quinta-feira, 26 de setembro de 2024

TROYEN - UNFINISHED BUSINESS (2024)

 


TROYEN
UNFINISHED BUSINESS
Classic Metal Records - Nacional

Formado em 1981, dentro da New Wave of British Heavy Metal, o TROYEN acabou encerrando suas atividades um ano depois, em 1982, mas não sem antes lançar duas demos e atingir o status de "cult" entre os fãs do estilo. Lançando várias coletâneas, EP's e singles desde 2015, o grupo lançou em 2021 seu primeiro full lenght, "Falling Off the Edge of Forever", muito bem recebido, tendo atingido o termo "clássico" para muitos. Agora em 2024, a banda retorna com UNFINISHED BUSINESS (nome bastante sugestivo) que tem seu lançamento através da Classic Metal Records, mostrando que o Heavy Metal segue sendo o norte do quinteto. 

Paul Ward (vocal), Simon Lind (guitarra), Steve McGuire (guitarra), Mark Notley (baixo) e Jeff Baddley (batreria), nos trazem 11 faixas onde a atmosfera da NWOBHM está mais viva do que nunca. Impossível passar batido pela sonoridade do quinteto, que nos transporta para aquela época mágica, onde surgiam bandas que traziam a paixão pelo heavy metal/hard rock em suas composições. Com uma produção que manteve intacta a veia 80's do grupo, mesmo que possa soar datado em certos momentos, acredito que tenha sido essa a intenção, mostrando à todos que aqui não há espaço para "modernidade", invencionices ou coisas similares que possam distorcer o metal característico da banda.

"The Man I Used to Be" abre o álbum com aquela pegada tipicamente oitentista, qual seja, veloz, intensa e pesada. Lembrando os grandes nomes do estilo, contemporâneos do grupo como Iron Maiden, Saxon, Angel Witch, entre outros, o TROYEN mantém acesas a chama e a atmosfera daquele período. Já "Twist of Fate" tem uma linha mais Hard, que caem muito bem nos vocais de Paul Ward. "Hoax", rápida e com as guitarras de Lind e McGuire guiando a composição é um daqueles momento que nos transporta para um pub esfumaçado e como aqueles cartazes cheio de anúncios de shows, como era o lendário "Cart & Horses" (que, infelizmente, vi apenas pelos documentários existentes). sabe aquele baixo e bateria cavalgados? É isso que encontramos em "On the Outside (Don't Go)", um dos grandes momentos do álbum. A longa "(recurring) Nightmare", traz um clima introspectivo e intimista em seu início, ganhando uma intensidade crescente ao longo de sua execução.

"Darkness Within", puramente Hard, antecede "It Wasn't Just Me", uma bonita balada, com um belo solo de Steve McGuire. A rocker "No Resistance at All" mostra que as influências do grupo vêm de muito longe, indo do rock clássico de nomes ao blues, o que fica um pouco mais evidente em "Bourbon & Shame". Mas que fica claro, falo de influência, não que a faixa seja diretamente uma referência ao estilo que consagrou nomes como Buddy Guy, B.B. King, entre outros. "Hold On" e "Into the Fire", fecham o trabalho com uma ótima impressão.

UNFINISHED BUSINESS é um belo trabalho e vai agradar em cheio os fãs da New Wave of British Heavy Metal. A Classic Metal Records acerta, mais uma vez, lançando por aqui o segundo álbum do TROYEN. Que a banda tenha, ainda, muitos "negócios inacabados" para nos apresentar...

Sergiomar Menezes







MARENNA - TEN YEARS AFTER (2024)

 


MARENNA
TEN YEARS AFTER
Classic Metal Records - Nacional

10 anos de carreira nadando contra a maré é algo a ser muito comemorado. E como fazer isso? Fazendo aquilo que se sabe de melhor. E foi exatamente essa a maneira encontrada pelo MARENNA de celebrar uma década de trabalho e luta, levantando a banda do rock, mas principalmente, da boa música. TEN YEARS AFTER é um álbum ao vivo, que traz ainda, duas faixas gravadas especialmente pra esse trabalho, mostrando um grupo coeso, entrosado, e que sabe muito bem como transformar o feeling em música. E o palco é o local perfeito para entender isso, pois quem já teve a oportunidade (e privilégio) de assistir uma apresentação do quinteto, sabe bem do que estou falando. 

