quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

DARK DIMENSIONS FEST II - FORBIDDEN, VIO-LENCE, VENOM INC E NEW DEMOCRACY - 08/02/2026 - BURNING HOUSE - SÃO PAULO/SP

 


DARK DIMENSIONS FEST II
FORBIDDEN
VIO-LENCE
VENOM INC
NEW DEMOCRACY
08/02/2026
BURNING HOUSE - SÃO PAULO/SP

Produção: Dark Dimensions
Assessoria: JZ Press

Texto e fotos: Fernando Aguiar

Em pleno domingo (08/02) e às vésperas do carnaval em São Paulo, tivemos uma tarde/noite memorável, praticamente um ode aos amantes do metal extremo. O Dark Dimensions Fest II, em parceria com a Dark Dimensions e a JZ Press Assessoria, trouxe o bloco do metal para uma casa diferente este ano: a Burning House. O local rapidamente se transformou em um verdadeiro caldeirão de energia, peso, fúria e caos (exatamente do jeito que um headbanger sedento gosta).

A abertura da casa, prevista para as 14h, acabou acontecendo por volta das 16h devido a um imprevisto de logística (nada que realmente atrapalhasse o rolê). Pelo contrário: nesse intervalo, a galera foi chegando sem pressa, colocando a conversa em dia, tomando aquela cerveja gelada e curtindo o som que rolava no Gaz Burning. Por lá, uma banda de rockabilly mandava muito bem e criou o clima perfeito para aquecer os motores antes da maratona de peso e brutalidade que viria pela frente.

E para abrir os trabalhos, tivemos o Brasil representado pelos mineiros do New Democracy, com seu death metal melódico, que despertou atenção de muitos dos presentes e para surpresa de todos, ainda trouxeram algumas participações especiais, como Iara Villaça (Alestorm Tribute) e Fábio Seterval (Exodus Tribute), mostrando que as escolhas foram certeiras, pois ambos contribuíram muito ao som e a performance da banda.

No set do New Democracy, faixas como “Zumbi”, “Born To Suffer”, “Nothing And Everything”, “Unexpected Projection”, “Modernization” e “Creation Of My Sin” deram o tom de um show intenso e cheio de identidade. A banda mostrou firmeza no palco, entrosamento e uma presença segura, mas o que realmente me chamou atenção foi a carga emocional das músicas, possuindo letras bem interessantes, que transitam entre críticas sociais e reflexões pessoais. Tudo isso embalado por riffs pesados e uma energia muito forte por parte da banda.

O público ainda estava naquele processo de aquecimento típico de começo de festival, meio observador, mas não demorou para a reação aparecer. Conforme o show avançava, já dava pra ver cabeças balançando em sincronia e uma galera se entregando ao som que saia dos PA’s. O New Democracy conseguiu conquistar a atenção de quem estava ali e mostrar que peso e conteúdo podem andar juntos.


Por volta das 17h, a temperatura do festival subiu de vez quando o Venom Inc. tomou o palco. A partir dali a sensação era de que a parada tinha começado a ficar séria de verdade. O trio britânico não precisou de muito tempo para dominar o ambiente, bastaram os primeiros riffs para a Burning House virar um inferno musical.

O set foi uma aula de metal extremo raiz. Quando as obrigatórias como “War”, “Inferno”, “Countess Bathory” e “Black Metal” apareceram, a reação do público foi instantânea. Era impossível ficar parado. O público respondeu com gritos, punhos erguidos e os primeiros moshs mais sérios da noite começando a ganhar forma.

O que chamou a atenção no Venom Inc. é como eles equilibram peso com proximidade. Não é aquela banda distante no palco, existe troca o tempo todo. Em vários momentos eles brincaram com a plateia, distribuíram palhetas e criaram um clima de celebração coletiva. Teve até Jack Daniel’s circulando entre palco e pista, num daqueles momentos que viram história pra quem estava mais próximo do palco. E para este que vos escreve, este momento se tornou mais especial ainda, pois tive a honra de compartilhar o “néctar” com Dolan e outros fãs que estavam próximos, que momento!

