terça-feira, 24 de setembro de 2024

CHAMPLIN, WILLIAMS & FRIESTEDT - CWF III (2024)


 

CHAMPLIN, WILLIAMS & FIEDSTEDT
CWF III
Black Lodge Records - Importado

Novo lançamento do grupo CWF que leva as iniciais dos sobrenomes dos idealizadores no título.

Trata-se de ninguém menos que (Bill) Champlin, (Joseph) Williams e (Peter) Friestedt. Grupo este que surgiu por causa de uma parceria para a gravação de um DVD lá em 2013. Friestedt já havia trabalhado com ambos anteriormente no seu primeiro lançamento o LA Project em 2002.

Ali foi o primeiro contato do guitarrista sueco com os ex-vocalistas de Chicago e Toto (respectivamente) que já haviam se encontraram incontáveis vezes no passado. Em 2013 sai o tão incrível DVD fruto do bom relacionamento e conexão entre os 3 que originou a criação oficial do CWF que até o momento já trás na bagagem 3 álbuns de estúdio e 1 EP lançado em 2023.

E pra provar que ainda estão à ativa a todo vapor, em 2024 eles vêm com o mais novo lançamento o álbum III que sai próximo dia 27. O som é basicamente o tão aclamado AOR/Soft Rock californiano que remete aos tempos áureos dos anos 70 e 80. Resumindo: Toto e Chicago em sua mais pura essência!

O toque Jazzístico que Friestedt acrescenta às obras juntamente com sua mixagem e produção realçam o esmero e cuidado que o estilo WestCoast exige essencialmente.

CWF III chega com 10 músicas que já foram analisadas e estão destrinchadas à seguir:

Brighter Day - A música de trabalho do disco a primeira a ser apresentada ao público através das redes que já conta com um videoclipe no YouTube. Totalmente inspirada nas clássicas soundtracks dos anos 80 e essencialmente apta para tal! Triunfante e com um "ar esperançoso", já dá pra imaginar uma cena de créditos subindo e essa musica de fundo. No melhor tom de encerramento mas, ao mesmo tempo, deixando um "quentinho" no coração.

Sure - Mais uma música que mostra traços de inspiração nos mesmos moldes da anterior. Porém, enquanto a outra tem uma cara bem mais "oitentista", eu diria que essa traz um "Q" de atualidade. Digamos que a anterior serviria muito bem como trilha de um filme dos anos 80. Esta já estaria num dos anos 90, talvez (risos).

Wings of Tomorrow - Excelente canção, bem composta. Uma musica mais agitada, certeza que quem curte e conhece afundo o AOR, ao ouvir, irá se identificar com a melodia pois ela reúne todo aquele "clichê" de uma bela música AOR.

Find the Love - Aqui temos TOTO e temos Chicago em sua pura essência, e através disso conseguimos enxergar o quão próximo as 2 bandas estão melodicamente falando.
Isto é fabuloso pois, mesmo sabendo que existem dezenas de músicas que utilizam desta mesma fórmula musical, esta ainda sim consegue ser única e original. O encerramento profundamente "espirituoso" talvez seja um dos pontos mais incríveis da música!

Carrie - Essa faixa já havia sido lançada em 2023 no EP de mesmo nome que contava com mais 5 canções. Ao ver o título pode-se até achar que seja um cover da clássica música do Europe de mesmo nome mas, ao tocar, trata-se de um AOR Westcoast de respeito no melhor estilo Toto (sério! Os fãs da banda irão identificar até qual música foi utilizada como referência!). É um Toto com vocais de Chicago!

I Will Find You There - Certamente a musica que abrirá o Lado B da versão em vinil desse disco. Meu Deus que música inspirada! O esmero que foi feito a produção desse disco chega a impressionar! Música extremamente bem feita em todos sentidos, mixagem, composição, refrãos grudentos sem serem enjoativos. Destaque para os segundos finais em que entra uma Jam de teclados, bateria, baixo e vocal que carrega a musica pra uma levada um pouco "funkeada".

