REBEL ROCK ENTREVISTA - NIGE ROCKETT (ONLAUGHT)
Mexer em músicas clássicas é sempre um terreno perigoso, mas para Nige Rockett, líder do Onslaught, foi uma aposta necessária. Prestes a desembarcar no Brasil para o Bangers Open Air em abril, o guitarrista abriu o jogo sobre o novo álbum, "Origins of Aggression", e o desafio de dar uma nova vida a hinos que definiram o Thrash Metal.
Mais do que apenas música, a conversa tocou em pontos pessoais: Nige foi sincero sobre sua recuperação de saúde após um susto recente e revelou uma conexão especial com o nosso país. A sonoridade "analógica" e agressiva do novo disco não foi por acaso — ela foi moldada aqui mesmo, no Rio de Janeiro.
Uma entrevista direta sobre passado, futuro e a energia que mantém a banda viva.
Por William Ribas
Rebel Rock: Antes de mais nada, obrigado pela entrevista. Nige, em 2022, a turnê brasileira teve que ser cancelada devido a problemas de saúde. Está tudo bem com você agora?Oi William, como você está, meu amigo? É um prazer.
Nige Rockett: Estou bem e me recuperando aos poucos, obrigado, mas tive um pequeno contratempo quando voltamos da turnê pela Austrália / Ásia em dezembro e isso me afetou um pouco..
Posso garantir a você que estarei de volta a tempo para o ‘Bangers Open Air Festival’ em abril, estou realmente ansioso por este evento e por voltar ao Brasil.
Rebel Rock: "Origins of Aggression" se tornou um dos meus álbuns favoritos junto com "Let There Be Blood" do Exodus quando se trata de regravações. Quão “perigoso” é mexer em um clássico?
Nige Rockett: Isso é incrível, obrigado! Sim, é muito perigoso hahaha... e eu sou meu maior crítico, se eu não achasse que essas versões eram tão boas quanto as faixas originais, não teríamos feito o lançamento. Ainda capturamos toda a vibe original e adicionamos um pouco mais de brutalidade e raiva, estamos super felizes com o resultado. Acho que fazer grande parte do trabalho no Brasil, no ‘Tellus Studios’ (Rio de Janeiro), foi uma grande decisão para fazer este álbum soar ótimo, os caras de lá são super legais e mixaram o álbum no estilo antigo ‘analógico’, fiquei impressionado quando ouvi as mixagens que eles fizeram!
Rebel Rock: Li em uma entrevista recente que o plano inicial era regravar o álbum "Power from Hell" para celebrar seu 40º aniversário. O que aconteceu no caminho que fez você mudar de ideia?
Nige Rockett: Conversei com algumas pessoas importantes da indústria musical/amigos que eu respeito muito e eles na verdade consideram 'Power from Hell' como um dos álbuns mais influentes de todos os tempos. Eles nos imploraram para não regravar o álbum inteiro, acharam que não era mais uma ideia original, já que muitas bandas fazem regravações completas de álbuns para celebrar aniversários, etc. Isso me fez pensar bastante e sair da caixa, e então percebi que eles estavam certos. Decidimos então fazer algo muito mais interessante e empolgante para os fãs...
Rebel Rock: Existe a possibilidade de fazer um show comemorativo para "Power from Hell", tocando-o na íntegra e depois lançá-lo? Acredito que seria uma maneira incrível de celebrar 40 anos de uma obra tão importante para o underground mundial.
Nige Rockett: Estivemos fazendo turnê com o álbum "Power From Hell" durante todo o ano de 2025 e tem sido totalmente incrível, a resposta tem sido fantástica, com tantos shows esgotados. Ainda não há planos para lançar outro álbum ao vivo, especialmente porque ainda está tão próximo do lançamento de 'Origins'.
Nige Rockett
Rebel Rock: Por outro lado, apresentar várias músicas de 1982 a 1989 faz com que "Origins of Aggression" soe como um “Best Of” de luxo para os fãs. Funciona tanto para o público fiel, que recebe “uma nova versão de uma música antiga”, quanto para aqueles que estão ouvindo pela primeira vez, potencialmente revitalizando o catálogo antigo.
Nige Rockett: Você está absolutamente certo nisso e isso era parte do plano, temos uma geração completamente nova de fãs agora, então foi legal apresentá-los às raízes da banda e deixá-los ouvir o material mais antigo atualizado, com um nível de energia completamente novo.
Rebel Rock: Os fãs podem passar por uma gama de emoções ao ouvir as regravações, mas e você? Como foi a sensação de regravar esse material? Certamente trouxe algumas lembranças — bateu uma certa nostalgia dos velhos tempos?
Nige Rockett: Sim, foi muita diversão com certeza e as memórias voltaram com tudo... As regravações deram às faixas uma nova vida sonora e foi muito bom gravá-las e ouvir tudo se encaixando novamente, assim como acontecia todos aqueles anos atrás. Foi uma experiência surreal.
