS.

Rebel Rock - "Far Beyond Existence" não é um álbum conceitual, mas suas músicas parecem conter uma certa conexão entre si. Gostaria que explicassem um pouco sobre as composições das letras para o álbum.

Castor - Algumas delas tem uma certa ligação, que está além do conhecimento humano. Têm muitas coisas no nosso planeta e no universo em que nós humanos temos muito o que apreender. O dia em que o ser humano perder toda a sua prepotência perante ao planeta e conhecer mais sobre o Cosmos, tenho certeza que a nossa evolução será eminente.

Rene - Sinto que o disco sugere uma conexão com o desconhecido, com realidades além do comum, além da rotina, mostrando que a vida é muito além do que achamos que é.



Rebel Rock - O Torture Squad se tornou uma instituição do metal brasileiro, graças a longevidade que o grupo tem, sempre ativo, com lançamentos de CDs, DVDs e sempre na estrada. Mas, em algum momento houve o pensamento de parar, dar um tempo e respirar outros ares?

Castor - Nunca! Desde o lançamento da nossa demo em outubro de 1993 a banda está atuante em todos os anos lançando materiais e fazendo shows e turnês! Naturalmente, moldamos a nossa vida em prol da banda em todos esses anos de carreira.

Rene - Sinto que é muito legal a banda ter se adequado as novas formas de divulgação das músicas, através das plataformas digitais, porém, os CDs/DVDs fazem parte de uma tradição muito forte e não pensamos em parar de prensá-los.

Rebel Rock - "Far Beyond Existence" teve uma gigantesca resposta positiva dos fãs, da mídia especializada e até mesmo de quem não é tão acostumado com o tipo de música praticada pelo Torture Squad. O álbum foi licenciado em diversos países, o grupo tocará em Honduras, Chile, México... É correto dizer que esse é o melhor momento para se estar no Torture Squad?

Castor - Esse foi o álbum mais licenciado na nossa carreira! Infelizmente, o festival de Honduras foi cancelado recentemente, no Chile teremos 2 datas em La Serena e Santiago, no final de junho nos dias 28 e 29 (a entrevista aconteceu em meados de junho). No México será dia 30 de novembro no renomado Mexico Metal fest. Estamos planejando uma mini tour na América Central na mesma época do México Metal Fest.

  CASTOR


Rebel Rock - Ainda seguindo um pouco a pergunta anterior. É inevitável não pensar que a entrada da Mayara Puertas acabou aguçando um pouco a curiosidade das pessoas. Lembro de estar num show de vocês em 2017 e uma menina ao meu lado estava abismada com a potência vocal da Mayara, era como se ela não acreditasse que era possível aquilo. Quão benéfica foi para a banda a entrada da Mayara?

Castor - Ela trouxe um gás novo. Ela tem bastante técnica que vai do gutural ao vocal lírico também. As características da voz dela se encaixam perfeitamente no estilo do TS dando uma cara nova nas composições.

Rene - Sinto que a entrada da May na banda trouxe novamente o arquétipo de line up clássico que o Torture sempre teve, ou seja, o quarteto. Fora o estilo de vocal dela que na minha opinião, é matador, técnico e muito versátil.

Rebel Rock - Com toda a crise que praticamente todas as bandas estão enfrentando, a saída hoje em dia está em tocar, tocar e tocar, e claro, no merchandising e suas variedades. A banda está lançando uma nova cerveja, a "Black Existence". Primeiramente, como foi a aceitação do público para a "Beer of Evil"? E como foi pensada e desenvolvida essa nova cerveja da banda?

Castor - Tudo começou com o nosso velho amigo Fabio Chavez, dono da cervejaria Normandie Brewery. Em 2017 lançamos a "Beer of Evil", estilo Irish Red Ale que rolou muito bem e agora estamos repetindo a parceria com a "Black Existence", uma cerveja estilo Russian Imperial Stout, que tem um blend de Jack Daniel's na sua composição. Fizemos a festa de lançamento aqui em SP no Porão da Cerveja no dia 22/06, no mesmo local em que fizemos o da "Beer of Evil". Foi um show acústico tocando versões dos clássicos do Rock e Metal nesse dia! Foi muito divertido!

