quarta-feira, 9 de outubro de 2024

BENEDICTION - KILLING MUSIC (2008 - RELANÇAMENTO 2024)

 


BENEDICTION
KILLING MUSIC (2008 - RELANÇAMENTO 2024)
Shinigami Records/ Nuclear Blast - Nacional

“Killing Music” é o sétimo trabalho editado pelo baluarte do Death Metal mundial, Benediction. Lançado em 2008, o álbum apresenta a banda no seu estado natural e fazendo o que de melhor praticava e o que os fez ser um dos expoentes do estilo: Death Metal agressivo, sem firulas e pesado.

Foram sete anos entre o lançamento de “Organized Chaos”, e a espera marcou uma diferença brutal. O retorno do Benediction ao som tradicional, sem grandes produções e composições mais intrincadas, e no lugar disso, a banda foca num Death Metal cru, aproximando-se por vezes do Punk, do Crust Punk e do Hardcore.

“Grey Man” inicia o trabalho após uma “Intro” curta, rápida e direta, com total destaque para o baterista Neil Hutton. “Controlopolis” segue a mesma linha. O álbum segue desta forma, crua e direta, onde é até possível ausência de solos, quando eles existem, são curtos e simples. Porém nada que afete o resultado final, e se encaixa perfeitamente a proposta.

Ao final do trabalho, temos dois covers: "Seeing Through My Eyes" (Broken Bones) e "Largactyl" (Amebix), duas versões para faixas de bandas punk /hardcore que atestam a influência do estilo ao trabalho do Benediction. Como convidados nestas faixas, temos Jock (GBH), Karl Willets (BOLT THROWER), Kelly Shaefer (ATHEIST), Billy Gould (FAITH NO MORE), The Fog (FROST).

Um bom álbum do Benediction, que se não é um clássico como “Transcend The Rubicon” ou “Subconcious Terror”, é um álbum que mantém a discografia do grupo em alto nível. Relançamento nacional pela Shinigami Records.

José Henrique Godoy




EVERGREY - THEORIES OF EMPTINESS (2024)

 


EVERGREY
THEORIES OF EMPTINESS
Shinigami Records/ Napalm Records - Nacional

Os mestres do Metal Progressivo sueco, estão de volta, desta vez com o lançamento de “Theories Of Emptiness”, o seu décimo quarto álbum. Formado a mais de trinta anos na cidade de Gotemburgo, na Suécia, conhecida por ser a terra do Death Metal Melódico, o Evergrey sempre se caracterizou por trabalhos com composições memoráveis, onde mescla o peso, melodia, melancolia e técnica, sempre sob o comando do vocalista/guitarrista/compositor Tom S. Englund.

E “Theories of Emptiness” não foge ao formato tradicional da banda, e ele segue musicalmente onde a banda parou, no álbum antecessor de 2022, "A Heartless Portrait (The Orphean Testament)" .Fica nítido que o novo trabalho se apresenta como uma continuação do que escutamos no trabalho anterior, porém ligeiramente com menos peso.

A abertura do álbum com “Falling from the Sun” é a sequência da terceira faixa “Ominous” do álbum anterior da banda. Ele inicia o disco com um ritmo acelerado e energético e riffs robustos. Com certeza se tornará uma das preferidas dos fãs e obviamente estará na tour que a banda fará para promover o lançamento.

Outros destaques, a seguinte “MISfortune”, poderosa e melódica, mais lenta e carregada de riffs e emoção. Falando em emoção, um dos pontos altos é a faixa “Cold Dreams”, onde conta com vocais convidados de Jonas Renkse, do Katatonia, e os backing vocals femininos adicionais da filha de Tom, Salina Englund. Os vocais limpos de ambos os cantores se alternam, dando uma atmosfera extremamente sombria, ao mesmo tempo que muito bonita. Provavelmente se tornará um clássico do Evergrey.

“Our Way Through Silence” tem uma diminuída no peso, e possui uma aura quase “radiofônica” e acessível, porém sem perder a classe e categoria. Destaque para os lindos solos de guitarra apresentados nesta faixa.

