quarta-feira, 5 de junho de 2024

CRAZY LIXX - TWO SHOTS AT GLORY (2024)

 


CRAZY LIXX
TWO SHOTS AT GLORY
Shinigami Records/ Frontiers Records Srl - Nacional


Você, fã de Hard Rock Oitentista, AOR, Sleazy e afins já deve ter ouvido falar dos suecos do Crazy Lixx. Mas caso você esteve fora do planeta Terra nos últimos 20 anos, segue uma breve apresentação: a banda sueca foi formada na cidade de Malmö em 2002, pelo vocalista Danny Rexon e o baterista Joél Círera. O Crazy lixx é um discípulo direto de bandas clássicas como Mötley Crüe, SKid Row, Ratt e Guns N' Roses. Sua discografia é formada por oito álbuns de estúdio e um ao vivo e completam a formação atual os guitarristas Chrisse Olsson e Jens Lundgren e o baixista Jens Andersen.

Feita a devida apresentação, vamos à “Two Shots at Glory”, o novo lançamento do quinteto. Este trabalho é uma coletânea feita de regravações de algumas das favoritas do catálogo do Crazy Lixx, duas músicas inéditas, “Two Shots at Glory”,“Invincible” e um “cover” de “Sword And Stone”. Esta música originalmente foi gravada pelo Kiss, mas nunca lançada pela banda, apenas em demo-tape, porém foi lançada na trilha sonora do filme “Shocker” (1989) gravado pela banda alemã Bonfire. Composta por Paul Stanley, Bruce Kulick e Desmond Child, não se faz necessário dizer que esta faixa é uma grande canção, e aqui temos uma execução a altura que a faixa merece pelos suecos.

As duas músicas inéditas são excelentes. “Two Shots at Glory” é rápida e tem um grande refrão, daqueles grudentos, que ficam na sua cabeça durante um bom tempo, enquanto “Invincible” é mais cadenciada, com aqueles backing vocals “Def-Leppardianos”, outra grande faixa. Nas demais faixas regravadas e/ou reproduzidas, o que posso falar é que as versões 2023 de músicas como “Fire It Up”, “Whiskey Tango Foxtrot”, a baladaça “Only The Dead Know” e as demais soam melhores e mais bem produzidas que suas verões originais.

O único “senão” deste lançamento é não conter faixas anteriores aos lançamentos de 2012, contando apenas com faixas de “Riot Avenue” para frente, porém, focando neste álbum de 2012. Seria interessante ver faixas como “21 'Til I Die”, “Blame It On Love”, “Dr. Hollywood” entre outras. Mas de qualquer forma, se você ainda não teve acesso ao Crazy Lixx e quer conhecer, “Two Shots At Glory” é um ótimo começo, e o melhor: lançamento nacional pela Shinigami Records/ Frontiers Srl.

José Henrique Godoy





quinta-feira, 2 de maio de 2024

GENOCÍDIO - FORT CONVICTION (2024)

 


GENOCÍDIO
FORT CONVICTION
Urubuz Records/Wikimetal - Nacional

Uma das mais importantes e relevantes bandas do cenário brasileiro chega, agora em 2024, ao seu 10° álbum de estúdio, mantendo-se íntegra e fiel à sua identidade. Prestes a completar 40 anos de carreira, o GENOCÍDIO mostra a sua força em FORT CONVICTION, um álbum forte, denso, obscuro, mas dotado de uma força que sempre permeou os trabalhos da banda. Com uma produção que soube deixar tudo em seu devido lugar, o grupo trouxe uma obra bastante completa, explorando seu lado mais extremo, flertando sempre o lado mais sombrio e intenso, caracterizando sua sonoridade com faz há tempos, mas com uma pegada bem atual. Uma banda única dentro do metal brasileiro!

Murillo Leite (vocal e guitarra), Wanderley Perna (baixo), Wellington Simões (guitarra) e Levi Tavares (bateria), iniciaram os trabalhos de composição de Fort Conviction em março de 2020, com as gravações iniciadas em março de 2023. É meus amigos, não é fácil ser uma banda de metal underground... Sob a produção de Marco Nunes, o grupo gravou 11 faixas, sendo 9 autorais e 2 covers (sendo que um deles encontra-se apenas na versão digital do trabalho), com um ótima sonoridade, como já citado anteriormente. Pesado e denso, o álbum conta com um projeto artístico bastante sombrio, criado pelo baixista W. Perna, através de IA. Já as fotos foram feitas por Luciano Piantonni.