Stay With Me - Aos fãs de AOR: isso aqui é uma mistura de uma parcela de tudo que gostamos! Aqui tem Toto, tem Chicago, tem Dakota, tem FM enfim tem milhares de bandas clássicas do estilo! Instrumentos executados com maestria, ganchos perfeitos! Só ouçam e apreciem!!

Almost Had Me There - Pra quem curte e conhece afundo o Toto vai adorar essa pegada que estão fazendo nesse álbum de botar a voz do Chicago pra cantar músicas que são o puro "suco de Toto" (risos).

Fly Away Now - Mais uma canção que compunha o EP "Carrie" de 2023. Um Westcoast bem suave e profundo. Sensacional!! Backing vocals super bem encaixados principalmente na ponte pro refrão. Backing vocal de peso que conta com a cantora (e esposa de Bill) Tamara Champlin e o músico Michael Ruff.

Moments Of Joy - Encerra o disco no melhor estilo AOR WestCoast Instrumental, e é basicamente um resumo sonoro do que é o próprio AOR WestCoast em sua essência. Leve, rebuscado, sofisticado, com uma certa influencia de Jazz mas ao mesmo tempo Pop. Rapaz no final fiquei até com impressão de que estava ouvindo George Benson, com as balbuciações musicais que aparecem do meio para o final.

Ao finalizar o disco fiquei positivamente surpreendido com a qualidade empregada nesse novo lançamento! Eu realmente fiquei feliz em ver que ainda sim fazem-se o mais puro e belo AOR Westcoast com qualidade acima da média!

Um álbum excelente, sofisticado e altamente recomendado pra quem curte um som leve e saudosista. Apesar de andar nos mesmos moldes dos lançamentos anteriores me surpreende a criatividade em conseguirem fazer soar agradável.

Mas, se tratando das verdadeiras FERAS que estão por trás desta obra não poderia se esperar menos né!
SUCESSO!!

Felipe Izzard 




segunda-feira, 23 de setembro de 2024

FURIOUS DOGS - PERROS FURIOSOS (2023)

 


FURIOUS DOGS
PERROS FURIOSOS
Dies Irae Records - Nacional

Vem da cidade de San Lorenzo/Paraguai, a matilha colérica chamada Furious Dogs. A banda foi formada em 2019 por Daniel Chavez Mareco (guitarras e vocais), Guillermo Ocampos (bateria) e Alberto Rolon (baixo). A sonoridade aqui é Heavy Metal tradicional na língua original da terra natal da banda, o espanhol.

Para posicionar corretamente, e para ter uma idéia do que escutar em “Perros Furiosos”, podemos retornar ao inicio dos anos oitenta, onde o Heavy Metal era mais ríspido, cru e sem firulas, e por vezes flertando com o Hard Rock setentista.

Pesado e áspero, podemos ver referências ao Motorhead, por óbvio, mas também bandas como The Rods, Picture e a argentina Riff, até pela similaridade do idioma. Mesmo tendo claras estas influências no seu som, os Furious Dogs conseguem criar uma identidade própria. Liricamente, os temas abordados são o cotidiano, o mundo metálico e a história paraguaia.

Um trabalho bastante sólido e interessante este primeiro álbum completo do Furious Dogs, e é muito bom saber que temos bandas de ótimo nível no underground de países vizinhos. Vale a pena conferir. Lançamento nacional Dies Irae.

José Henrique Godoy





quarta-feira, 18 de setembro de 2024

MICHAEL SCHENKER - MY YEARS WITH UFO - 50TH ANNIVERSARY CELEBRATION (2024)

 


MICHAEL SCHENKER
MY YEARS WITH UFO - 50TH ANNIVERSARY CELEBRATION
earMusic - Importado

Lançamentos com regravações de bandas famosas, com vários convidados, geralmente não chamam muita a atenção e não acrescentam muita coisa não é mesmo? Não, não é! Neste caso especificamente muito menos: estamos falando de Michael Schenker revisitando a sua época como guitarrista do UFO!
Só isso já seria um belo incentivo para conhecer o novo lançamento do irmão mais novo de Rudolph Schenker, adicione uma lista de convivas do calibre de Axl Rose, Joey Tempest, Dee Snider, Biff Byfford, Slash, Eric Gronwall... uma verdadeira confraria de grandes nomes do Hard Rock mundial.

