terça-feira, 8 de outubro de 2024

SONATA ARCTICA - CLEAR COLD BEYOND (2024)

 


SONATA ARCTICA
CLEAR COLD BEYOND
Shinigami Records/Atomic Fire  Records - Nacional

Surgida no "boom" do metal melódico no início dos anos 2000 (o grupo existe desde 1995, mas se chamava Tricky Beans, posteriormente Tricky Means, até se rebatizar como a conhecemos hoje), a banda finlandesa SONATA ARCTICA ganhou o mundo com seus primeiros álbuns, que surfavam naquela sonoridade muito próxima do Stratovarius, mas com certa personalidade, muito pelas guitarras, que ainda que altamente técnicas, diferenciavam-se dos seus conterrâneos por buscarem fugir da mesmice, mesmo que na maioria das vezes não conseguisse. Lançado por aqui pela Shinigami Records/Atomic Fire Records, COLD CLEAR BEYOND, é o 11º álbum de estúdio do quinteto, que mantém de sua formação original apenas o vocalista Tony Kakko e o baterista Tommy Portimo, e tenta resgatar aquela relevância que a banda teve até 2007 com o lançamento de UNIA. A intenção foi boa, no entanto, o resultado, mesmo que bom, não consegue trazer aquele espírito de outros tempos. 

Os já citados Tony Kakko e Tommy Portimo, juntos à Elias Viljanen (guitarra), Pasi Kauppinen (baixo) e Henrik Klingenberg (teclados) voltam à carga 5 anos após o controverso "Talviyö", adorado por muitos, odiados por tantos outros. A verdade é que o grupo, mesmo que tenha feito trabalhos não condizentes com seu início de carreira, conseguiu manter uma boa parcela de seus fãs, muito mais interessados nas melodias vocais de Tony Kakko do que nas composições dos finlandeses. COLD CLEAR BEYOND é um trabalho muito superior aos seus cinco últimos álbuns, o que pode, de certa forma, resgatar admiradores que acabou perdendo ao longo desse caminho, incluindo este que vos escreve. Para ser sincero, desde "Winterheart's Guild" eu deixei de acompanhar o grupo, muito pela mesmice da cena, mas também pela falta de criatividade apresentada a partir de "The Days of Grays".

O álbum inicia com "First in Line", um metal melódico com todas as características do estilo: rápido, intenso e, obviamente, melódico! Os teclados de Henrik se destacam, enquanto a guitarra de Elias Viljanen ganha intensidade no decorrer da faixa. Se a primeira composição do álbum era uma faixa tipicamente "metal melódico", o que dizer de "California"? Mesma fórmula, mesmos elementos, mas com a classe do Sonata impressa, ou seja, vai agradar os fãs do próprio grupo e do estilo. Com um refrão grudento, tenho certeza que a própria estará nos setlists dos shows da banda. "Shat Mat", na sequência, mantém o clima "bumbo duplo" em alta, mesmo com seu início melancólico e introspectivo. Com um dos melhores refrãos do álbum,  faixa é um dos destaques. Os corais muito bem encaixados são a via condutora de "Dark Empathy", uma faixa climática e que foge do caminho que estava sendo trilhado até aqui, que logo dá lugar para  a "correria" de "Cure for Everything".

" A Monster You Can't See" começa de forma suave, mas ganha intensidade e peso (pros padrões sonato arcticos), e também é possuidora de um belo refrão. E aqui vai um comentário extra: o grupo parece ter se preocupado com essa questão, pois todas as faixas trazem consigo essa característica. "Teardrops" é outro momento que deixa de lado a velocidade em prol da harmonia, da mesma forma que "Angel Defiled", que tem essa característica mais exaltada em seu refrão. A balada "The Best Things", melódica e com belas harmonias, antecede o final que vem a faixa título. "Clear Cold Beyond", uma "power ballad", no sentido literal da expressão, uma vez que possui peso e não flerta com aquelas baladas tradicionais que muitas bandas do estilo compõem.

CLEAR COLD BEYOND é um bom álbum, que pode fazer com que o SONATA ARCTICA volte aos seus bons momentos, um tanto quanto longínquos. Ainda que muitos fãs possam vir a discordar, a verdade é que este álbum é o melhor do grupo em 15 anos. E podem ter certeza: não é pouca coisa!

Sergiomar Menezes




POWERWOLF - WAKE UP THE WICKED (2024)

 


POWERWOLF
WAKE UP THE WICKED
Shinigami Records / Napalm Records - Nacional

O Powerwolf é um nome grande no mercado do Metal europeu. Seus shows são dotados de grandes produções, e é visível que a banda não para de crescer. Considero-os o Slipknot do Power Metal, não apenas pelo figurino, mas também pela enorme capacidade de cativar e fazer de seus shows, um espetáculo teatral.

