terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

CHILDREN OF BODOM - I WORSHIP CHAOS (2015/2025) RELANÇAMENTO

 


CHILDREN OF BODOM
I WORSHIP CHAOS
Shinigami Records/Nuclear Blast - Nacional

Em 2015, o CHILDREN OF BODOM lançava seu 9º álbum de estúdio, intitulado I WORSHIP CHAOS. E para comemorar uma década de seu lançamento, a Shinigami Records em parceria com a Nuclear Blast, recolocam no mercado nacional o trabalho, que nessa edição comemorativa, traz 4 faixas bônus. Ainda que os finlandeses tenham se afastado daqueles trabalhos primorosos do início de carreira, aqui já dava pra perceber que Alexi Laiho (RIP) e sua turma já preparavam um ensaio daquilo que viria a ser o próximo álbum do grupo, o excelente "Hexed", lançado em 2019. No entanto, I WORSHIP CHAOS não traz esse retorno de forma direta, muito menos é um trabalho descartável. O peso aqui, tem mais prioridade, mas ainda sem aquela classe da qual nos habituamos a ouvir. Assim, o relançamento serve para quem acompanha a carreira do grupo (e ainda não tem as faixas bônus), mas também para tentar entender o que se passava pela mente brilhante de Laiho, principal compositor e uma das seis cordas que mais fazem falta no mundo do metal...

À época, o grupo encontrava-se em forma de quarteto com Laiho nos vocais e guitarra, Henka Seppälä (baixo), o virtuoso e amigo de longa data de Laiho, Janne Wirman (teclados e backing vocals) e Jaska Raatikainen (bateria). E mesmo com uma produção caprichada, fica claro que a proposta aqui é menos exibicionismo técnico e mais peso direto. As guitarras continuam afiadas, os teclados seguem presentes, mas agora cumprem um papel mais atmosférico do que protagonista. Alexi Laiho soa mais agressivo, mais áspero, quase como se estivesse cuspindo cada verso, ainda mais sendo ele o responsável pelas guitarras do álbum. Tudo soa calculado e preciso. Isso reforça o impacto imediato das músicas, mas também contribui para a sensação de que falta algo, como o clima caótico e imprevisível que fez o COB se destacar no fim dos anos 90.

É um trabalho mais introspectivo do que parece à primeira audição, ainda que embalado em riffs acessíveis e refrãos prontos para o palco. O que fica claro em faixas como "Morrigan", "Prayer for the Afflicted", "My Bodom (I'm the Only One)" e "Horn of Betrayal" que equilibram bem peso, groove Que fique claro, o "groove" característico do grupo) e melodias sombrias, enquanto "Suicide Bomber" se destaca como um dos momentos mais brutais do tracklist, com riffs secos e andamento quase thrash e que que funcionam bem dentro da proposta do disco. Como bônus temos quatro faixas, todas elas covers: "Mistress of Taboo" (Plasmatics - banda da qual Laiho era um grande fã), "Danger Zone" (Kenny Loggins, que foi trilha do filme Top Gun - Ases Indomáveis, que ganhou uma versão bem personalizada do grupo), "Black Winter" (Amorphis) e "Cruel Summer" (Bananarama). Todas com um toque de COB, e com aquele grau de surpresa que era a cara de Alexi Laiho.

I WORSHIP CHAOS sucede "Halo of Blood" que já trazia consigo uma aura forte de transição. O que fica ainda mais claro aqui. Buscando ainda reencontrar sua sonoridade mais clássica, o CHILDREN OF BODOM soube fazer isso de forma um pouco lenta, demorando mais de 10 anos para que isso acontecesse (o que veio a se concretizar em "Hexed"). No entanto, esse trabalho mostra que mesmo sem estar em seu melhor momento, o grupo tinha classe e categoria para nos apresentar álbuns intensos e pessoais. Pra quem curte e é fã, vale a aquisição!

Sergiomar Menezes





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