O álbum abre com a faixa título, detentora de uma intro intimista e sombria, que antecede uma verdadeira aula de como fazer death metal brutal. As guitarras da dupla Murillo e Wellington trazem consigo uma pegada death/thrash, pesadas e infernais. Já a cozinha tem um trabalho coeso, unindo técnica e velocidade, além de criar a base perfeita para os vocais certeiros de Murillo. Os solos se encaixam dentro do padrão criado pelo grupo, assim como em "Aside", que eleva ainda mais o nível de agressividade que a faixa anterior apresentou. Levi Tavares espanca seu kit enquanto as guitarras navegam pelas influências oitentistas do grupo. A "singela" intro de Devil's Mother Cry (vale citar que algumas das intros/vinhetas foram compostas por André Zanferrari) nos prepara para um punk/HC repleto de energia, com um pé no thrash, mostrando a versatilidade do quarteto, com um solo muito inspirado na dupla King/Hannemann. Na sequência, "The Sole Kingdom of my Own", traz uma aura totalmente obscura e gótica, com uma veia Sisters of Mercy/Type O' Negative, mas com a classe e personalidade do Genocídio. "Lord Dementia" traz de volta o bom e velho death metal old school, aquele que não precisa de nenhum tipo de inovação ou qualquer outro tipo de influência para agradar quem curte o estilo. Nada mais direto como só a primeira banda de metal extremo de São Paulo poderia, e pode, fazer!

E a aula segue com "Voided", uma faixa que escancara a veia mais thrash do grupo. A produção de Marco Nunes soube explorar muito bem o trabalho das guitarras nesse sentido, pois o peso que emana das duas nessa ótima instrumental, ficou muito foda. As quebradeiras durante a execução da faixa também criam um clima bastante "dark", elevando ainda mais o nível da composição. "Maverick", segue o dinamismo do álbum com riffs ríspidos, aliados à velocidade "britadeira" da cozinha, num jogo de peso e técnica. E tome porrada em "Scorn Cult"! Velocidade, agressividade e um toque a lá Genocídio, criaram uma das minhas faixas preferidas no trabalho! Que faixa destruidora para uma apresentação ao vivo! Em seguida, "Never Tear Us Apart", cover do INXS, ficou simplesmente sensacional. Mantendo a aura triste e melancólica que a versão original da faixa possui, o grupo incorporou peso e um vocal extremamente soturno, de forma que poderíamos dizer, se não conhecêssemos a que veio antes, que a composição pertence ao grupo paulista. Merece ser executada ao vivo, hein? Pra encerrar a versão física do trabalho, "Mourning Saviour", outro momento brutal, antecedido por uma intro melancólica e climática. Na versão digital, temos ainda o cover de "Pictures of You" do The Cure, que também ficou muito legal! Um clima bem "pesado" com teclados insinuando a veia que a banda também possui na formação do grupo. Posso até estar errado, mas só quem conhece do assunto consegue recriar uma faixa com essa categoria!

O GENOCÍDIO se reinventa sem precisar se reinventar. Ficou confuso com essa declaração? Escute FORT CONVICTION e confira a classe do grupo em faixas repletas de peso, densidade, personalidade e muito Heavy Metal. Sim, porque muito antes ser uma banda de metal extremo, o grupo é antes de tudo heavy metal, e porquê não dizer, com pitadas ainda que bastante pequenas, de pop. Que bom que a banda sabe de onde veio e pra onde vai! Longa vida aos pais do "death doom gothic metal" nacional!

Sergiomar Menezes




terça-feira, 30 de abril de 2024

AMORPHIS - 26/04/2024 - BAR OPINIÃO - PORTO ALEGRE/RS

 


AMORPHIS
Abertura: Exterminate
26/04/2024
Bar Opinião - Porto Alegre/RS
Produção: Ablaze Productions

Texto e fotos: José Henrique Godoy

Os finlandeses do Amorphis vieram visitar Porto Alegre pela segunda vez (a primeira vez foi em 2019) na sexta-feira, 26 de abril, e nos entregaram uma apresentação de muita intensidade e que envolveu ao bom público presente ao Bar Opinião desde os primeiros acordes.