A apresentação teve também seus respiros instrumentais, com solos que mostraram que, além da atitude, há muita musicalidade ali. “In Nomine Sathanas” foi um dos grandes picos do show, cantada quase em uníssono pela casa e quanto apareceram outras, igualmente clássicas, como “Bloodlust”, “Blackened Priest”, “Time To Die” e “Sons Of Satan”, o clima ficou ainda mais carregado, deixando ainda mais o ar de que todos estavam diante de um verdadeiro ritual ocultista.

Visualmente, o cenário ajudava a compor a atmosfera, ainda mais com a imagem de (Deus) Lemmy ao fundo em uma bela homenagem às origens do som pesado. No fim das contas, o Venom Inc. entregou exatamente o que se espera de veteranos desse calibre: som alto, pesado, presença forte, cativante e uma conexão genuína com quem estava ali. Foi aquele tipo de show que não depende de produção mirabolante, é simplesmente atitude, história, o volume mais alto possível e o caos ta feito.



Quando o relógio se aproximava das 19h, veio aquele momento em que o festival dá uma virada de chave. O Vio-Lence entrou em cena e, dali em diante meus amigos, o que vimos foi uma aula de caos e thrash metal e que alcançou níveis insanos. Se antes o público já estava animado, agora a pista virou território de guerra: rodas abrindo sem parar, crowd surf rolando (inclusive este que vos escreve) e aquela atenção redobrada pra não ser surpreendido por algum movimento mais empolgado da galera.

A entrada da banda já mudou o clima da casa. Existia uma “tensão” boa no ar, de expectativa mesmo. Sean Killian é um frontman que naturalmente puxa o foco pra si (não por exagero, mas pela postura e pela forma como conduz o show). Ele fazia questão de contato direto com quem estava mais próximo do palco, cumprimentando fãs e mantendo uma troca constante de energia.

O detalhe curioso era como ele segurava a atenção da casa inteira com naturalidade. A camisa laranja acabava virando um ponto de referência no palco, mas o que realmente prendia o olhar era a entrega. Ele conduziu o público como quem guia uma multidão numa catarse coletiva, e a resposta vinha na mesma intensidade. Um dos momentos mais legais foi quando a banda recebeu uma bandeira do Brasil com a arte de Eternal Nightmare. Eles exibiram com orgulho e, ao final, Sean guardou a bandeira com cuidado, um gesto que parece simples, mas que mostra total respeito por quem acompanha a banda por aqui.

Musicalmente, o show foi direto ao ponto. Abrir com “Eternal Nightmare” já colocou todo mundo no modo thrash ativado. Na sequência vieram “Serial Killer”, “I Profit” e “Officer Nice”, mantendo o nível lá em cima. “Phobophobia” virou praticamente um coral coletivo, com a galera berrando cada verso.
O repertório ainda contou com “Kill on Command”, “Calling in the Coroner”, “Bodies on Bodies”, “Upon the Cross” e o fechamento com “World in a World”, encerrando o set de forma esmagadora. O som era seco, agressivo e sem rodeios, exatamente como o thrash da Bay Area pede.

E este show foi o último da turnê sul-americana e dá pra dizer, com certeza absoluta, que se despediram em grande estilo. Quem estava ali certamente saiu com a sensação de ter visto um show daqueles que ficam na memória.



Pontualmente às 20h30 chegou a vez dos anfitriões da noite. O Forbidden tinha uma missão nada simples: manter o nível caótico deixado pelo Vio-Lence. Mas estamos falando de um dos gigantes do thrash bay area e eles não só mantiveram a chama acesa como jogaram mais querosene ainda onde já estava pegando fogo.

Desde os primeiros minutos já dava pra perceber que o fechamento seria à altura. Carismáticos, soltos e claramente curtindo o momento, os músicos dominaram o palco com naturalidade. A resposta da plateia veio na mesma medida: rodas abrindo sem parar, gente cantando a plenos pulmões e uma pista que já não conhecia mais a palavra “calma”. Na maioria das músicas, larguei o papel de observador e acabei entrando nas rodas, simplesmente porque não dava pra ficar parado diante daquele turbilhão de riffs e energia.

