sexta-feira, 14 de abril de 2023

METALLICA - 72 SEASONS (2023)

 

METALLICA - 72 SEASONS (2023)
Blackened Records

Cada fã de música pesada tem a sua própria imagem do Metallica. Para muitos a banda se vendeu ou acabou há anos. No meu caso, eu sempre acharei que Lars, James, Kirk e Robert, de certa forma são rebeldes, não importando a fase, o Metallica faz tudo ao seu modo, com a inquietude da adolescência ainda correndo no sangue. Não precisavam da aprovação antes e seguem essa regra, aliás, o único mandamento dessa instituição.

Antes de pensarmos em “72 Seasons”, precisamos voltar no tempo e entrar no ano de 2003, no polêmico “St. Anger”. O álbum mostrava Hetfield despejando sua ira, tentando “se limpar” de uma vida de abusos, e principalmente, buscar uma paz interna. Duas décadas depois voltamos à mesma situação. O vocalista novamente mostra sua imagem sem disfarces, cheio de vulnerabilidade, cantando e contando sobre sua fragilidade e problemática, literalmente uma psicanálise musical mostrando que o disco é o espelho do seu tempo.

O título do álbum veio de um livro sobre infância e a premissa de que os primeiros 18 anos de vida (72 temporadas) do ser humano moldarão o comportamento e personalidade. Algumas das coisas você conseguirá esquecer, mas outras estarão ali para sempre.

Quase que por inteiro, “72 Seasons”é sombrio, denso e intenso em todos os sentidos (não, ele não é thrash metal). O instrumental e o lírico são “namorados” caminhando de mãos dadas no vale da escuridão, se despindo do passado e amarras que os perseguiam, tendo na trilha sonora uma banda que usa velocidade (quando necessário), melodia (quando existir necessidade), peso (para alavancar as composições) e dinâmicas.

Os quatro singles (faixa título, “If Darkness had a Son”, “Screaming Suicide” e “Lux Aeterna”) serviram bem de cartão de boas-vindas deixando claro que diversidade balanceada é o novo Metallica (respeitando seu passado), mas se apresentando para as novas gerações. Aliás, vejo os discos pós Black Album como modernos e despreocupados. Tipo — são artistas criando sem as correntes impostas pelos fãs.

Contraventores de sua própria música, se reinventando como no caso de “Sleepwalk My Life Away”, “You Must Burn!” e “Crown of Barbed Wire”, onde temos uma banda injetando Stoner Metal/Sludge Metal em seu leque de gêneros tocados. Aliás, Tony Iommi, Ozzy Osbourne e companhia são as principais influências desse álbum.

Por diversas vezes nos 77 minutos do disco podemos ouvir um Black Sabbath aqui e ali, os movimentos arrastados deixam tudo pesado e viajante. Algo que chama atenção é a sinergia entre os integrantes, onde todos participaram do processo de criação das músicas, seja individualmente, seja coletivamente.

“Too Far Gone?” tem um trecho que te transporta para 1983, mais exclusivamente para “No Remorse”, 2 segundos que te fazem sorrir de orelha a orelha numa música que é um dos destaques. Falando em destaque, por todas as resenhas “Inamorata” foi elogiada, e após escutá-la, elogios e adjetivos são poucos para essa obra.

A faixa de encerramento nada mais é do que um Metallica usando com maestria a sua própria discografia. Pegando referências, clichês e frases dos seus últimos 30 anos e indo mais além. “Inamorata” é o que faz “72 Seasons ” ser pulsante e brilhante.

Riffs e mais riffs, Hetfield e Hammett estavam inspirados. Solos melódicos, fritados, e um wah-wah pegando fogo. Rob e Lars trabalharam juntos literalmente foram chefs em uma cozinha que nunca segue o livro do mandamento do heavy metal.Muito do que ouvimos vem de salas de ensaio em meio às turnês e ideias em casa, mostrando que o momento na banda é de união total.

Se por um lado a banda estava afiada, por outro foi longe demais, e explico. O Metallica basicamente entra no problema Iron Maiden, falta um produtor com saco roxo que corte os excessos, as malditas repetições que te levam a lugar algum no meio do nada. Se tivesse alguém podando e sem as descartáveis “Shadows Follow” e “Room of Mirrors ”, a audição seria agradabilíssima.