Para a abertura da noite, a Exterminate foi a banda escolhida. Com 17 anos de estrada, o quarteto porto-alegrense formado por Adriano Martini (vocal/guitarra), Felipe Nienow (guitarra), Marcelo Feijó (baixo) e Sandro Moreira (bateria) subiu pontualmente ao palco do Opinião as 20h para não deixar pedra sobre pedra, como de costume! Seu Death Metal brutal, conseguiu agradar a todos os presentes, e após uma apresentação de quarenta minutos, saíram do palco sob aplausos da platéia que já contava com um bom número de presentes.



Seguindo a pontualidade, exatamente às 21h, as luzes se apagam e começa a “intro” para que os seis finlandeses entrassem um ao um no palco e começassem a apresentação com “Northwards”, do álbum “Halo”. Uma sequencia perfeita com “On The Dark Waters”, “The Smoke", “Sky Is Mine” e “The Moon” fez o Amorphis conduzir seu show com o “jogo ganho”, e o entusiasmo e prazer em estar presente no Opinião estava estampado no rosto dos músicos, o que foi retribuído obviamente por um público que cantava todas as músicas junto ao vocalista Tomi Joutsen.

Os guitarristas Esa Holopainen e Tomi Koivusaari, juntamente com Olli-Peka Laine (baixo), Santeri Kallio (teclados) e o baterista Jam Rechberger, e o já citado vocalista Tomi Joutsen, conseguem criar uma aura mística e poderosa que se estendeu por todos os cantos do Opinião, durante os noventa minutos da sua apresentação. Seja em músicas dos trabalhos mais recentes, seja em clássicos como “My Kantele”, “House of Sleep” e “The Castaway”, os presentes seguiram a banda e cantaram a plenos pulmões, seja quando Tomi colocava o microfone para que pudesse ouvir o público, ou mesmo quando não o fazia, maioria dos presentes entoaram as letras do Amorphis com correção , demonstrando que a platéia era formada por fãs de verdade e de longa data do grupo.



“The Bee” fechou esta ótima apresentação do Amorphis, e ao final desta, foram atiradas palhetas e adesivos da banda para as primeiras filas, que se degladiaram para pode levar embora um souvenir desta excelente apresentação. Enfim, uma excelente noite de metal finlandês em Porto Alegre. Agradecemos mais uma vez para a Ablaze Produtora pelo credenciamento e a equipe do Bar Opinião pelo tratamento e camaradagem costumeiras.



segunda-feira, 29 de abril de 2024

BRUCE DICKINSON - THE MANDRAKE PROJECT WORLD TOUR - 25/04/2024 - PEPSI ON STAGE - PORTO ALEGRE/RS

 


BRUCE DICKINSON - THE MANDRAKE PROJECT WORLD TOUR

Abertura: Clash Bulldog's
25/04/2024
Pepsi on Stage - Porto Alegre/RS
Produção: MCA Concerts/ Opinião Produtora

Texto: Sergiomar Menezes
Fotos: José Henrique Godoy (Clash Bulldog's) / Douglas Fischer (Bruce Dickinson)

Há exatamente 01 ano, Porto Alegre recebia a presença de Bruce Dickinson, para celebrar a memória de Jon Lord. Na mesma data, a capital dos gaúchos recebeu o Scorpions que divulgava seu mais recente e ótimo álbum, Rock Believer. O Rebel Rock, solicitou credenciamento para ambos, mas foi credenciado apenas para o show da banda alemã, a qual teve sua cobertura realizada pelo mestre José Henrique Godoy. Cá estamos e, 365 dias depois, fomos credenciados para cobrir "THE MANDRAKE PROJECT WORLD TOUR", turnê de divulgação do mais novo trabalho da carreira solo do vocalista do Iron Maiden. O que nos deixou muito felizes, pois tivemos a certeza que nosso trabalho vem sendo muito bem feito, mas também nos colocou sobre os ombros mais uma responsabilidade, pois estaríamos cobrindo o show de uma das maiores vozes que já pisaram sobre o solo desse planeta. E, depois de tudo que presenciei nesta mágica noite do dia 25 de abril de 2024 no palco do Pepsi On Stage, posso afirmar com a mais "certa" certeza do mundo: BRUCE DICKINSON está cantando muito mais agora do que em 2019, quando esteve pela última vez aqui com a Donzela de Ferro. 