Rod Marenna (vocais), Edu Lersch (guitarra), Bife (baixo), Luks Diesel (teclados) e Arthur Schavinski (bateria), formam hoje uma das bandas mais interessantes do país, uma vez que como poucas conseguem aliar técnica e classe, sem perder a categoria. Músicos experientes (exceção feita á Edu que fez seu primeiro show com o próprio grupo, mas que não deve nada a muito "guitar hero" por aí) que se uniram em prol da música, em especial do Hard Rock. O resultado disso é que durante a turnê do seu mais recente trabalho de estúdio, o excelente "VOYAGER", lançado em 2022, o quinteto gravou dez faixas ao vivo , onde tudo aquilo que já foi falado se enquadra com perfeição. E se levarmos em consideração os problemas sérios de saúde pelos quais Rod passava nesse período, o trabalho ganha ainda mais brilho. As dez faixas ao vivo foram produzidas, mixadas e masterizadas no Estúdio Linha Sonora, em Caxias do Sul, pelo produtor Jonas Godoy, colaborador em álbuns anteriores da banda. Lançado mundialmente pela Classic Metal Records, o álbum conta com a direção de arte de João Duarte, o que resultou numa das capas mais bonitas lançadas esse ano. Mas vamos ao que interessa: as faixas gravadas ao vivo. E que faixas!

Trazendo uma verdadeira coletânea de faixas gravadas ao longo desses dez anos, o álbum abre com "Voyager", onde já podemos perceber a entrega total da banda à apresentação, em especial de Rod, que se o Brasil fosse um país sério, teria maior reconhecimento, ainda mais quando nomes de qualidade técnica bastante duvidosa, são chamados de "cantores". "Never Surrender" vem na sequência, mostrando aquela pegada Hard/Heavy bem característica, enquanto a "Pieces of Tomorrow", traz a classe do Hard/AOR, onde a dupla Edu/Luks mostra um entrosamento perfeito, dosando de forma correta peso e melodia, além do belo solo do guitarrista. "You Need to Believe", faixa perfeita, digna de figurar naqueles saudosos comerciais do Hollywood, é um dos grandes momentos do show (como em todos os outros da banda). Uma síntese perfeita do estilo, com Rod destruindo nos vocais, enquanto Bife e Arthur, a cozinha encarregada de "pesar" a mão, assim o faz com maestria. "Wait", dona de um refrão e de uma linha de teclado muito bonitos vem na sequência, seguida de "Out of Line" e seu refrão grudento, mostram que músicas assim poderiam tocar tranquilamente nas rádios rock. Se existissem rádios Rock no Brasil...

"Breaking the Chains", outro momento com refrão grandioso, antecede "Gettin Higher", faixa que dosa bem peso e melodia. Too Young to Die" é o momento em que Arthur ganha destaque, seja pela pegada precisa, seja pelo peso da batida, enquanto a banda navega pela melodia durante a execução da composição. Pra encerrar o tracklist ao vivo, um dos grandes clássicos do grupo: "Had Enough", um daqueles momentos que percebemos que, por mais que tentem nos impôr modismos, a verdadeira música segue nos trazendo sentimentos reais. Ainda temos duas faixas inéditas. "How Long", um petardo Hard Rock em sua concepção e "Runaround", que abrange de forma direta todas a s características do grupo: peso, melodia e linhas vocais (incluindo os backing vocals, executados por todos os integrantes) muito bem estruturadas e arranjadas.

TEN YEARS AFTER não é apenas um álbum ao vivo de uma banda de Hard Rock. É a celebração de uma década de luta e batalhas em prol da música de qualidade, mostrando que é em cima do palco que o MARENNA tem seu habitat natural. Prestes a embarcar em uma turnê pelo velho mundo, o grupo merece um maior reconhecimento do público, não apenas dos fãs. Que venham mais dez anos, mais dez, mais dez...

Sergiomar Menezes





STRYPER - WHEN WE WERE KINGS (2024)

 


STRYPER
WHEN WE WERE KINGS
Shinigami Records - Nacional

Uma das grandes injustiças cometidas no mundo do Heavy Metal, é lembrar do Stryper como “aquela banda crente”, ou “aqueles caras de amarelo e preto que cantam sobre Jesus Cristo e afins”... Errado não está, mas esta “pecha” atribuída ao quarteto californiano encobre e pode afastar os preconceituosos que acham que apenas o diabo indica boa música.

Formado em 1980 pelo irmãos Michael e Robert Sweet, o auge e reconhecimento do Stryper ocorreu na mesma década com álbuns de sucesso como “Soldiers Under Command” (1986) e “To Hell With The Devil” (1987). Após um hiato de mais de uma década, o grupo retornou em 2005 e desde lá vem lançando álbuns e fazendo turnês sem parar. Nos últimos 11 anos, são seis álbuns, sempre com uma qualidade acima da média.

