DARK DIMENSIONS FEST II
FORBIDDEN
VIO-LENCE
VENOM INC
NEW DEMOCRACY
08/02/2026
BURNING HOUSE - SÃO PAULO/SP
FORBIDDEN
VIO-LENCE
VENOM INC
NEW DEMOCRACY
08/02/2026
BURNING HOUSE - SÃO PAULO/SP
Produção: Dark Dimensions
Assessoria: JZ Press
Texto e fotos: Fernando Aguiar
Em pleno domingo (08/02) e às vésperas do carnaval em São Paulo, tivemos uma tarde/noite memorável, praticamente um ode aos amantes do metal extremo. O Dark Dimensions Fest II, em parceria com a Dark Dimensions e a JZ Press Assessoria, trouxe o bloco do metal para uma casa diferente este ano: a Burning House. O local rapidamente se transformou em um verdadeiro caldeirão de energia, peso, fúria e caos (exatamente do jeito que um headbanger sedento gosta).
A abertura da casa, prevista para as 14h, acabou acontecendo por volta das 16h devido a um imprevisto de logística (nada que realmente atrapalhasse o rolê). Pelo contrário: nesse intervalo, a galera foi chegando sem pressa, colocando a conversa em dia, tomando aquela cerveja gelada e curtindo o som que rolava no Gaz Burning. Por lá, uma banda de rockabilly mandava muito bem e criou o clima perfeito para aquecer os motores antes da maratona de peso e brutalidade que viria pela frente.
E para abrir os trabalhos, tivemos o Brasil representado pelos mineiros do New Democracy, com seu death metal melódico, que despertou atenção de muitos dos presentes e para surpresa de todos, ainda trouxeram algumas participações especiais, como Iara Villaça (Alestorm Tribute) e Fábio Seterval (Exodus Tribute), mostrando que as escolhas foram certeiras, pois ambos contribuíram muito ao som e a performance da banda.
No set do New Democracy, faixas como “Zumbi”, “Born To Suffer”, “Nothing And Everything”, “Unexpected Projection”, “Modernization” e “Creation Of My Sin” deram o tom de um show intenso e cheio de identidade. A banda mostrou firmeza no palco, entrosamento e uma presença segura, mas o que realmente me chamou atenção foi a carga emocional das músicas, possuindo letras bem interessantes, que transitam entre críticas sociais e reflexões pessoais. Tudo isso embalado por riffs pesados e uma energia muito forte por parte da banda.
O público ainda estava naquele processo de aquecimento típico de começo de festival, meio observador, mas não demorou para a reação aparecer. Conforme o show avançava, já dava pra ver cabeças balançando em sincronia e uma galera se entregando ao som que saia dos PA’s. O New Democracy conseguiu conquistar a atenção de quem estava ali e mostrar que peso e conteúdo podem andar juntos.
Por volta das 17h, a temperatura do festival subiu de vez quando o Venom Inc. tomou o palco. A partir dali a sensação era de que a parada tinha começado a ficar séria de verdade. O trio britânico não precisou de muito tempo para dominar o ambiente, bastaram os primeiros riffs para a Burning House virar um inferno musical.
O set foi uma aula de metal extremo raiz. Quando as obrigatórias como “War”, “Inferno”, “Countess Bathory” e “Black Metal” apareceram, a reação do público foi instantânea. Era impossível ficar parado. O público respondeu com gritos, punhos erguidos e os primeiros moshs mais sérios da noite começando a ganhar forma.
O que chamou a atenção no Venom Inc. é como eles equilibram peso com proximidade. Não é aquela banda distante no palco, existe troca o tempo todo. Em vários momentos eles brincaram com a plateia, distribuíram palhetas e criaram um clima de celebração coletiva. Teve até Jack Daniel’s circulando entre palco e pista, num daqueles momentos que viram história pra quem estava mais próximo do palco. E para este que vos escreve, este momento se tornou mais especial ainda, pois tive a honra de compartilhar o “néctar” com Dolan e outros fãs que estavam próximos, que momento!
A apresentação teve também seus respiros instrumentais, com solos que mostraram que, além da atitude, há muita musicalidade ali. “In Nomine Sathanas” foi um dos grandes picos do show, cantada quase em uníssono pela casa e quanto apareceram outras, igualmente clássicas, como “Bloodlust”, “Blackened Priest”, “Time To Die” e “Sons Of Satan”, o clima ficou ainda mais carregado, deixando ainda mais o ar de que todos estavam diante de um verdadeiro ritual ocultista.
Visualmente, o cenário ajudava a compor a atmosfera, ainda mais com a imagem de (Deus) Lemmy ao fundo em uma bela homenagem às origens do som pesado. No fim das contas, o Venom Inc. entregou exatamente o que se espera de veteranos desse calibre: som alto, pesado, presença forte, cativante e uma conexão genuína com quem estava ali. Foi aquele tipo de show que não depende de produção mirabolante, é simplesmente atitude, história, o volume mais alto possível e o caos ta feito.
Quando o relógio se aproximava das 19h, veio aquele momento em que o festival dá uma virada de chave. O Vio-Lence entrou em cena e, dali em diante meus amigos, o que vimos foi uma aula de caos e thrash metal e que alcançou níveis insanos. Se antes o público já estava animado, agora a pista virou território de guerra: rodas abrindo sem parar, crowd surf rolando (inclusive este que vos escreve) e aquela atenção redobrada pra não ser surpreendido por algum movimento mais empolgado da galera.