Quando apertamos o play em nosso reprodutor de áudio, invariavelmente sabemos o que vamos ouvir: Power Metal furioso, pomposo, repleto de arranjos orquestrais, além da voz potente e marcante de Attila Dorn. Importante caracterizar a banda como daquelas que parece não se importar nem um pouco em soar datada e ano após ano, soltar materiais inéditos como “mais do mesmo”, fato recorrente nas bandas alemãs, em especial no Power Metal.

“Wake Up the Wicked” é nada menos que o decimo trabalho de inéditas da banda e algo que me chamou a atenção logo de cara foi ver que as 11 faixas ultrapassam a marca dos 36 minutos de duração, ou seja, aqui mais do que nunca, as músicas foram diretas e retas, sem abrir mão da grandiloquência, epicidade e aquele aura de um concerto com orquestra que pode afugentar os mais desavisados, e paralelamente, atrai quem admira bandas ousadas e que sabem se auto promoverem.

Se você, caro leitor, já ouviu na íntegra qualquer trabalho anterior do Powerwolf, como já citamos, saberá o que vai encontrar aqui. Os arranjos orquestrais estão cada vez mais elaborados, e que por vezes substituem até as guitarras, transformando a audição em uma experiência quase que singular. Ouça por exemplo, faixas como “1589”, “We Don’t Wanna Be No Saints” e a linda “Vargamor” e imagine-se em uma batalha épica no século XV, XVI ou qualquer outro próximo a esta época e divirta-se.

O Powerwolf é daquelas bandas que parecem imortais e que passarão o resto de sua existência fazendo a mesma coisa, sempre com paixão e sentimento destacados em linhas melódicas que por vezes chegam a arrepiar. Como todos os outros discos do catálogo, “Wake Up the Wicked” é primoroso, tanto que me deu vontade de fazer a limpa em meu Spotify e ouvir tudo de novo. Iniciando em 3, 2, 1…

Mauro Antunes




segunda-feira, 7 de outubro de 2024

MY DYING BRIDE - A MORTAL BINDING (2024)


 

MY DYING BRIDE
A MORTAL BINDING
Shinigami Records / Nuclear Blast - Nacional

Lento, sombrio e lúgubre. Algumas características que compõem a sonoridade do gigante do Doom Metal, My Dying Bride, desde a sua formação em 1990. Com o lançamento do novo trabalho “A Mortal Binding”, estes elementos vem à tona novamente com toda a força que imortalizou os ingleses como um os maiores expoentes do estilo.

“A Mortal Binding” é o décimo quinto trabalho do My Dying Bride e é o sucessor de "The Ghost of Orion" de março de 2020. Houve algumas mudanças na formação desde então, já que o guitarrista Neil Blanchett se juntou definitivamente à banda, e o baterista Jeff Singer foi substituído por Dan Mullins, que já tocou com o grupo em 2007-2012.

Para um fã do My Dying Bride, não haverá sustos, tendo em vista que todos os ingredientes de um álbum da banda estão presentes. O vocalista principal Aaron Stainthorpe alterna momentos de brutalidade death metal com momentos de vocais limpos com um toque gótico sombrio e poético. Os riffs e ritmos são pesados, e os teclados dão uma atmosfera fantasmagórica, enquanto são completados por solos melancólicos, entregues por guitarras e violinos.

A produção sonora é mais crua, menos polida e mais direta do que nos últimos lançamentos. Ponto a favor para o My Dying Bridem que parece ter tido coragem para dar alguns passos atrás, em direção ao seus trabalhos de início de carreira. A faixa de abertura “Her Dominion” é o melhor exemplo disso, já que é uma faixa de death metal bastante pesado com apenas vocais rasgados.

Embora outras faixas do álbum também apresentem vocalizações Death Metal, "Her Dominion" é, no entanto, uma faixa um pouco diferente das demais em "A Mortal Binding", e eu diria que as faixas restantes estão mais alinhadas entre elas. Os destaques incluem "Thornwyck Hymn" e "The Apocalyptist" de 11:22 minutos.

Finalizando um trabalho consistente do My Dying Bride, que agradará a todos os fãs, e até alguns ouvintes que não estão tão familiarizados com a banda, pois não há nada neste álbum que não seja material de qualidade. Lançamento nacional pela Shinigami Records.

José Henrique Godoy




MARTY FRIEDMAN - DRAMA (2024)

 


MARTY FRIEDMAN
DRAMA
Shinigami Records / Frontiers Music srl - Nacional

Marty Friedman dispensa apresentações. Desde o seu início modesto na banda Hawaii em 1983, passando pelo super-projeto Cacophony, com o não menos genial Jason Becker, até se tornar mundialmente conhecido em 1990, ao ingressar no Megadeth, Friedman é reconhecido como um dos mais virtuosos guitarristas da história do Metal/Rock.

