sexta-feira, 14 de fevereiro de 2025

DREAM THEATER - PARASOMNIA (2025)

 


DREAM THEATER
PARASOMNIA
Vahall Music/ Inside Out - Nacional

O Dream Theater retorna em 2025 com “Parasomnia”, um álbum que já nasce marcante não apenas por sua música, mas também pelo tão aguardado retorno de Mike Portnoy, lendário baterista e co-fundador da banda. Após anos afastado, Portnoy reassume as baquetas trazendo não apenas sua técnica impecável, mas também uma identidade que muitos fãs sentiam falta.

A título de curiosidade, o trabalho foi lançado exatamente um ano depois que a banda se reuniu para compor material inédito pela primeira vez após mais de uma década.

Contudo, “Parasomnia” não se apoia na nostalgia. O álbum apresenta um conceito intrigante, uma produção refinada e composições que equilibram peso, melodia e complexidade progressiva de forma envolvente. Seu título faz referência às parasomnias — um termo que abrange distúrbios do sono, como sonambulismo, paralisia do sono, pesadelos recorrentes e terrores noturnos. Essa temática permeia o disco, influenciando tanto as letras quanto a atmosfera instrumental.

A capa, assinada por Hugh Syme (conhecido por seus trabalhos para Rush, Fates Warning e Iron Maiden), visualmente traz uma conexão sutil com a icônica arte de “Images and Words” (1992), sugerindo um diálogo com a história da banda, sem necessariamente tentar recriar o passado.

Desde os primeiros segundos do álbum, somos transportados para esse universo inquietante. Sons de relógios, sussurros e texturas eletrônicas sutis criam a sensação de estar preso entre a realidade e o mundo dos sonhos. Essa abordagem imersiva faz de “Parasomnia” um dos trabalhos conceituais mais coesos do Dream Theater.

Com a volta de Portnoy, surge naturalmente a pergunta: o Dream Theater retomou o som clássico dos anos 2000? A resposta é sim e não. A sonoridade remete bastante a álbuns como “Train of Thought” (2003), “Systematic Chaos” (2007) e “Black Clouds & Silver Linings” (2009), ou seja, é mais pesada, sombria e direta. A banda não ignora os anos com Mike Mangini na bateria, mas há um resgate da dinâmica natural e do groove característico de Portnoy.

A instrumental, “In the Arms of Morpheus”, abre o tracklist e estabelece o tom grandioso do disco, com transições dinâmicas e complexidade rítmica. Ela prepara o terreno para “Night Terror”, faixa que aborda os terrores noturnos e a sensação de estar preso em pesadelos. Riffs pesados e mudanças constantes de andamento criam um clima perfeito de tensão crescente. John Petrucci, como sempre, se destaca como o maestro do grupo. Seus solos são melódicos e emocionais, equilibrando-se com riffs excepcionais — algo evidente em faixas como A “Broken Man” e “Dead Sleep”. Vale o destaque para John Myung, sempre discreto mas essencial, entrega linhas de baixo precisas, ajudando a amarrar as seções mais trincadas.

O álbum também explora diferentes atmosferas. “Midnight Messiah” cresce progressivamente até explodir em um refrão frenético e contagiante. E claro, não há como ignorar James LaBrie — um vocalista que divide opiniões. Ele é o melhor do mundo? Não. Mas é possível imaginar o Dream Theater com outra voz? Também não. Aqui, ele se mostra mais contido, evitando exageros nas notas altas e tornando a audição mais agradável, mas, eternamente seguirá sendo o ponto de maior discórdia entre os fãs.

Caminhando para o desfecho do álbum, temos a belíssima “Bend the Clock”, uma faixa que equilibra intensidade emocional e instrumentação refinada, se destacando como um dos ápices do disco. O encerramento épico fica por conta de “The Shadow Man Incident”, uma suíte de 19 minutos que traz um Jordan Rudess, desfilando charme e bom gosto à jornada sonora.

Em suma, “Parasomnia” representa uma renovação para o Dream Theater, trazendo nova vitalidade à banda e entregando um trabalho à altura das expectativas. E sejamos sinceros: poder finalmente escrever Portnoy is back é um sentimento que todos os fãs esperavam há anos.

William Ribas




Um comentário:

  1. Pelo texto, com certeza fez eu sentir mais vontade de ouvir o álbum parabéns Will

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