Michael Schenker esteve com o UFO, dentre os anos de 1973/1979, apenas seis anos, mas que entraram para a eternidade. Neste período gravou os 5 discos de estúdio mais clássicos da banda, e o fantástico duplo ao vivo “Strangers In The Night”, simplesmente um dos melhores duplo ao vivo da história do rock, muito por causa da performance incendiária do Sr. Schenker, e boa parte das faixas presentes neste álbum ao vivo estão presentes também neste novo lançamento.

A banda que acompanha Schenker na maioria das faixas é formada por Barry Sparks no baixo, Brian Tichy na bateria, e Derek Sherinian nos teclado. A abertura se dá com “Natural Thing", apresentando Dee Snider e Joel Hoekstra, dando o tom do que se ouvirá durante todo o álbum: covers enérgicos e revigorados e executados com maestria. “Only YOu Can Rock Me” traz o incrível Joey Tempest vocalizando e o baixo mais que pulsante do Sr. Roger Glover.

Joe Lynn Turner aparece em duas faixas, a primeira delas a mais-que-clássica “Doctor Doctor”, acompanhado por Carmine Appice atrás dos tambores. O carinha aquele da cartola, o tal Slash, divide as guitarras com Schenker em “Mother Mary”, que é cantada pelo excelente Eric Gronwall. Esta faixa junto a próxima, “These Kids”, cantada pelo frontman do Saxon, Biff Byfford, se mostraram as minhas preferidas, muito pela notável atuação de Biff.

“Love To Love” traz ninguém menos que Axl Rose, numa boa interpretação, enquanto Jeff Scott Soto e John Norum detonam uma furiosa “Lights Out”. Joe Lynn Turner e Camine Appice retornam, desta vez juntos ao às da guitarra holandês, Adrian Vandenberg, executando a festeira “Too Hot to Handle”. O colaborador/produtor dos trabalhos de Schenker, Michael Voss apresenta uma boa versão de “Let It Roll” e o trabalho fecha com “Shoot Shoot”, com o frontman do Ratt, Stepehn Pearcy nos vocais. Se por um lado, Pearcy não é nem de perto o melhor vocalista do mundo, por outro lado ele sempre entrega em estúdio um trabalho eficiente, e aqui não existe fuga da regra.

Enfim, um álbum de regravações que constará certamente na minha lista de melhores do ano. Sabe porque amiguinho? Porque Schenker é deus...Repita comigo: Michael Schenker é deus...

José Henrique Godoy




SILVERNITE - LOST CITY (2024)



SILVERNITE
LOST CITY
Lions Pride Music - Importado

Como soaria um encontro sonoro entre o Dokken e o Duran Duran? Ou o Bon Jovi (fase Slippery When Wet) com o Depeche Mode? Acrescente (muitos) teclados sintetizados, riffs e solos de guitarra realmente bem executados, com um vocal feminino na veia pop 80's muito bem encaixado, e músicas com estruturas que farão você se (re)lembrar de trilhas sonoras de filmes como “Um Tira Da Pesada”, “De Volta para o Futuro”, o seriado “Miami Vice” ou qualquer outra comédia juvenil da década de 1980. Está pronta a receita!

O que os gregos do Silvernite nos apresentam neste seu trabalho, “Lost City” é uma viagem de volta aos anos oitenta, com todos estes ingredientes citados. Eles fazem parte da veia Retro-Synth-Wave, porém com mais ingredientes de (Hard) Rock. O quarteto é formado por Mariangela (vocais), Nash G. (guitarras), Strutter (Sintetizadores) e Mina Chatziminas (bateria).