Mas, é o Metallica, e nunca teremos deles o que se espera ouvir. Teremos o que eles quiserem. Se vai agradar ou não, problema de quem for julgar.

Então, bem vinda à era M72.

William Ribas





quinta-feira, 13 de abril de 2023

FABIANO NEGRI - BETWEEN PLAYING AND CURSING... LIVE

 

FABIANO NEGRI - BETWEEN PLAYING AND CURSING... LIVE
Independente - Nacional

O multi-intrumentista Fabiano Negri ficou conhecido como vocalista das bandas Rei Lagarto e Dusty Old Fingers, além de ter lançado trabalhos solo também. Agora chega até nós o registro ao vivo “Between Playing and Cursing...Live”.

O álbum foi gravado no Clube De Música de Campinas, no dia 22 de Novembro de 2022, e conforme informado no release, sem nenhum overdub, ou seja, tudo o que se ouve na gravação, ocorreu no palco, sem correções de estúdio. Muitos pontos a favor nesse formato, pois a produção e execução é de um nível altíssimo para os padrões “alive”.

O setlist é composto pelas composições dos álbuns solo de Negri, e a sonoridade aqui é Hard Rock/Heavy tradicional baseado em bandas setentistas como Black Sabbath/Deep Purple. A banda escolhida para acompanhar Fabiano é composta de amigos, familiares e alunos do próprio, (batizada de Fake Plastic Zebathy´s Band) e acabou resultando numa banda muito coesa e entrosada.

O trabalho é uniformemente de alto nível, dificultando a escolha de alguma faixa para destacar, porém “Dear Captain”, "Flames Of Ambition” e “Dying City” são aquelas que mereceram serem escutadas novamente após o final da audição do álbum completo. “Between Playing and Cursing...Live” não será lançado no formato físico, a princípio, mas pode ser encontrado para a venda no site oficial www.fabianonegri.com .

José Henrique Godoy




terça-feira, 11 de abril de 2023

TARJA - BEST OF A LIVING DREAM (2023)

 


TARJA - BEST OF: LIVING THE DREAM
Shinigami Records/ear Music/Sound City Records

Antes de resenhar a coletânea, peço licença, caro(a) leitor(a), mas precisamos falar um pouco sobre Tarja Turunen.

É inegável: Tarja Turunen postula – na contemporaneidade - com todas as honras e merecimentos o título de maior rainha do metal sinfônico deste planeta. Não se trata apenas dos seus excepcionais dotes vocais e líricos ou de seu alcance poderoso e de sua percepção musical aguçada. Não, essa finlandesa pavimentou uma estrada nesse estilo de se fazer metal tornando-se uma referência máxima e inspiração icônica a tantas outras seguidoras. Quem viveu o início dos anos 2000 lembrará da proliferação, quase que exacerbada, de bandas de metal sinfônico/melódico com vocais femininos e temáticas góticas advindas do modelo expresso por seu antigo grupo, o fenômeno Nightwish.

Aliás, é quase impossível pensar em Tarja e não lembrar do Nightwish. Afinal, ela esteve presente desde sua origem; viveu a ascensão e o apogeu do sucesso – inclusive comercial – da banda, tendo seu rosto estampado como uma das principais marcas do grupo. Gravou os cinco primeiros álbuns, arrebatou legiões de fãs e colocou o metal sinfônico finlandês no mapa e na rota dos gigantes do estilo. Sim, sabemos que a mente e o coração da banda sempre foi o genial tecladista e compositor Tuomas Holopainen, mas, sejamos francos: todos os holofotes dessa era dourada estiveram centralmente voltados para a bela vocalista.

Nunca se soube ao certo, porém, tal situação de destaque da vocalista é uma das especulações de motivos da sua demissão em 2005, momento em que o grupo finlandês a dispensou em carta aberta e assinada por todos os membros. Possivelmente, na minha vivência e opinião pessoal, tal fato foi um dos mais dramáticos na história do metal moderno, pois, entre tantos sentimentos confusos em relação à banda – especialmente, diante ao auge o qual viviam -, era impensável um Nightwish sem Tarja Turunen. Depois de sua saída, pensou-se - inclusive baseado em falas suas - que ela sequer voltaria a fazer heavy metal, pois, era conhecido que a moça era ávida estudiosa e apreciadora de óperas e cantos clássicos – gêneros os quais incorporou como uma de suas características na sonoridade da banda e como proposições de projetos paralelos, como o reconhecido Noche Escandinava.