Se existia uma forma melhor de terminar o domingo, naquele momento eu realmente desconhecia.
Durante o show, baquetas e palhetas voavam em direção ao público, que se dividia entre prestar atenção em cada detalhe e garantir uma lembrança física da noite. Uma bandeira com os integrantes do Forbidden em versão “South Park” apareceu aberta na pista (que também ajudei a segurar) e arrancou aplausos da banda, mostrando mais uma vez a proximidade entre banda e a galera.

Essa conexão ficou evidente o tempo todo. Os músicos frequentemente se aproximavam para cumprimentar o público e agradecer. E aqui vai mais um elogio a Burning House, que facilita esse contato mais direto com as bandas.

O repertório veio carregado de momentos marcantes e calcados nos clássicos Forbiden Evil e Twisted Into Form. “Infinite”, “Out of Body”, “March Into Fire” e “Twisted into Form” mantiveram o nível altissimo. Quando entraram “Forbidden Evil”, “Divided by Zero”, a casa já estava completamente entregue, mas foi em “Step by Step” o ponto mais alto do show, onde a galera cantou, agitou, fez roda e stage down insanamente (e eu novamente estava no meio desse caos todo ). O encerramento veio com “R.I.P.”, “Through Eyes of Glass” e “Chalice of Blood”, que também foi cantada em uníssono e que (infelizmente) colocou um ponto final na noite.




O Dark Dimensions Fest II foi, sem dúvida alguma, melhor que a primeira edição (que também estive presente), principalmente pela aula de Thrash Metal que tivemos a oportunidade de presenciar, fora a celebração de outras vertentes mais agressivas do metal. Mais do que isso, foi lindo ver gerações diferentes dividindo o mesmo espaço, se apoiando nas rodas, cantando juntas e mostrando que a cena segue viva. A galera mais jovem e veteranos lado a lado, unidos pelo mesmo amor ao som pesado. O saldo é de uma tarde/noite é que acabou entrando na lista dos shows mais memoráveis que presenciei em mais de 25 anos comparecendo em shows. Público, bandas, casa e produção contribuíram para que o evento tivesse clima de ocasião especial. Grandes nomes no palco com um objetivo simples e poderoso: entregar a melhor experiência sonora possível.

E não poderia finalizar essa resenha sem antes agradecer novamente a Dark Dimensions, JZ Press, especialmente a Burning House (de meus amigos Denise e Bruno) pela organização de um evento desse calibre. Afinal, foi uma daquelas datas que reforçam porque o metal continua sendo mais que música. E depois de vários giros no mosh, stage down e muita cantoria, fica a certeza: foi vivido da forma que um festival desses merece.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

ELVENKING - READER OF THE RUNES: LUNA (2025)

 


ELVENKING
READER OF THE RUNES: LUNA
Shinigami Records/Reaper Entertainment - Nacional

Confesso que sempre que vejo o rótulo “Folk Metal” fico meio avesso a uma audição do trabalho de alguma banda do estilo. Pode ser preconceito ou má vontade, mas é uma coisa que tento trabalhar para não acabar sendo injusto com bandas e artistas de estilos que não costumo apreciar/acompanhar.

E foi assim que peguei para ouvir o novo álbum dos italianos do Elvenking. “Reader Of The Runes: Luna”, que fecha a trilogia “Reader of The Runes” que teve inicio em 2019 com “Reader Of The Runes: Divination” e a sequência com “Reader Of The Runes: Rapture” (2023).

Desde o inicio o que salta aos olhos é a qualidade da produção e a apurada técnica de todos os músicos, com passagens intrincadas que vão desde bases heavy metal beirando o Thrash, a passagens lúdicas cheios de nuances de rock progressivo e até música clássica, isso com uma agressividade superior ao que eu conheço do estilo.

A faixa “Luna” é o maior destaque e foi aquela que voltei para ouvir novamente por mais de uma vez. Pois tem passagens que lembram o Helloween clássico e o Iron Maiden fase “Somewhere In Time”. Mas calma, lembram mas bem de longe. “Gone Epoch” outra faixa que chama atenção, seja pela ótima atuação do vocalista Damna, seja pelo arranjo cheio de corais e riffs muito bem construídos.

Enfim, uma ótima surpresa para quem não conhecia a banda, como eu. Para fãs da banda e do estilo, creio que seja o álbum perfeito. Lançamento nacional Shinigami Records.