A entrada da banda já mudou o clima da casa. Existia uma “tensão” boa no ar, de expectativa mesmo. Sean Killian é um frontman que naturalmente puxa o foco pra si (não por exagero, mas pela postura e pela forma como conduz o show). Ele fazia questão de contato direto com quem estava mais próximo do palco, cumprimentando fãs e mantendo uma troca constante de energia.
O detalhe curioso era como ele segurava a atenção da casa inteira com naturalidade. A camisa laranja acabava virando um ponto de referência no palco, mas o que realmente prendia o olhar era a entrega. Ele conduziu o público como quem guia uma multidão numa catarse coletiva, e a resposta vinha na mesma intensidade. Um dos momentos mais legais foi quando a banda recebeu uma bandeira do Brasil com a arte de Eternal Nightmare. Eles exibiram com orgulho e, ao final, Sean guardou a bandeira com cuidado, um gesto que parece simples, mas que mostra total respeito por quem acompanha a banda por aqui.
Musicalmente, o show foi direto ao ponto. Abrir com “Eternal Nightmare” já colocou todo mundo no modo thrash ativado. Na sequência vieram “Serial Killer”, “I Profit” e “Officer Nice”, mantendo o nível lá em cima. “Phobophobia” virou praticamente um coral coletivo, com a galera berrando cada verso.
O repertório ainda contou com “Kill on Command”, “Calling in the Coroner”, “Bodies on Bodies”, “Upon the Cross” e o fechamento com “World in a World”, encerrando o set de forma esmagadora. O som era seco, agressivo e sem rodeios, exatamente como o thrash da Bay Area pede.
E este show foi o último da turnê sul-americana e dá pra dizer, com certeza absoluta, que se despediram em grande estilo. Quem estava ali certamente saiu com a sensação de ter visto um show daqueles que ficam na memória.
Pontualmente às 20h30 chegou a vez dos anfitriões da noite. O Forbidden tinha uma missão nada simples: manter o nível caótico deixado pelo Vio-Lence. Mas estamos falando de um dos gigantes do thrash bay area e eles não só mantiveram a chama acesa como jogaram mais querosene ainda onde já estava pegando fogo.
Desde os primeiros minutos já dava pra perceber que o fechamento seria à altura. Carismáticos, soltos e claramente curtindo o momento, os músicos dominaram o palco com naturalidade. A resposta da plateia veio na mesma medida: rodas abrindo sem parar, gente cantando a plenos pulmões e uma pista que já não conhecia mais a palavra “calma”. Na maioria das músicas, larguei o papel de observador e acabei entrando nas rodas, simplesmente porque não dava pra ficar parado diante daquele turbilhão de riffs e energia.
Se existia uma forma melhor de terminar o domingo, naquele momento eu realmente desconhecia.
Durante o show, baquetas e palhetas voavam em direção ao público, que se dividia entre prestar atenção em cada detalhe e garantir uma lembrança física da noite. Uma bandeira com os integrantes do Forbidden em versão “South Park” apareceu aberta na pista (que também ajudei a segurar) e arrancou aplausos da banda, mostrando mais uma vez a proximidade entre banda e a galera.
Essa conexão ficou evidente o tempo todo. Os músicos frequentemente se aproximavam para cumprimentar o público e agradecer. E aqui vai mais um elogio a Burning House, que facilita esse contato mais direto com as bandas.
O repertório veio carregado de momentos marcantes e calcados nos clássicos Forbiden Evil e Twisted Into Form. “Infinite”, “Out of Body”, “March Into Fire” e “Twisted into Form” mantiveram o nível altissimo. Quando entraram “Forbidden Evil”, “Divided by Zero”, a casa já estava completamente entregue, mas foi em “Step by Step” o ponto mais alto do show, onde a galera cantou, agitou, fez roda e stage down insanamente (e eu novamente estava no meio desse caos todo ). O encerramento veio com “R.I.P.”, “Through Eyes of Glass” e “Chalice of Blood”, que também foi cantada em uníssono e que (infelizmente) colocou um ponto final na noite.
O Dark Dimensions Fest II foi, sem dúvida alguma, melhor que a primeira edição (que também estive presente), principalmente pela aula de Thrash Metal que tivemos a oportunidade de presenciar, fora a celebração de outras vertentes mais agressivas do metal. Mais do que isso, foi lindo ver gerações diferentes dividindo o mesmo espaço, se apoiando nas rodas, cantando juntas e mostrando que a cena segue viva. A galera mais jovem e veteranos lado a lado, unidos pelo mesmo amor ao som pesado. O saldo é de uma tarde/noite é que acabou entrando na lista dos shows mais memoráveis que presenciei em mais de 25 anos comparecendo em shows. Público, bandas, casa e produção contribuíram para que o evento tivesse clima de ocasião especial. Grandes nomes no palco com um objetivo simples e poderoso: entregar a melhor experiência sonora possível.
E não poderia finalizar essa resenha sem antes agradecer novamente a Dark Dimensions, JZ Press, especialmente a Burning House (de meus amigos Denise e Bruno) pela organização de um evento desse calibre. Afinal, foi uma daquelas datas que reforçam porque o metal continua sendo mais que música. E depois de vários giros no mosh, stage down e muita cantoria, fica a certeza: foi vivido da forma que um festival desses merece.















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