Paralelamente ao Megadeth, durante os anos 1990, Marty deu sequência a uma carreira solo, lançando álbuns hoje clássicos de guitarra instrumental, como “Scenes” (1992) e “Introduction” (1994). Após deixar a banda de Dave Mustaine, Friedman fincou pés no Japão, e lá seguiu sua carreira como artista solo.

“Drama” é o seu novo trabalho solo, e demonstra claramente que, após quase duas décadas, Friedman conseguiu mesclar toda a sua técnica e feeling à cultura japonesa. Durante a audição de “Drama”, é possível notar beleza e melancolia, características muito presentes nas composições japonesas. O que Friedman demonstra, como em toda a sua obra até hoje, é muito sentimento em cada nota tocada.

Este novo trabalho é, como não poderia deixar de ser, muito acima da média, seja em momentos mais calmos, como nas faixas “Illuminations”, e “Triumph”, orquestrada com arranjos de cordas e piano, executados pelos músicos nipônicos Mika Maruki e HIyori Okuda, sejam em momentos mais roqueiros como na pesada e cativante “Thrill City”, seja na bela balada “Dead Of Winter” com participação do vocalista Chris Brooks, da banda Like a Storm. O lendário baterista Greg Bisonette, ex Dave Lee Roth e tantos outros trabalhos, coloca sua participação em quase todas as faixas do álbum.

Marty Friedman a muito tempo deixou de ser apenas o ex-guitarrista do Megadeth, para se tornar um sólido artista solo e um dos guitarristas mais cultuados do planeta. Confira “Drama”, que teve seu lançamento nacional editado pela Shinigami Records.

José Henrique Godoy




DEEP PURPLE - =1 (2024)

 


DEEP PURPLE
=1
earMusic - Nacional

Quem começou a ouvir Rock e Metal nos idos dos anos 80, não tinha tantas opções para conhecer bandas novas como tem-se hoje. Era um vinil aqui, uma fita cassete de outro amigo ali, de vez em quando algum programa de clipes passava algo que chamava a atenção, enfim, as opções eram escassas. No meu caso, o Deep Purple eu passei a conhecer de uma forma extremamente curiosa: fiz uma troca de vinis com um amigo na época: dei a ele o “Piece of Mind” (Iron Maiden, 1983) e em troca recebi o mega classico “Machine Head” do Deep Purple totalmente no escuro sem nunca, até então, ter ouvido absolutamente nada da banda.

Obviamente, tive que gastar parte da minha suada mesada pra readiquirir o classico trabalho de Steve Harris e cia., mas o mais famoso trabalho da MKII citado aqui, o tenho até hoje, em boas condições. Com a iminente paixão de fã que o Deep Purple imediatamente causou neste redator, virei colecionador e hoje posso dizer que tenho muita coisa desta que é, uma das bandas do meu coração.
Falar deles pra mim é mais do que especial, é um deleite. Posso dizer que desde então nunca abandonei a banda mesmo que em alguns momentos tenha torcido o nariz para algumas coisas que tenham feito de lá para cá, mas sempre estiveram no meu radar.

Desde que Ritchie Blackmore deixou a banda em 1994, e uma nova fase iniciou para o Purple, “=1” já é nada menos que o nono trabalho completo de estúdio lançado por Gillan e cia., sendo este, o primeiro sem o exímio Steve Morse, demitido após o lançamento do trabalho de covers, “Turning to Crime” (2021).

Ao todo temos nada menos do que 13 faixas que trazem o Deep Purple em versão contida, afinal temos senhores de quase 80 anos de idade, que tem o dom da música fincado em seus sangues. Simon McBride que assumiu a guitarra já chegou chutando a porta com “Show Me”. Que solo, que viagem!
“A Bit on the Side” tem a insanidade de Ian Paice como ponto alto. Essa seria uma faixa bem legal de ouvi-la com a bateria isolada, seria uma experiência auditiva bem interessante. “Sharp Shooter” dá pra imaginar ouvir degustando uma bela dose de Jack Daniels acompanhando, com seu Rock & Roll simples e direto. E o que dizer de Don Airey na brilhante “Portable Door”? O clipe você pode assistir abaixo e o spoiler já está dado!

“Old-Fangled Thing” é onde Gillan parece se sentir a vontade e teve total liberdade para cantar como bem quisesse. Sábia decisão, já que a faixa transcende o Rock e invade o território do Metal com muita força. Pra mim, essa é a melhor de todas! “If I Were You” é outro grandioso destaque com sua levada em Blues Rock. Em suma, todas as faixas caminham por todas as vertentes do Rock & Roll feitas pela classe de músicos pra lá de veteranos que parecem que nunca mais vão parar de tocar.

Como em sã consciência não ama-los? Mais de 5 décadas de atividade, tantos e tantos clássicos transformam o Deep Purple em um verdadeiro patrimônio da humanidade. Que toquem até os 100 anos que certamente, continuaremos sendo fãs…

Mauro Antunes