Rene - A primeira cerveja "Beer of Evil" foi muito bem aceita pelas pessoas, era uma Irish Red Ale, muito deliciosa, não falo isso porque é nossa cerveja não, de fato ea era deliciosa mesmo. A Normandie Brewery acertou em cheio naquela cerveja. Agora, dia 22/06, ocorreu o lançamento da nossa nova cerveja, a "Black Existence".

                                                           RENE SIMIONATO

Rebel Rock - Para qualquer fã de Heavy Metal no Brasil, ouvir falar de Rock in Rio, é lembrar de diversos shows épicos. Na edição desse ano teremos uma noite que é um verdadeiro sonho. Como fãs de música pesada, como é saber que daqui a poucos meses vocês estarão lado a lado tocando com bandas que os influenciaram, sendo responsáveis pelo nascimento de Torture Squad, e até mesmo, pelos membros da banda serem músicos? 

Castor - Sim, todos eles! Me lembro de assistir pela TV a primeira edição com o Scorpions e o Iron Maiden, quando vi o Steve Harris naquele momento decidi o que eu iria fazer na minha vida! O Megadeth veio na segunda edição que também assisti pela TV e estavam na tour do excelente "Rust in Peace", que foi um álbum que ouvi muito na minha vida!(a entrevista se deu antes do cancelamento do Megadeth, em virtude do tratamento de Dave Mustaine contra o câncer na garganta). Sepultura com certeza tem uma grande influência na minha vida como um exemplo a seguir se você realmente quer ter uma banda aqui no Brasil. O Slayer é um dos porquês que tocamos e amamos esse estilo de musica! Anthrax eu sou muito fã! O frank Bello é um dos baixistas que me inspira muito também!

Rene - É algo transcendente pensar que vamos tocar na mesma noite que Iron Maiden, Scorpions, Slayer, etc... Nem penso muito sobre como vai ser estar naquele palco. Tento deixar a energia rolar naturalmente. Com certeza vai ser um grande dia em nossas vidas e dos fãs da banda.

Rebel Rock - Já existem planos para o sucessor de "Far Beyond Existence"? Se sim, conseguem traçar o caminho que ele está seguindo?

Castor - Sim, já estamos trabalhando no novo álbum e ele está praticamente pronto. Estamos trabalhando na pré produção dele. Sinto nesse álbum uma evolução do "Far Beyond Existence", com elementos novos e outros da fase antiga da banda. Estou muito feliz no que está rolando nos sons novos!

Rene - O disco novo está no processo final de composição, como membro e fã do Torture, posso dizer que esse disco está maravilhoso, cheio de belas melodias misteriosas, empolgantes com um peso brutal e cozinha intacta do clássico Torture Squad. Temos muitas novidades nesse disco.

Rebel Rock - Para finalizar, como descreveria toda a jornada do Torture Squad até aqui?

Castor - 26 anos de muito trabalho árduo mas muito compensador! Vivemos momentos incríveis na estrada como na Killfest Tour na Europa ao lado do Exodus, Overkill e Gama Bomb. Passamos por períodos de mudança na formação que fez nos reinventarmos e encaramos novos desafios na época do álbum "Esquadrão da Tortura". Agora nessa nova etapa, com o Rene e a MAyara, estamos na mesma vibe, fizemos 2 turnês inéditas pelo Brasil tocando de segunda a segunda, fazendo 27 shows em 30 dias e algumas nos mesmos moldes pelo interior de SP. Uma turnê européia e sul americana também. Gravamos o EP "Return of Evil" e um álbum cheio "Far Beyond Existence" e agora estamos finalizando um próximo. THE TORTURE NEVER STOPS!

Rebel Rock - Muito Obrigado pela entrevista, o espaço final é de vocês!

Castor - Muito obrigado a vocês do Rebel Rock pelo espaço e saiba que vocês são muito importantes na vida de uma banda por dar voz ao nosso trabalho.

Rene - Muito obrigado pelo espaço no Rebel Rock! Stay Heavy!




Entrevista por William Ivan Kotzo Ribas