Este novo “When Were Were Kings” é a sequência lógica do último trabalho da banda, “Final Battle”, lançado em 2022. A abertura com a faixa “End Of Days” faz o fã e conhecedor do Stryper abrir um sorriso, pois é o som característico da banda. O ouvinte desavisado, pode pensar tratar-se de uma faixa perdida do Judas Priest. As guitarras gêmeas de Michael Sweet e OZ Fox são uma aula de riffs e solos de bom gosto.

“Unforgivable” e a faixa título com grandes andamentos convidam para o “headbanging”, muito pelo andamento solido construído pela “cozinha” Robert Sweet/Perry Richardson ( ex-baixista do Firehouse). Robert Sweet tem, desde sempre, um dos melhores timbres de bateria do Metal mundial, isso é incontestável, escute e comprove.

Outros destaques: “Trinity”, uma faixa que poderia tranquilamente estar nos três primeiros álbuns da banda, com riffs e solos grandiosos, sem falar no poderoso vocal de Michael Sweet, que deixa todas as composições ainda mais fortes. "Rhime of Time”, andamento mais cadenciado e com refrão “cante junto”, enquanto “Rapture Of The Time” vem cheia de groove, lembrando algo do Extreme.

No início deste 2024, o Stryper lançou o acústico “To Hell With The Amps”, e a música “Grateful”, apesar de não ser neste formato, se encaixaria muito bem nos shows acústicos que promoveram o trabalho citado. Fechando o álbum temos “Imperfect World”, uma excelente peça de Heavy Metal, que demonstra toda a categoria do Stryper, onde todos os músicos demonstram sua classe, desde a “intro” de bateria até os solos finais.

Enfim, o Stryper, como de costume, entrega um excelente trabalho com “When Were The Kings”. O lançamento nacional é da Shinigami Records, e é altamente recomendável para os fãs de Heavy & Hard.

José Henrique Godoy




terça-feira, 24 de setembro de 2024

THRESHOLD - PSYCHEDELICATESSEN (1994 - RELANÇAMENTO 2024)

 


THRESHOLD 
PSYCHEDELICATESSEN
Shinigami Records/Nuclear Blast - Nacional

O segundo álbum da banda de prog metal THRESHOLD traz duas diferenças básicas em relação ao seu álbum de estreia: a voz do vocalista Glynn Morgan e a crueza que foi ofuscada em seu antecessor. PSYCHEDELICATESSEN, lançado originalmente em 1994 e relançado agora, remasterizado e remixado, pela parceria Shinigami Records / Nuclear Blast Records, mostra uma banda mais pesada e direta, trazendo uma situação um tanto quanto inusitada, uma vez que a maioria dos grupos lança trabalhos com essas características em sua estreia, "evoluindo" no segundo álbum. No entanto, não pense que a técnica, versatilidade e qualidade dos ingleses ficaram de lado, pois o CD nos mostra uma banda afiada e em sintonia, e nessa versão, temos 4 faixas bônus, como podemos conferir em seguida.

Composta à época pelo já citado Morgan, Karl Groom (guitarra), Nick Midson (guitarra), Jon Jeary (baixo), Nick Harradence (bateria) e Richard West (teclados), a banda sofreu sua principal mudança nos vocais, pois Damian Wilson se mostrava (e ainda se mostra) um vocalista mais técnico e versátil. Morgan, por sua vez, tem características diversas, trazendo por vezes, mais agressividade em algumas passagens. Mantendo a veia prog metal em alta, mas com classe e energia, o grupo traz 13 faixas (9 em sua versão original) que fazem com a peça se torna obrigatória aos fãs do sexteto. Gravado em Berkshire, Inglaterra, entre julho e setembro de 1994, PSYCHEDELICATESSEN é um álbum que mostrava um novo caminho sendo trilhado pela banda.