O Evergrey entrega aqui um dos melhores lançamentos do ano. E veja, quem está falando isso não é um aficcionado do estilo. O grupo ensina mais uma vez com “Theories of Emptiness”, que é possível fazer Prog Metal sem ter que ser chato, e nem fazer músicas que duram uma tarde inteira. Se você tem preconceito com o estilo, procure conhecer o Evergrey, e tranquilamente você pode começar com este novo trabalho. Lançamento nacional Shinigami Records.

José Henrique Godoy




POWERWOLF - PREACHERS OF THE NIGHT (2013 - RELANÇAMENTO 2024)


 

POWERWOLF
PREACHERS OF THE NIGHT
Shinigami Records/ Napalm Records - Nacional

O Powerwolf já tem 20 anos de estrada! Se há uma coisa que os fãs da banda não podem reclamar, é a de que a banda parece incansável e nunca parou de tocar, compor novas músicas e lançar coisas novas sempre ousando e vislumbrando coisas grandes.

Lançado em 2013, “Preachers of the Night” marcou a mudança de selo, saindo da Metal Blade e assinando com a Napalm Records onde permanecem até hoje, onde parecem ter toda a liberdade e autonomia para fazer sua música.

Faixas como “Amen & Attack” e “In the Name of God (Deul Lo Vult)” são uma espécie de resumo de tudo o que o Powerwolf se dispõe a tocar: Power Metal épico, pomposo, teatral e virtuoso. Outros destaques vão para: “Secrets of the Sacristy” (ouvir essa é como ouvir Helloween do final dos anos 90), a levemente progressiva “Sacred & Wild”, a rápida e pegajosa “Lust for Blood” e a épica a níveis estratosféricos que encerra o tracklist, “Last of the Living Dead” altamente indicada a fãs de Manowar, e que poderá causar sono ao fã mais desavisado, já que a Segunda metade da faixa, fica apenas naquele barulho de chuva, algo do tipo, “Raining Blood” do Slayer.

Apenas de se lamentar que a versão nacional aqui lançada não tenha nenhuma faixa bonus, e os brasileiros ficarão “apenas” com a versão standard do trabalho, um balde de água fria para colecionadores como é o caso deste redator. De qualquer forma, termos um trabalho original tão relevante e de uma banda que não para de crescer é um privilégio. Consigo imaginar o Powerwolf lançando daqui uns 20 anos, discos novos mantendo-se fiel às suas origens. Dá gosto ser fã da banda…

Mauro Antunes




terça-feira, 8 de outubro de 2024

RIOT V - MEAN STREETS (2024)

 


RIOT V
MEAN STREETS
Shinigami Records/Atomic Fire Records - Nacional

O Riot V existe como banda com um objetivo maior: manter vivo o legado de Mark Reale, guitarrista e mentor do Riot, banda de Nova Iorque, que existiu entre 1975 e 2012, com um sem-número de integrantes e formações diferentes, mantendo sempre Reale como capitão do navio. O grupo é dono de uma discografia bem longa e variada, indo do hard rock americano até beirar o Power Metal. Infelizmente Mark veio a falecer, em Janeiro de 2012, devido complicações da Doença de Chron.

Logo após o falecimento de Mark Reale, alguns membros da formação do Riot que gravou o clássico álbum “Thundersteel” (1988), mais precisamente falando, o baixista Don Van Stavern e o guitarrista Mike Flyntz, juntaram forças e começaram a compor material na mesma veia do Riot, e em 2014 retornaram com a banda rebatizada como Riot V.

“Mean Streets” é o terceiro álbum gravado com o nome Riot V, e o que temos neste trabalho é o mais puro Heavy Metal na linha do que o Riot fez de melhor. Deveria ter sido lançado em 2023, mas com um “delay” da gravadora, acabou ficando para este ano. Mas a demora se viu compensada, tendo em vista o ótimo nível deste trabalho. Junto aos já citados Stavern e Flyntz, temos no line-up deste álbum o excepcional vocalista Todd Michael Hall, Nick Lee na guitarra base e Frank Gilchriest na bateria.