Todavia, a vida e a carreira da finlandesa seguiu – e seguiu, talvez para muitos - surpreendentemente no próprio heavy metal. Paralelamente, o Nightwish também continuou – e continua – em sua estrada ímpar no estilo, tendo passado duas vocalistas após a saída de Tarja, as quais, evidentemente, sofreram comparações, rejeições e considerações devido ao legado da voz fundadora do grupo. Floor Jansen, a atual vocalista, aliás, é fã declarada de Tarja Turunen, sendo ela uma representante da leva de mulheres à frente de bandas de heavy metal na explosão do estilo do início dos anos 2000, conforme citado anteriormente.

Finalmente, então, é hora de falar do caminho solo de Tarja Turunen, o qual em 2007 foi oficialmente pontuado com o excelente álbum “My Winter Storm”. Então, se vamos começar uma resenha sobre os trabalhos da rainha do metal sinfônico, nada mais justo, após mais de quinze anos em que seu nome estampa seus próprios feitos, refletirmos sobre sua primeira coletânea “Best of Living a Dream” que coroa, finalmente, seu nome na cena.

Lançado aqui no Brasil recentemente pela Shinigami Records, temos nesta seleção uma bela representação da carreira da cantora, além de versões de extras e alternativas de músicas escolhidas a dedo em cada um de seus álbuns. Outrossim, para aqueles que já possuem todos seus trabalhos, há, no entanto, um belo presente direto do último single de Tarja, “Eye of the Storm”, uma música poderosa e emocional, que com certeza fará os fãs da musa agradecerem aos deuses – ou às deusas – a glória dela ter seguido no caminho da música pesada e alternativa.

Exatamente nessa perspectiva, podemos, ao longo deste “best of”, perceber como a cantora desenvolveu seu estilo próprio. Percebemos na pessoal “I Walk Alone” a presença de seu viés erudito e de instrumentos clássicos refinando a sua arte e gênero. Em “Die Alive”, entregue em uma versão alternativa, é oferecido pelos coros e instrumentais uma verdadeira experiência auditiva que somente uma rainha poderia oferecer aos seus súditos. “Enough”, vinda também do seu primeiro álbum solo, é atmosférica e contundente, elevando o poder de Tarja em sua versatilidade vocal.

Também foi trazida à seleção a sinfônica “Falling Awake”, uma ode ao que ela representa. “Untill My Last Breath”, do álbum “What Lies Beneath”, lembra sua fase no Nightwish, lá pela era do Wishmaster. Uma boa faixa para esta coletânea. Também do mencionado disco, é colocada a emocional “I Feel Immortal”, possivelmente, uma das melhores e mais representativas canções de Tarja. Entre a cadência mais lenta e os refrões operísticos, Tarja apresenta aqui porque é realmente “imortal” no estilo que faz.
“Victim of Ritual”, “500 Letters” e “Never Enough” são trazidas do teatral “Colours in The Dark”, músicas que expõem a faceta heavy metal e progressiva da cantora. Versatilidade é, na minha opinião pessoal, o que essa fase expressa. Já a presença de “Innocence” em uma nova edição, “Demons in You” - faixa que traz outra fã confessa da vocalista e uma das vozes mais poderosas do metal atual, Alissa Whites-Gluz, do Arch Enemy – impõe a atmosfera de luz e trevas do viés intencional do álbum em que foi extraída, “The Shadow Self”, assim como a heavy-opera “Diva”.

A coletânea é finalizada por mais três faixas vindas de seu último trabalho “full” em estúdio, “In The Raw”: a pesada “Dead Promises”; a indescritível “Tears In Rain”, música que utiliza inúmeras paletas e sonoridades, um obra-prima do heavy melódico progressivo; e, uma versão renovada de “You and I”, uma trilha mais lenta e emocional que explora vocais em menos intensidades, mas extremamente afinados da vocalista, e serve, por que não, como um “até logo” desta seleção de momentos de Tarja Turunen.