Uma noite bastante agradável estava se desenhando quando me desloquei ao local do show, fato que mudou quando o mesmo se encerrou. Mas fica fica para depois... Ao chegar, num primeiro momento me surpreendi com o tamanho da fila que se formava aguardando a entrada, algo que acabou se mostrando um tanto quanto decepcionante, uma vez que o público final ficou aquém do que o evento merecia. O que eu posso dizer em relação a isso? Azar de quem não foi! 

Tudo começou quando por volta das 21h, a banda CLASH BULLDOG'S adentrou o palco com uma sonoridade pesada, meio hard, meio heavy, meio groove. Pode soar meio estranho, mas ao vivo funcionou muito bem! Ainda que o grupo pratique um som que difere da atração principal, o quarteto formado por Vitor Pernutt (vocal), Daniel Stone (guitarra), Bruno Eller (baixo) e Maurício Tarrago (bateria), mostrou desenvoltura e muita disposição em entreter o público que estava ali por um único motivo: assistir Bruce Dickinson! Tanto que o próprio Vitor falou por diversas vezes que todos estavam ali pra ver a voz do Maiden e puxou o coro de "Olê, Olê, Olê, Olê... Brucêê, Brucêê..." (ao meu ver, um tanto quanto desnecessário. Mas a banda teve personalidade ao executar suas faixas com muita garra, mesmo com os problemas no baixo enfrentados por Bruno por quase todo o set. Faixas muito legais como "Prophets of Time", "Tears of Blood" e a pesada "Evil Within", além de dois covers: "Them Bones" (Alice in Chains) e "Sad But True" (Metallica), ambas pesadas e muito bem executadas pelo grupo. Uma pena que perto do final desta última, a guitarra de Daniel tenha apresentado problemas, ocasionando o término da sua execução antes do fim. Claro que se pensarmos que uma banda autoral executou covers em detrimento ao seu próprio trabalho pode soar como um desperdício de tempo, por outro lado, mostrou que o grupo soube utilizar isso a seu favor, trazendo o público, que aguardava ansiosamente por Bruce, para cantar e vibrar junto. Destaque ainda para o baterista Maurício, que praticamente destruiu seu kit com uma pegada pesada e brutal. Vou acompanhar com mais cuidado o trabalho desse excelente quarteto fluminense!



Após a saída do Clash Bulldog's do palco, a ansiedade do público ficou maior ainda. Tanto que muitos nem devem ter reparado que no som mecânico, a sequência de 7 ou 8 músicas que foram programadas para serem tocadas antes da abertura e no intervalo, se repetiu por umas 4 ou 5 vezes... Mas esse era o momento de encontrar amigos pela pista, trocar uma idéia, conhecer pessoalmente uma das figuras históricas do metal gaúcho e que em sua humildade veio agradecer o apoio que o Rebel Rock dá às bandas, sejam elas iniciantes, antigas, underground mainstream, etc. Isso me deixou bastante satisfeito e feliz pois não é sempre que alguém como Marco di Martino, baixista da Spartacus, te diz algo motivador. O que eu tenho a dizer a ti, Marco, e a todos os amigos que eu tive a honra de entrevistar, é que nós que agradecemos por poder dar espaço à bandas tão importantes e que mantém a Heavy metal no Brasil respirando. Nosso MUITO OBRIGADO!

Era chegada a hora. As luzes se apagam e a intro "The Invaders/ Toltec 7 Arrival" começa a soar nos P.A's, dando lugar a entrada da banda formada pelos guitarristas Chris Declerq e Philip Nalund, a bela e simpática baixista Tanya O'Callaghan, o tecladista Mistheria e o baterista Dave Moneno (um monstro, diga-se de passagem) que precederam o nosso querido "Bruce Bruce". "Accident of Birth", faixa título do álbum de 1997, abriu o show com o público presente cantando a plenos pulmões, chegando a quase emudecer a voz de Bruce na hora do refrão. De cara, já pudemos perceber o quão afiada a banda estava, tamanho o entrosamento entre os integrantes. Fiquei pensando que todos ali tem idade para serem filhos do "homi" e que o spróprios, devem ter crescido com os pôsters de Dickinson em seus quartos. Em seguida, "Abduction", uma das duas músicas de "Tyranny od Souls" (2005) apresentadas, deu sequência ao peso das guitarras Heavy Metal que nos guiaram durante todo o espetáculo. Bruce Dickinson não parece que beira os 66 anos, não parando um único segundo sequer no palco, seja correndo de um lado pro outro, seja fazendo sua famosa "dança", seja dando esporro em quem cuidava de um determinado portão (mas isso eu escrevo daqui a pouco), o vocalista mostra vitalidade e nem parece ter vencido um câncer há pouco tempo. Já a baixita Tanya, apesar da pouca movimentação, interagiu bastante com o público, além de "duelar" com Bruce em suas "dancinhas". "Starchildren", outro grande momento de "Accident..." se fez presente, em outra performance arrasadora do vocalista, que fez com que a turma do gargarejo quase pulasse pra cima do palco.