José Henrique Godoy




CROWNE - WONDERLAND (2025)

 


CROWNE 
WONDERLAND
Shinigami Records/ Frontiers Music srl. - Nacional

O Crowne é um projeto formado por músicos de bandas famosas do Hard Rock/AOR europeu. “Wonderland" é o terceiro trabalho da banda e o segundo consecutivo com a mesma formação, o quinteto formado por Jona Tee (teclados – H.E.A.T.), Alexander Strandell (vocal – Art Of Nation), John Leven (baixo – Europe), Christian Lundqvist (bateria – The Poodles) e Love Magnusson (guitarras – Dynasty).

“Wonderland” entrega uma sonoridade que mescla Hard Rock melódico com AOR e até em alguns momentos pinceladas de Power Metal, fazendo a audição ser muito agradável e cheia de bons momentos. Não por acaso e sem surpresas, pois é apenas passar os olhos na “escalação“ dos músicos para se ter certeza da qualidade contida em no trabalho.

A faixa título tem um ótimo riff e abre o cd deforma vibrante. “Eye Of The Oracle” mais pesada lembra algo que o Rainbow fez na época do Joe Lynn Turner. Apesar de uma pegada mais Heavy aqui e ali, o melódico é permanente no trabalho, como podemos verificar em “Heaven Tonight" e na bela balada “Goodbye”.

Wonderland” não é nada que nunca tenha sido feito, muito ao contrário. Porém evoca influências de outros tempos baseado na experiência e categoria dos seus músicos. Vale demais uma conferida. Lançamento nacional Shinigami Records.

José Henrique Godoy




terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

CHILDREN OF BODOM - I WORSHIP CHAOS (2015/2025) RELANÇAMENTO

 


CHILDREN OF BODOM
I WORSHIP CHAOS
Shinigami Records/Nuclear Blast - Nacional

Em 2015, o CHILDREN OF BODOM lançava seu 9º álbum de estúdio, intitulado I WORSHIP CHAOS. E para comemorar uma década de seu lançamento, a Shinigami Records em parceria com a Nuclear Blast, recolocam no mercado nacional o trabalho, que nessa edição comemorativa, traz 4 faixas bônus. Ainda que os finlandeses tenham se afastado daqueles trabalhos primorosos do início de carreira, aqui já dava pra perceber que Alexi Laiho (RIP) e sua turma já preparavam um ensaio daquilo que viria a ser o próximo álbum do grupo, o excelente "Hexed", lançado em 2019. No entanto, I WORSHIP CHAOS não traz esse retorno de forma direta, muito menos é um trabalho descartável. O peso aqui, tem mais prioridade, mas ainda sem aquela classe da qual nos habituamos a ouvir. Assim, o relançamento serve para quem acompanha a carreira do grupo (e ainda não tem as faixas bônus), mas também para tentar entender o que se passava pela mente brilhante de Laiho, principal compositor e uma das seis cordas que mais fazem falta no mundo do metal...

À época, o grupo encontrava-se em forma de quarteto com Laiho nos vocais e guitarra, Henka Seppälä (baixo), o virtuoso e amigo de longa data de Laiho, Janne Wirman (teclados e backing vocals) e Jaska Raatikainen (bateria). E mesmo com uma produção caprichada, fica claro que a proposta aqui é menos exibicionismo técnico e mais peso direto. As guitarras continuam afiadas, os teclados seguem presentes, mas agora cumprem um papel mais atmosférico do que protagonista. Alexi Laiho soa mais agressivo, mais áspero, quase como se estivesse cuspindo cada verso, ainda mais sendo ele o responsável pelas guitarras do álbum. Tudo soa calculado e preciso. Isso reforça o impacto imediato das músicas, mas também contribui para a sensação de que falta algo, como o clima caótico e imprevisível que fez o COB se destacar no fim dos anos 90.