Ouvir “Best of Living a Dream” é, indubitavelmente, uma viagem pela história, voz e singularidade de Tarja Turunen. Nesse apanhado de alguns momentos de sua já expressiva caminhada solo, entendemos nitidamente porque ela é a “rainha do metal sinfônico”, pois somente ela pôde inventar e reinventar um gênero, afirmando e reafirmado sua identidade única e suprema. É estranho conceber, mas o que a Tarja fez pelo metal, paradoxalmente, o metal nem sempre fez por ela e, certamente, por isso, nesse embate, ela tornou-se a representatividade simbólica e máxima de todo um estilo. Deus – ou Deusa! – salve a rainha!

Gregory Weiss Costa






quinta-feira, 6 de abril de 2023

BANDAS QUE VOCÊ PRECISA CONHECER: LION HEART

 


O Lion Heart completa 21 anos de estrada em 2023, já são duas décadas dedicadas ao rock'n'roll! A influência direta é o hard rock de bandas clássicas como Kiss, Van Halen, Aerosmith e Mötley Crüe, sem deixar de ter uma pegada rocker atual e rejuvenescida, além de letras em português.

A banda é liderada pelo vocalista Thiê Rock e pelo guitarrista Lion Brandon. Lançado em 2020 pelos selos Kaotic Records e Tales From The Pit Records, o álbum “O Ferro do Escorpião” recebeu muitos elogios do público e ótimas resenhas na mídia especializada. Foi o terceiro CD da carreira deles, que ainda conta com um EP e uma coletânea. 


Foram produzidos videoclipes das músicas "Rock Vai Rolar", "Embaixo da Lua" e "Animal". No atual momento, estão lançando o lyric video da música "Coração Entorpecido" e filmando um videoclipe para "Indecente", além de trabalharem em material novo que o público poderá conferir ainda esse ano.




segunda-feira, 3 de abril de 2023

KAMELOT - THE AWAKENING (2023)

 


KAMELOT - THE AWAKENING (2023)
Napalm Records

Como diríamos aqui no Rio Grande do Sul, - apropriando-me da variante linguística – assim vou começar a falar da banda e de seu novo álbum: “o Kamelot não é mais guri, tá longe de ser piá”. Falo isso, pois trata-se de uma banda com mais de 30 anos de estrada, possivelmente um dos nomes mais proeminentes e representativos do Power Metal mundial. O grupo estadunidense desenhou seu estilo por um viés próprio e de identidade singular, apesar do gênero ser constantemente remetido a nomes da Alemanha ou da Finlândia. Capitaneada pelo guitarrista e líder Thomas Youngblood, a banda, a despeito das mudanças de formação - especialmente a nevrálgica alteração de vocalista, ocorrida na saída do gigante e voz dos álbuns clássicos, Roy Khan, em 2011, para a entrada do promissor Tommy Karevik – permanece relevante e apresentando bons trabalhos na cena. Certamente, merecem mais do que respeito.

Nessa perspectiva, seu último álbum, “The Awakening”, lançado no recente 17 de março, vale todas as honras, porque a banda segue crivada na excelência e na contribuição estoica no terreno em que pisam, caminham e correm. Porém, sejamos francos: no trabalho em questão, o Kamelot entrega mais do mesmo, não oferece nenhuma grande novidade e não rompe com nenhuma expectativa. Reitero: é um bom trabalho, contudo, ainda assim, não traz nada de novo, não eleva nenhum grande feito estilístico ou sonoro da banda. Não digo que parece sem criatividade, mas, talvez, sem grandes inspirações. Jogou em terreno seguro e passou de fase mantendo resultado e cumprindo tabela. Pois é, apesar do título (na tradução: “O Despertar”), não parece uma banda muito desperta ou que inaugura uma nova era para o grupo.

As faixas que compõem o trabalho são bem produzidas e compostas, mas nada inovadoras. Trabalham no mesmo viés sinfônico, melódico e progressivo o qual os caras sabem fazer como ninguém para agradar aos apreciadores. Lembra uma extensão de feitos anteriores como “Ghost Opera” (2007) ou “Haven” (2015), apresentando composições que poderiam estar nesses discos sem nenhum prejuízo.