"Afterglow of Ragnarok", uma das muitas faixas de "The Mandrake Project" presentes no show, foi executada como se já fosse um clássico da carreira solo de Bruce. Mesmo que o álbum tenha sido lançado a pouco tempo e que não tenha agradado a uma parcela de fãs (a qual eu não me incluo), a faixa foi cantada por todos, assim como "The Chemical Wedding", faixa título do trabalho de 1998. Que música fantástica, e assim como a anterior, soou muito mais intensa ao vivo. Será que é trabalho das duas guitarras? Porque antes, apenas Roy Z. era encarregado das seis cordas, e agora, a dupla simplesmente destrói com solos e bases muito bem timbradas. O novo álbum volta ao set com "Many Doors to Hell", outro momento bem pesado e denso. E não é demais repetir: Como está cantando esse senhor! Se no Iron a voz de Bruce soa mais grave, aqui ele tem liberdade para buscar seu espaço e onde colocar seu timbre de forma certeira. A novidade ficou por conta da inclusão de "Jerusalem", faixa de "Chemical" que não havia sido tocada em Curitiba na noite anterior (aqui não tivemos "Laughing in a Hiding Bush). Uma faixa épica, grandiosa, onde o tecladista Mistheria pode exibir uma performance de altíssimo nível.


Celebrando o bom momento de "The Mandrake Project", "Ressurection Men" e "Rain on the Graves" vieram na sequência. Enquanto na primeira tivemos uma faixa que a meu ver, poderia ter sido trocada por "Mistress of Mercy", a segunda é um dos grandes momentos do citado álbum, e além da ótima performance", tivemos o momento "chilique" do nosso querido "Air-Raid Siren". Bruce encasquetou com um portão que estava aberto na lateral do Pepsi on Stage. Talvez por se tratar do espaço destinado aos fumantes (algo que Bruce vem demonstrando um certo desapreço), ele estava muito incomodado, ao ponto de gritar "Shut the fucking door, motherfucker!". Como a pessoa que estava por lá não deve ter entendido, ele voltou a gritar a mesma frase, só que agora com mais intensidade. Só que dessa vez, a porta se fechou, mas Bruce passou toda a música olhando pro local com a típica cara de inglês que atrasou o chá das cinco... Um tanto quanto deselegante, mas estamos falando de Bruce Dickinson, que segundo muitos relatos, não é uma pessoa das mais fáceis de se lidar. "Frankenstein", cover instrumental de The Edgard Winter Group" veio para aquele momento relax que de relax não teve nada! Que banda essa montada pelo inglês! São nesses momentos que você pode apreciar o brilhantismo de um artista, quando ele além da técnica, impõe muito mais que isso à sua interpretação, ou seja, deixa o feeling guiar seu talento e o que tivemos foi uma aula de como prender a atenção do público sem precisar dizer uma palavra. E que baterista desgraçado de bom esse Dave! O que o cara toca não é brincadeira!

Outro momento épico foi a execução de "The Alchemist", quando Bruce citou o escritor inglês William Blake e uma de suas obras surgiu no telão ao fundo palco. Momento que antecedeu aquela música que era uma das mais esperadas pelo público: "Tears of Dragon". Que momento especial, meus amigos! Confesso que a emoção me fez cantar a letra do início ao fim, lembrando quando ouvia "Balls to Picasso" inúmeras vezes lá pela metade dos anos 90. Esse é um daqueles momentos que a gente leva pra sempre, seja pelo envolvimento pessoal, seja pelo que aconteceu durante sua execução. Como lá no início, público e Bruce eram um só, uma voz uníssona que fez todos os presentes se emocionarem, ainda que muitos "camisas pretas" tenham segurado aquele cisco que entrou no olho... Pra encerrar a primeira parte, "Darkside of Aquarius", pesada e metal até o talo, veio para coroar uma apresentação musicalmente irretocável.