A abertura do álbum com a faixa “Hail To The Warriors”, é épica e rápida, demonstrando toda a força do Riot V, enquanto a segunda faixa é um cover do Judas... calma... não, não é. Acontece que “Feel The Fire” é simplesmente IGUAL ao clássico “Grinder” do Judas Priest. A semelhança chega a ser constrangedora... Mas vá lá, vamos encarar como uma “homenagem” do Riot V à banda de Rob Halford.
Outros destaques vão para “Higher”, com seu jeitão de hino Heavy Metal, a própria faixa título, "Mean Streets” que ficou entre as minhas favoritas e as selvagens “Mortal Eyes” e “Lost Dreams”, duas músicas que acertam em cheio no quesito “metal até o talo”.

“Means Streets” é um ótimo lançamento, e no decorrer das doze faixas e cinquenta e dois minutos da audição, temos a certeza que o quinteto faz jus e mantém intacto o glorioso legado de Mark Reale. Lançamento nacional Shinigami Records.

José Henrique Godoy




EXODUS - LIVE AT DNA 2004 (OFFICIAL BOOTLEG) - (2005 - RELANÇAMENTO 2024)

 


EXODUS
LIVE AT DNA 2004 (OFFICIAL BOOTLEG)
Shinigami Records/Nuclear Blast - Nacional

Falar de EXODUS é falar de THRASH METAL. E vice versa. Não há o que se discutir, debater ou o que for. Talvez seja a banda que mais identifica e projeta o real do sentido do termo ao lado do Overkill. E em 2004, o mestre Steve "Zetro" Souza estava de volta ao grupo e assim, foi lançado "Tempo of the Damned", o álbum mais violento e desgraçado nos anos 2000. Podem comparar com outras bandas, mas a verdade é que aqui tínhamos um grupo que estava na ponta dos cascos, mesmo que muitas dessas faixas sejam sobras de estúdio, composições feitas para outras bandas, etc... E agora, com quase 20 anos de atraso (mas antes tarde do que nunca) a Shinigami Records em parceria com a Nuclear Blast, lança por aqui esse "Official Bootleg", gravado na festa de lançamento do já citado álbum, onde o próprio foi tocado praticamente na íntegra e que já rendeu lá fora, um lançamento duplo, além de muitas cópias do dvd com o show completo, onde mais músicas foram executadas. Assim, LIVE AT DNA 2004, é um registro de uma formação que respira e transpira thrash metal!

"Zetro" Souza (vocal), Gary Holt (guitarra), Rick Hunolt (guitarra), Jack Gibson (baixo) e Tom Hunting (bateria), formaram um dos line ups mais destruidores de todos os tempos, prova disso é a brutalidade  agressividade impressas em cada nota presente aqui. Embora venha numa bela embalagem digipack, o trabalho não traz encarte, informações relativas ao show, apenas o CD. E, talvez por se tratar de um "official bootleg", a qualidade sonora fica um pouco a desejar, pois soa mais crua que os ao vivo do grupo que conhecemos. Talvez por isso, essa sonoridade crua, deu ao álbum uma atmosfera crua e dinâmica, ainda que as guitarras soem abafadas em alguns momentos.

Como disse antes, essa versão lançado por aqui traz as faixas que compõem "Tempo of the Damned", exceção à "Impaler". Ou seja, temos a execução quase que completa de um dos clássicos lançados pela banda. Assim, desde o começo com "Scar Spangled Banner", onde a maior dupla de guitarristas do thrash metal mostra que ninguém criou riffs e solos tão destruidores como os "H-H", passando por outros petardos como "Blacklist" (que faixa, meus amigos... que faixa!), "Shroud of Urine", "War is My Sheppard" (outro coice violento na boca do estômago) e o final com a grandiosa faixa título, o álbum é um bom registro ao vivo, com as ressalvas já citadas.

Quem já assistiu a um show do EXODUS, sabe bem do que estou falando. E aqui, fica aquele gostinho de que poderia ter sido um pouquinho melhor, mas nem por isso, é um álbum pra passar despercebido. LIVE AT DNA 2004 é obrigatório aos fãs, principalmente por registrar ao vivo um dos melhores álbuns dos deuses do THRASH METAL!

Sergiomar Menezes