Ainda que o primeiro single lançado, o pretenso hino power metal “One More Flag in the Ground”, tenha sido recebido com sentimentos confusos pela base de fãs, o segundo e o terceiro singles – “Opus of the Night (Ghost Requiem)” e “Eventide” – serviram, para provavelmente, empolgarem mais os leais seguidores da instituição Kamelot. A postura operística e teatral foi extremamente bem recebida por causa de sua conexão direta com o citado “Ghost Opera”. As duas canções são capítulos da mesma história, tanto musical quanto lírica. E assim como esses singles, todo o álbum é um desfiladeiro emocional do começo ao fim, mais um palco para a característica teatralidade e comoção da banda, particularmente quando se trata das letras e da performance vocal do – já não mais novo vocalista da banda - Tommy Karevik. Finalmente, o cantor teve mais espaço e liberdade para mostrar o que ele pode realmente fazer por Youngblood e companhia. Na minha opinião, foi seu trabalho mais expressivo como vocalista, ainda que ele seja lembrado, por este que vos escreve, pelo o que fez no majestoso “Haven”.

A maioria das faixas – excluindo talvez as peças instrumentais que servem como introdução e encerramento (“Overture” e “Ephemera”) – são exercícios bem-sucedidos do “fazer bem feito, mas nada de novo da banda”, como é explícito em “Bloodmoon”, “Opus of the Night”e em “New Babylon”. Temos a pretensão cinematográfica em sons como “One More Flag in the Ground” e “The Great Divide”, assim como outras, pois o Kamelot sempre soube jogar com os climas emocionais e, suas músicas, quase como um padrão, geralmente captam isso. Temos baladas e trilhas mais introspectivas – óbvio! - como a balada de piano “Willow”e a facilmente esquecível trilha de inspiração celta “Midsummer’s Eve”. Em outras partes do álbum, há algumas dicas de elementos de metal moderno (especialmente sintetizadores) em faixas de destaque como a metal progressivo “The Looking Glass” ou “NightSky.

Além disso, um álbum do Kamelot não seria um álbum Kamelot sem algumas participações especiais! Desta vez, desfilaram em um trabalho da banda a violoncelista Tina Guo, a estrela em ascensão Melissa Bonny (da banda “Ad Infinitum”) e o violinista Florian Janoske, cujas contribuições adicionam profundidade, textura e nuances nas faixas em que são apresentados. As linhas dramáticas de violoncelo e violino sozinhas em "Midsummer's Eve" dão uma nova dimensão à trilha, enquanto o trabalho vocal de Melissa Bonny em "New Babylon" é extremamente destacável (como foi com as entidades Simone Simons e Alissa White-Gluz em trabalhos passados). A dinâmica entre ela, o coro - que torna o refrão dez vezes maior - e Tommy Karevik são a força motriz da faixa.

No geral, “The Awakening” tem todos os elementos que se fazem, sem dúvidas, o Kamelot parecer como Kamelot. Embora isso pareça uma crítica cínica e implícita, na verdade, é um brado a um dos maiores nomes do estilo o qual apresenta extrema qualidade produtiva e sonora em tudo que fazem. No entanto, “The Awakening” também pode servir como um sinal amarelo para o próprio bem da banda, já que sua fórmula para escrever músicas encontre-se bastante evidente, especialmente em torno dos refrões, instrumentações sinfônicas e lirismos melódicos e constantes – começando a passar do ponto da previsibilidade. Para uma banda que, como apontei ao início deste texto, “já não é mais guri”, questiono-me se apenas fazer mais do mesmo ainda serve, especialmente por ser uma banda de primeiro escalão do Power Metal mundial. A obra, mais uma vez, fecha com saldo positivo, mas cabe ao futuro indicar sua possível (ou não!) grandiosidade. Por ora, fecho o álbum, reservo-o na prateleira com carinho e merecimento, mas volto a escutar as obras e composições antigas da banda, as quais, para mim, parecem mais relevantes e presentes do que o que se apresenta agora.

Gregory Weiss Costa