Depois de deixarem o palco e aos gritos de "Olê, Olê, Olê, Olê... Brucêê, Brucêê...", a banda retorna com "The Navigates the Seas of the Sun", faixa de "Tyranny...", mas que ao meu ver poderia ser substituída por alguma outra, ainda que seja uma bela composição. Porquê não mais alguma de "Balls.." ou até mesmo alguma coisa do excelente "Tattooed Millionaire", lançado em 1990? Apesar disso, o público curtiu bastante, enquanto aguardava as duas últimas da noite: "Book of Thel", simplesmente espetacular e aquela pra todo mundo cantar junto antes de ir pra casa, a pesada "The Tower" que deu fim a uma apresentação histórica e excelente de Bruce Dickinson, pela primeira vez em carreira solo, na capital gaúcha.

Na saída, fomos surpreendidos por uma chuva, já que quando entramos no Pepsi on Stage, até Lua havia no céu... Fica aqui meu agradecimento em nome do Rebel Rock à Opinião Produtora e a MCA Concerts, em especial ao Paulo Finatto Jr, pelo credenciamento, parceria e confiança em nosso trabalho. 


Sergiomar Menezes

quinta-feira, 25 de abril de 2024

SUFFOCATION - HYMNS FROM THE APOCRYPHA (2023)

 


SUFFOCATION
HYMNS FROM APOCRYPHA
Shinigami Records/Nuclear Blast - Nacional

É puramente insano se sentar para ouvir o mais novo trabalho de estúdio do lendário Suffocation. A brutalidade e o peso descomunal que a banda despejou aqui é algo fora de série, não existe um único momento para o ouvinte respirar, é cacetada atrás de cacetada, é matador. O trabalho veio cheio de expectativa, pois seria a primeiro álbum de estúdio de Ricky Myers, que entrou no lugar do cativante Frank Mullen, que comandou o microfone do grupo por 20 anos, sendo o único membro oficial que ainda constava na formação. Uma responsa e tanta para Myers, que urrou como se sua vida dependesse disso em “Hymns From The Apocrypha”.

Como Ricky está na banda desde 2019, o entrosamento que encontramos e ouvimos nas 9 faixas, é resultado dos anos excursionando ao lado de Charlie Errigo (guitarra), Derek Boyer (baixo) e Eric Morotti (bateria). Acredito que estar na estrada foi fundamental para banda soar tão coesa em estúdio. As músicas carregam entre si uma mistura entre aquela rispidez dos primeiros trabalhos, com uma boa dose do que essa nova geração vem fazendo — o groove, o pé no freio para novamente acelerar com tudo, e tudo na brutalidade característica do Suffocation.

A faixa-título abre de maneira esperada, o alinhamento perfeito entre a técnica, velocidade e as lindas “paradinhas” inesperadas. A genialidade do instrumental beira o absurdo — as linhas progressivas, cheias de notas quebradas, reviravoltas inesperadas e blast beats mostram que “só fazer barulho” não completaria o que é essa máquina de destroçar pescoços. Obviamente que aniquilação sonora chama atenção, pegue trinca “Perpetual Deception”, “Dim Veil Of Obscurity” e “Immortal Execration”, são aulas grátis de como sangrar os tímpanos de seres sensíveis. Tudo graças ao peso de várias toneladas que estão nos riffs de Charlie Errigo.

Não vale destacar essa ou aquela música, o trabalho é coeso e carrega dentro de si uma força motriz para vindouros clássicos do grupo. É um desfile ímpar do melhor que o Death Metal pode oferecer. Quem é fã sabe o que esperar, quem não é, mas gosta de Death Metal, vale conferir. Não existem segredos, não existe nenhuma surpresa, Ricky Myers é o cara certo para o Suffocation. Aliás, após a audição de “Hymns From The Apocrypha”, ele nasceu para comandar os vocais dessa banda.

Bem-vindos a era, Ricky Myers!

William Ribas