quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

ORBIT CULTURE - DEATH ABOVE LIFE (2025)

 


ORBIT CULTURE
DEATH ABOVE LIFE
Shinigami Records/Century Media - Nacional

A ascensão do Orbit Culture nunca foi acidental. Disco após disco, o quarteto sueco foi expandindo sua linguagem, refinando o peso, engrossando as camadas e ampliando a ambição. Com Death Above Life, quinto trabalho de estúdio, essa escalada atinge um novo patamar. Não se trata apenas de um passo à frente — é a consolidação de uma identidade que finalmente soa do tamanho da ambição da banda.

Se "Descent" (2023) trouxe riffs inspirados, mas sofreu com uma mixagem excessivamente comprimida e sufocante, aqui o grupo aprende com os próprios excessos. A densidade continua presente — e como continua — porém agora existe foco. O som ainda é uma muralha, mas uma muralha arquitetada com precisão. Cada camada encontra seu espaço dentro do caos. O impacto permanece brutal, só que mais inteligível, mais estratégico.

Musicalmente, "Death Above Life" é a síntese definitiva do que o Orbit Culture construiu até aqui. O peso cortante do deathcore, o groove quase mecânico, colidem com a herança do thrash dos anos 90 e a melancolia melódica do death metal sueco. A agressividade nunca sacrifica o senso de refrão — pelo contrário, eleva um degrau acima. É metal de escala monumental, com potência, mas ainda enraizado na herança visceral do underground.

A abertura com “Inferna” já estabelece o tom: riffs como fossem motoserra, bateria pulsando como engrenagens industriais e um refrão que cresce com imponência cinematográfica. A influência de trilhas épicas, trazem uma textura atmosférica que ampliam o drama sem diluir o peso. O vocalista Niklas Karlsson assume o centro dessa tempestade sonora com segurança. Seus guturais estão mais ferozes do que nunca, sangrando tímpanos com autoridade. Já os vocais limpos — cada vez mais proeminentes — graves, ásperos, carregados de personalidade. Em muitos momentos, essa escolha adiciona humanidade e melancolia às composições.

Quando a banda opta pela violência direta, o resultado é destruidor. “Bloodhound” e a faixa-título dispensam concessões: grooves massivos, ritmos sincopados que lembram Slipknot, riffs que esmagam como patadas de mamutes. Aqui, o Orbit Culture soa absolutamente confiante, técnico e impiedoso. São momentos em que o quarteto parece operar em capacidade máxima.
Mas o disco não vive apenas de brutalidade. “Hydra” carrega um peso industrial sufocante, com pausas calculadas e breakdowns prontos para incendiar os shows. “The Tales of War” e “The Storm” exploram construções atmosféricas que alternam tensão e liberação com eficiência cinematográfica. Já “The Path I Walk” mergulha em uma introdução mais introspectiva antes de crescer em intensidade, mostrando que a banda entende a importância de dinâmica e respiração.

Em suma, Death Above Life é, sem rodeios, o trabalho definitivo do Orbit Culture até o momento. É um disco sombrio, denso e tecnicamente irrepreensível que consolida a posição do grupo ao lado de gigantes.

William Ribas




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