Abrindo com a pesada e "suja" "Sunseeker", o THRESHOLD já nos mostra as diferenças vocais entre Morgan e Wilson (e este que vos fala, tem sua predileção pelo último), mas sem descaracterizar a energia presente na música da banda. O núcleo criativo formado por Groom e West seguiu intacto, mantendo a identidade do sexteto. "A Tension of Souls", uma música que poderia estar em algum álbum do Paradise Lost, vem na sequência, arrastada e com linhas de guitarra bem intensas. "Into the Light", com seus mais de 9 minutos é uma faixa mais suave e melódica, com suas mudanças de andamento, enquanto o peso e a quebradeira de "Will to Give" vem em seguida, antecedendo a "cura" "Under the Sun", com o piano de West conduzindo a bela melodia. A Versão regular traz ainda "Babylon Rising" e "He is I Am", duas faixas com todas as características do prog metal, quais sejam, pesadas, com mudanças de andamento e muita qualidade em suas execuções, bem como "Innocent"  e "Devoted", sendo essa última, pesada e bastante intensa.

Como bônus, temos as faixas "Lost", melódica e trazendo um belo dueto entre os teclados de West e o violão de Groom, "Intervention", com seus 8 minutos, "Fist of Tongues", a faixa mais Heavy Metal da carreira do grupo até este momento, e na minha opinião, a melhor faixa do trabalho e "Half Way Home", com seu clima intimista e ao mesmo tempo livre, dona de uma bela melodia.

PSYCHEDELICATESSEN traz o THRESHOLD num momento de transição, principalmente pela troca de vocalista, ainda que Glynn Morgan já estivesse excursionando com o grupo, desde a saída de Damian Wilson. Um trabalho que se mostra interessante e indispensável àqueles que curtem a sonoridade do sexteto inglês.

Sergiomar Menezes




KTROCK - ARAÚJO VIANNA - 14/09/2024 - PORTO ALEGRE/RS

 



KTROCK

WANDER WILDNER
DEFALLA
ROSA TATTOOADA
GRAFORRÉIA XILARMÔNICA
CARLINHOS CARNEIRO
TNT

ARAÚJO VIANNA
14/09/2024
PORTO ALEGRE/RS

PRODUÇÃO: KTO
ASSESSORIA: OPINIÃO PRODUTORA

TEXTO: SERGIOMAR MENEZES
FOTOS: JOSÉ HENRIQUE GODOY


KTROCK - A CELEBRAÇÃO DO ROCK "GAÚCHO"

A segunda edição do KTROCK, festival que reúne grandes bandas do "Rock Gaúcho", aconteceu no dia 14 de setembro, e depois de dias nublados recheados pela fumaça das queimadas (alguém tem notícia dos artistas da música "Salvem a Amazônia"?), o sol resolveu dar as caras e transformar a data num dia ainda mais especial, que se consolidou com a confirmação da presença da atração "surpresa" (que não era mais tão surpresa assim desde a sexta-feira...).

O local escolhido, foi mais uma vez, o clássico Auditório Araújo Vianna, um verdadeiro ícone da cultura porto-alegrense e gaúcha, palco de inúmeras apresentações históricas, situado na Osvaldo Aranha, no Parque Farroupilha (entendedores entenderão).

O público, que foi aumentando com o decorrer da tarde, mesmo que não tenha sido aquele que um festival dessa importância merecia, acabou primando mais pela qualidade, pois cantou praticamente todas as músicas com todas as bandas, mostrando que aquele "bairrismo" gaúcho acaba mantendo acesa a chama desse estilo tão caro aos seus admiradores.


Passavam poucos minutos das 16h (horário previsto para os shows), quando Lelê Bortholacci (comunicador das rádios Atlântida e 102.3 FM), apresentador oficial do evento, anunciou a primeira atração, a lenda do punk gaúcho WANDER WILDNER.

Um alegre e carismático Wander, adentrou o palco acompanhado de uma excelente banda, para trazer inúmeros clássicos de sua carreira solo e alguns covers que abrilhantaram ainda mais sua apresentação. Vestindo um terno azul claro a lá Graham Bonnet, Wander sabe como poucos conduzir um show, tendo o público em suas mãos do início ao fim. "Ritmo da Vida", "Bebendo Vinho", "Eu Tenho uma Camiseta Escrita Eu Te Amo",  covers como "Lugar do Caralho" (Júpiter Maçã), "Candy" (Iggy Pop) e "Sangue Latino" (Secos e Molhados), foram alguns dos grandes momentos do show.

No entanto, Wander também trouxe suas "surpresas": "Jesus Cristo Vai Voltar", lembrando os bons tempos da Sangue Sujo, e a participação de Jimi Joe, que enfrenta problemas de saúde, mas protagonizou o momento mais bonito e emocionante do festival, tocando guitarra em uma faixa e fazendo backing vocal em outra. Jimi foi locutor da falecida Rádio Ipanema, além de ter participado da banda de Wander durante muitos anos, inclusive na gravação do Acústico MTV Bandas Gaúchas. Pra fechar o show, "Redemption Song" de Bob Marley, numa versão bem pessoal, transformada em "Canção Iluminada". Um abertura de evento grandiosa!



