quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

OMNIUM GATHERUM - MAY THE BRIDGES WE BURN THE LIGHT WAY (2025)

 


OMNIUM GATHERUM
MAY THE BRIDGES WE BURN THE LIGHT WAY
Shinigami Records/Century Media - Nacional

Trinta anos de estrada não são pouca coisa. E, ao invés de soar cansado ou repetitivo, o Omnium Gatherum soa confortável na própria pele. Seguro. Confiante. Depois de flertar mais abertamente com estruturas progressivas em fases anteriores da carreira, os finlandeses parecem ter encontrado aqui um ponto de equilíbrio quase definitivo em “May the Bridges We Burn Light the Way”. O disco não tenta reinventar o death metal melódico, mas também não se limita a repetir fórmulas. Ele trabalha dentro do molde — e o faz com precisão.

A faixa-título funciona como um portal. Não é uma introdução orquestral genérica; é uma preparação direta, com riffs já carregados de intenção. Quando “My Pain” entra, o álbum revela sua verdadeira proposta: peso com propósito. Riffs afiados, bateria pulsando com energia renovada e aquela alternância vocal que se tornou uma das marcas da banda.
Jukka Pelkonen é o eixo central com seus guturais encorpados e cheios de identidade. Mas é impossível não destacar Markus Vanhala nos vocais limpos — eles não servem apenas ao refrão; surgem em momentos inesperados, quebrando previsibilidade e dando novos horizontes às músicas.

Como guitarrista, Vanhala também está em estado de graça. Sua guitarra é hipnótica e densa, sem soar artificial, e os solos — abundantes — nunca parecem exibicionismo gratuito. Há ecos de heavy metal clássico em certas passagens, especialmente em “Walking Ghost Phase”, que carrega uma aura quase espacial, como se fosse trilha sonora de uma epopeia oitentista filtrada pela melancolia finlandesa.
A base instrumental sustenta tudo com competência e sensibilidade. Atte Pesonen injeta velocidade e vitalidade na bateria, com bumbo duplo e viradas técnicas, mas curiosamente sem soar excessivo, no ponto certo. E isso é uma escolha inteligente: o peso do álbum vem da construção das músicas, não da brutalidade automática. O baixo cumpre seu papel no groove, enquanto os teclados de Aapo Koivisto optam mais pela ambientação do que pelo protagonismo — criando atmosfera sem disputar espaço com as guitarras.

“The Darkest City” é provavelmente o momento mais grandioso do disco. Longa, dinâmica e emocionalmente carregada, ela mostra a banda explorando nuances: começa vibrante, quase triunfante, e termina mergulhando em camadas mais densas, culminando em um solo incendiário que sintetiza o espírito do álbum. Já faixas como “Ignite the Flame” e “Barricades” equilibram agressividade e melodia com naturalidade impressionante. “Streets of Rage” flerta com uma melodia que pode soar um pouco óbvia, e a instrumental “Road Closed Ahead” encerra o álbum de forma mais contemplativa do que explosiva. É o tipo de música que mostra por que o Omnium Gatherum não é apenas “mais uma banda finlandesa de death metal melódico”.

Talvez o maior mérito de May the Bridges We Burn Light the Way seja não tentar soar jovem. É soar experiente. Maduro. Uma banda que entende que peso também pode ser elegante, que melodia não precisa ser fraqueza e que intensidade não é sinônimo de velocidade desenfreada.

William Ribas




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