As composições de “Lost City” entregam uma viagem nostálgica, e ao mesmo tempo futurística, como se fosse a trilha sonora original de uma animação oitentista. A voz de Mariangela , se por um lado não é tão potente, compensa com interpretação, enquanto Nash e Strutter conduzem e duelam magistralmente suas partes, seja músicas com pegada mais Hard/Aor como na ótima “Angel Eyes” (preste a atenção no riff de guitarra, e você lembrará do George Lynch), seja em momentos mais calmos e pops como “Show me The Way”, que poderia estar na trilha sonora de um filme de John Hughes.

Outros exemplos de qualidade no trabalho são as intrumentais e totalmente orientada pelo Retrowave, “Boarding”, enquanto “Road to Eternity” se aproxima mais do Melodic Rock. E o trabalho se encerra com a balada “Free Now”, com direito a solo e introdução de sax, executado por Artem Zhulyev, lembrando algo que poderia estar na trilha sonora de “Top Gun”. Enfim, o Silvernite cumpre nesse seu “Lost City” a missão de apresentar um misto de Retro/Synthwave com Melodic Rock/Aor que atingirá em cheio os fãs destes estilos.

José Henrique Godoy




terça-feira, 17 de setembro de 2024

LICKS & MALTZ - OS ENGENHEIROS SEM CREA - 08/09/2024 - CARIOCA CLUB -SÃO PAULO/SP


 

LICKS & MALTZ
OS ENGENHEIROS SEM CREA
CARIOCA CLUB
08/09/2024
SÃO PAULO/SP

PRODUÇÃO: ABSTRATTI PRODUTORA
ASSESSORIA: TEDESCO MÍDIA

TEXTO E FOTOS: RODRIGO OLIVEIRA


L&M em SP: lágrimas e resiliência

A noite de 8 de setembro representou para os fãs paulistanos dos Engenheiros do Hawaii muito mais que a oportunidade de ver e ouvir, ao vivo, hits como “Toda Forma de Poder”, “Terra de Gigantes”, “Somos Quem Podemos Ser”, “Alivio Imediato”, “Exército de Um Homem Só”, “Muros e Grades”, “Ninguém = Ninguém”…

Em um Carioca Club lotado, eles puderam, finalmente, reencontrar o guitarrista Augusto Licks e o baterista Carlos Maltz - dois terços da formação clássica do trio gaúcho -, que, depois de mais de 30 anos afastados, retomaram a parceria musical, agora ao lado de Sandro Trindade e Jeff Gomes, dos Engenheiros Sem CREA, importante banda tributo aos Engenheiros, os do Hawaii.


Viajando pelo país desde abril passado, o quarteto, que passou por cidades como Porto Alegre, Florianópolis, Curitiba, Brasília, Goiânia, Campinas e Ribeirão Preto, chegou a São Paulo para mais uma de suas emocionantes apresentações, diante de um público que, há tempos, demanda à dupla, e também ao eterno “engenheiro”, Humberto Gessinger, o retorno do saudoso “GLM”.

No palco, por quase duas horas, Licks, Maltz, Trindade e Gomes performaram, de maneira fidedigna, algumas improváveis canções, como “Variações Sobre um Mesmo Tema” e “Canibal Vegetariano Devora Planta Carnívora”, verdadeiros “Lados B” da discografia hawaiana, além, claro, dos já citados hits. E, na plateia, como era de se esperar, lágrimas, muitas lágrimas, confirmando que os indispensáveis esforços de Sandro - carinhosamente chamado por Licks de “o engenheiro da ponte”, por sua reaproximação com Maltz - não foram em vão.



Com alguns shows pela frente e, acredito, novas datas a serem confirmadas, a dupla L&M parece não ligar para a renúncia de Gessinger a uma turnê de despedida ou mesmo em comemoração aos 40 anos de estrada do trio. E ainda que admitam as portas abertas para um possível reencontro com o “déspota esclarecido”, guitarrista e baterista mantêm os pés no chão e focam no presente, afinal, como diz o próprio Gessinger, “o futuro se impõe; o passado não se aguenta”.

Possibilidades à parte, é importante enaltecer a resiliência de Licks e Maltz, os engenheiros que mesmo sem CREA e longe demais do Hawaii estão de volta à cena!