Depois de um curto intervalo para a troca de equipamento, era chegada a vez da mais irreverente, polêmica e maluca banda gaúcha: DEFALLA! Com sua formação clássica, Edu K (vocal), Castor (guitarra), Fornazzo (guitarra), Flu (baixo) e Biba Meira (bateria), o grupo mostrou que os 40 anos de estrada fazem a diferença. ainda que o show tenha demorado um pouco a engrenar. Talvez pelo público que ainda chegava, talvez pelo início mais introspectivo do show, a verdade é que quando faixas como "Repelente", "I Have to Sing a Song", "Wake of Jo" "Como Vovó Já Dizia" foram tocadas, o público interagiu de maneira mais direta com o grupo. 

Edu K, ainda que não se considere um integrante do "rock gaúcho", é sim, uma das figuras mais icônicas do estilo no Rio Grande do Sul. Com luvas de monstro, óculos que acendiam suas luzes, e uma tampa de vazo sanitário no pescoço, relembrando o que a saudosa Mari Mezzari disse no documentário da banda sobre as vestimentas de Edu no início dos anos 80 pela Osvaldo Aranha, o vocalista é um show a parte dentro da apresentação.

O grupo também trouxe uma participação especial: King Jim, do Garotos da Rua, outra lenda do rock gaúcho que se fez presente. Mas o mais curioso é que quando perguntado que músicas tocaria com o grupo, King apenas disse "não faço ideia"... Que coisa mais DeFalla que isso? "Não me Mande Flores", "It's Fucking Borin' to Death" e Popozuda Rock n' Roll" (se o AC/DC um dia fizesse um funk, não tenho dúvidas que seria assim) encerraram a apresentação que ganhou o público.



Após outo intervalo, era chegada a hora do, na minha modesta opinião, melhor show do festival em 2024: ROSA TATTOOADA! Prestes a completar 36 anos de estrada, Jacques Maciel (vocal e guitarra), Valdi DallaRosa (baixo e backing vocal) e Matt Thoffern (bateria), esbanjam classe e categoria, num Hard Rock totalmente seu, incorporando desde in fluências clássicas do estilo, mas sem perder a essência do rock praticado por aqui. Aliás, esse sempre foi um ponto que me pega: Se o Rosa fosse de outra região do país, seria reconhecido pelo Hard Rock ou pela sua localização? Melhor que ficar com esse questionamento é aproveitar a apresentação recheada de clássicos como "Na Estrada", "Um Milhão de Flores", "Carburador", Diamante Interestelar", "Voando Baixo", "Fora de Mim, Dentro de Você", "Rendez-Vouz" e tantos outros que fizeram e ainda fazem a alegria dos fãs da música pesada.

Assim, como nas apresentações anteriores, o grupo também resolveu trazer uma participação especial: Flávio Basso, também conhecido como Júpiter Maçã, veio espiritualmente engrandecer a execução de "Sob um Céu de Blues", clássico absoluto d'Os Cascavelletes e da nossa música, cantado por todos os presentes de forma uníssona. Um dos mais belos momentos do festival, engrandecendo ainda mais o show, que além de uma homenagem, também foi um agradecimento ao gênio indomável do rock gaúcho, responsável pela criação do Rosa, com já contado pelo próprio Jacques muitas vezes. A banda está afiadíssima, mas cabe destacar a presença de palco e pegada de Matt, que caiu como uma luva na banda, tocando como reza a cartilha do Hard, por vezes de pé, sempre sorrindo e fazendo aqueles "malabarismos" que todo batera que se preza guarda na manga.

Ainda tivemos "Tardes de Outono" e a mais que clássica "O Inferno vai ter que Esperar", música que catapultou a carreira da banda e foi composta por Thedy Correa do Nenhum de Nós, não aproveitada pelo grupo em questão e que foi dada ao Rosa de presente. Quem diria que o Nenhum de nós fez bem ao rock gaúcho? Ainda houve tempo pro vocalista homenagear sua esposa que estava de aniversário no dia, puxando um belo "Parabéns à Você" cantado por todos no Araújo Vianna. Senti falta de algumas faixas como "Rock n' Roll até Morrer", "Dólar na Calcinha", " Hard Rocker Old School", mas como o tempo era reduzido, fica pra uma próxima..