Rebel Rock: Músicas como “Metal Forces”, “Power from Hell”, “Fight With The Beast” e “Thrash Till the Death” se tornaram verdadeiros hinos. Como é tocar essas músicas hoje, sabendo que ajudaram a moldar gerações de fãs e bandas?
Nige Rockett: Sempre tocamos essas faixas como parte do show ao vivo, então agora as temos muito bem afinadas e soando tão perfeitas quanto podem ficar… Os fãs nunca nos perdoariam se não incluíssemos essas músicas no set, e nós nunca nos cansamos de tocá-las porque elas significam muito para as pessoas e para nós também, é claro.
Rebel Rock: Houve alguma música que você teria gostado de regravar, mas deixou de lado por algum motivo?
Nige Rockett: Acho que cobrimos praticamente tudo o que queríamos com as regravações, não queríamos dar muita ênfase a nenhum álbum em particular, apenas queríamos um equilíbrio bem legal no geral. Gosto de pensar que acertamos.. haha...
Rebel Rock: "Origins of Aggression" chegou às ruas apenas dois meses antes da morte de Ozzy, então é impossível não ouvir “War Pigs” como uma homenagem carregada de significado. O que Ozzy e o Black Sabbath representam para você?
Nige Rockett: O Sabbath sempre foi uma grande influência para o Onslaught, mesmo nos primeiros dias estávamos tocando "War Pigs" e "Symptom of the Universe", etc., nos ensaios; eles nos ensinaram muito sobre composição de músicas e estruturas de canções e, claro, como ser realmente pesado. Ozzy era simplesmente uma lenda, o rock star definitivo, mas também era muito pé no chão como pessoa e um cara muito engraçado.
Rebel Rock: Acredito que posso dizer que "Origins of Aggression" tem um pouco do Brasil, já que parte das gravações aconteceu no Rio de Janeiro. Como surgiu a escolha do Tellus Studio?
Nige Rockett: Quando viemos ao Brasil na última turnê, começamos pelo Rio, nosso gerente de turnê Rodrigo organizou um tempo de ensaio para nós e disse que também poderíamos fazer um vídeo promocional em 360º para divulgar a turnê no estúdio. O estúdio acabou sendo o Tellus Studios! Uau, que lugar incrível! E os equipamentos eram sensacionais, tivemos uma sessão muito legal lá e depois ficamos com os caras bebendo cerveja ao redor da piscina do estúdio durante a noite… Quando saímos, os caras muito gentilmente nos ofereceram a chance de voltar e fazer algumas gravações/mixagens se quiséssemos, claro que aceitamos 100%! Acho que fazer grande parte do trabalho de ‘Origins’ no ‘Tellus Studio’ foi uma decisão fundamental para fazer este álbum soar ótimo, os caras lá são super legais e mixaram o álbum no estilo old school ‘analógico’, fiquei impressionado quando ouvi as mixagens que fizeram! Queríamos capturar aquela vibe agressiva brasileira no disco e acho que é exatamente isso que conseguimos…
Rebel Rock: A primeira vez da banda no Brasil foi em 2009. Que lembranças você tem desses primeiros shows?
Nige Rockett: Tantas lembranças incríveis, foi uma turnê inacreditável! O promoter Silvio - ‘Open the Road Agency’ foi fantástico e se certificou de que tivéssemos muitos dias livres para aproveitar o Brasil e todos os outros países incríveis que visitamos na América Latina. Fomos muito bem tratados, fizemos alguns shows insanos e conhecemos pessoas fantásticas, definitivamente foi uma das nossas turnês favoritas de todos os tempos. Manaus foi um dos meus lugares favoritos, que lugar insano! A atmosfera na cidade estava elétrica... É uma pena que a polícia tenha encerrado o show depois de 30 minutos… estava por volta de 40 graus e Jeff desmaiou no palco…
Rebel Rock: Em alguns meses, o Onslaught estará se apresentando no festival Bangers Open Air em São Paulo. O que o público pode esperar da banda em termos de setlist? Talvez o álbum "Origins of Aggression" na íntegra?
Nige Rockett: Como 2025 foi o 40º aniversário de 'Power From Hell' e 2026 será o 40º aniversário de 'The Force', vamos apresentar um set muito especial chamado 'The Force from Hell', com as melhores faixas desses dois álbuns e, se tivermos tempo, vamos incluir alguns outros clássicos old school para aumentar a violência...
Rebel Rock: Finalmente, se você pudesse definir Onslaught em uma frase curta, qual seria?
Nige Rockett: O dicionário inglês descreve a palavra 'Onslaught' como 'Um Ataque Furioso'. Acho que isso nos descreve perfeitamente!
Rebel Rock: Obrigado pela entrevista, estarei no festival para assistir vocês. Até breve, Nige.
Nige Rockett: O prazer é meu, mano, obrigado! Espero te ver lá... VEJO TODOS VOCÊS NO ‘BANGERS OPEN AIR’…. !!!!

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