Então, era chegada a hora do show, ao menos para mim, mais aguardado do festival: GRAFORRÉIA XILARMÔNICA! O trio formado por Frank Jorge (baixo/vocal), Carlo Pianta (guitarra/vocal) e Alexandre Birck (bateria/vocal) é um dos mais cultuados na terra castigada pelas enchentes e ventos. O que dizer de seus integrantes, que fizeram e fazem parte da história do rock no Rio Grande do Sul? Juntos gravaram álbuns sensacionais, com destaque para os dois primeiros, Coisa do Louco II (1995), que só havia saído em CD, mas agora ganhou sua versão em vinil, e "Chapinhas de Ouro" (1998), fundamentais pra quem quer entender o que é o Rock Gaúcho...

Sem muito papo, o trio detonou faixas clássicas, tais como "Bagaceiro Chinelão", "Literatura Brasileira", "Patê", "Twist" (um verdadeiro primor), "Rancho", "Meus Dois Amigos", "Eu gostaria de Matar os Dois", "Eu", "Nunca Diga", "Benga Minueto", "Você foi Embora", entre tantas outras. Apesar de um problema ocorrido durante o show envolvendo o guitarrista Carlo Pianta, o show transcorreu de forma perfeita, culminando em duas faixas muito importantes: "Colégio Interno", primeira música do grupo a tocar na rádio, mas que ganhou "vida" apenas no segundo álbum, e um dos maiores hinos já criados no cancioneiro do rock: "Amigo Punk", faixa que, não é preciso dizer, foi cantado por todos, até mesmo pelos seguranças ali presentes.

E como disse o apresentador Lelê Bortholacci, todos nós atravessamos a Osvaldo Aranha e entramos no Parque Farroupilha...



O "último show", encarregado de fechar o show foi o do vocalista da Bidê ou Balde, CARLINHOS CARNEIRO, que vem fazendo suas apresentações celebrando os 25 anos da banda, que tem muito a cara de Porto Alegre. Se você duvida, me pergunte em qual show o público mais agitou, cantou as músicas e vibrou junto com o carismático vocalista, protagonista do momento mais polêmico e constrangedor do festival...

Trazendo as músicas que mais se destacaram na durante da banda, Carlinhos trouxe a participação de ex-integrantes, além de amigos e também, de Frank Jorge, numa verdadeira festa no palco do Araújo Vianna. "Melissa", "Buddy Holly", "Mesma Cidade", "Cores Bonitas", "Bromélias", "É Preciso dar Vazão aos Sentimentos", entre outras, foram cantadas por todos, mostrando que a escolha dele pra fechar o festival foi acertada. No entanto, o vocalista em determinado momento fez uma crítica/brincadeira ao patrocinador do evento que não soou nada legal, ainda mais tendo em vista toda a estrutura proporcionada ás bandas que ali tocaram. E não satisfeito, repetiu a dose pouco tempo depois. Desnecessário, ou como diria Sandra Annenberg, deselegante.

O Show terminou com "Mesmo que Mude", que fez o Araújo Vianna cantar, com Carlinhos descendo do palco, subindo nas cadeiras (que diga-se de passagem, passaram no teste), tirando selfies com o público e deixando sua marca irreverente na apresentação. Seria o final do festival, mas...



Lelê Bortholacci então volta ao palco e anuncia a "surpresa": a volta do TNT! Uma das maiores bandas do RS, está de volta! Foram apenas duas músicas, mas Charles Master (baixo e vocal), Tchê Gomes (guitarra e vocal), Márcio Petracco (guitarra), Paulo Arcari (bateria), Fabio Ly, mais conhecido por Musklinho (bateria) e João Maldonado (teclados), foram ovacionados e deixaram em todos os presentes aquele sentimento de nostalgia que será revivido dia 19 de dezembro no mesmo Araújo Vianna.

"Não Sei" e "Cachorro Louco" foram as faixas escolhidas para "reapresentar" o grupo ao público, e mostraram que os 21 anos sem tocar juntos parecem ter sido 21 segundos, tamanha a química da banda. Petracco era um dos mais felizes no palco, enquanto Charles Master brincou dizendo que o combinado era só uma música, mas como já estavam ali, sem ensaiar mesmo, iam tocar mais uma. Uma pequena amostra do que teremos no final do ano.



Saldo mais que positivo, o festival mostrou a força do rock e do povo gaúcho, que embora seja constantemente atingido por catástrofes, consegue se reerguer e mostrar suas façanhas a toda Terra.

Obrigado KTO e Opinião Produtora!