É um trabalho mais introspectivo do que parece à primeira audição, ainda que embalado em riffs acessíveis e refrãos prontos para o palco. O que fica claro em faixas como "Morrigan", "Prayer for the Afflicted", "My Bodom (I'm the Only One)" e "Horn of Betrayal" que equilibram bem peso, groove Que fique claro, o "groove" característico do grupo) e melodias sombrias, enquanto "Suicide Bomber" se destaca como um dos momentos mais brutais do tracklist, com riffs secos e andamento quase thrash e que que funcionam bem dentro da proposta do disco. Como bônus temos quatro faixas, todas elas covers: "Mistress of Taboo" (Plasmatics - banda da qual Laiho era um grande fã), "Danger Zone" (Kenny Loggins, que foi trilha do filme Top Gun - Ases Indomáveis, que ganhou uma versão bem personalizada do grupo), "Black Winter" (Amorphis) e "Cruel Summer" (Bananarama). Todas com um toque de COB, e com aquele grau de surpresa que era a cara de Alexi Laiho.

I WORSHIP CHAOS sucede "Halo of Blood" que já trazia consigo uma aura forte de transição. O que fica ainda mais claro aqui. Buscando ainda reencontrar sua sonoridade mais clássica, o CHILDREN OF BODOM soube fazer isso de forma um pouco lenta, demorando mais de 10 anos para que isso acontecesse (o que veio a se concretizar em "Hexed"). No entanto, esse trabalho mostra que mesmo sem estar em seu melhor momento, o grupo tinha classe e categoria para nos apresentar álbuns intensos e pessoais. Pra quem curte e é fã, vale a aquisição!

Sergiomar Menezes





MACABRE - DAHMER (2000/2025) RELANÇAMENTO

 


MACABRE
DAHMER
Shinigami Records/Nuclear Blast - Nacional

O espetacular Macabre, após lançarem seus 2 primeiros trabalhos, lançaram no ano 2000, o álbum Dahmer, depois de um hiato de 7 anos desde o lançamento de "Sinister Slaughter", um trabalho conceitual dissecando (desculpe o trocadilho) a vida de Jeffrey Dahmer, um dos piores serial killers da história dos Estados Unidos. Aqui nossos caipiras fazem uma abordagem cronológica da vida do Canibal de Milwaukee, como era conhecido o querido assassino, inspirando simpáticos temas como estupro, necrofilia e canibalismo nessa biografia musical perturbadora. Musicalmente, o que se pode esperar desses caras é: a maior salada de mistura de estilos de todo o universo do metal, e sabem como fica tudo? Fica sensacional! Poucos no mundo tem habilidade técnica e bom gosto pra fazer esse crossover quanto Corporate Death, Nefarious e Dennis the Menace. 

Dahmer, como já dito antes é conceitual e tem partida com "Dog Guts", começando lenta, trocando pra um andamento no contra tempo, seguidos de 2 bumbos super rápidos, acrescentando blast beats, e tudo numa mistura absolutamente improvável, mas que tradicionalmente, no caso do Macabre, eles fazem tudo dar certo, e ficar extremamente bom e original. "Dog Guts" é o resumo de como o álbum soa por inteiro, solos rápidos, mudanças constantes nos timbres de vocais de forma simplesmente doentia, e habilidade técnica invejável! 

Temos a sequência com "Hitchhiker", que mantém irretocada a proposta sonora da banda, com destaque pro batera Dennis the Menace imprimindo muita velocidade e precisão em passagens a velocidade da luz. Ao longo das 26 faixas podemos encontrar death metal, grindcore, doom, groove, jazz, tudo repleto de solos hora lentos, hora rápidos, hora ultra rápidos, mudanças de andamentos constantes e de uma forma frenética e nada convencional, e expondo uma quebradeira quase progressiva em faixas como "Exposure", "Bath House", e "Baptized" com destaque total pro baixo de Nefarious. Não faltam também é claro, as canções de criança como "In the Army Now", ou "Jeffrey Dahmer and the Chocolate Factory", e "Media Circus", mostrando a versatilidade do guitarrista/vocalista Corporate Death, até um blues ganhou o Jeffrey Dahmer. "The Brain" fecha o álbum exatamente como começou, mantendo o padrão desse estilo que não existe, ou, que podemos chamar simplesmente de Murder Metal. 

Imperdível esse relançamento todo remasterizado, e com belas cores da carinha de Dahmer na capa, um clássico absoluto da música extrema desses maníacos que seguem junto desde 1987 numa formação coesa e produzindo material de altíssimo nível! Se fosse naquela época de dar nota, levava 10 fácil.

Márcio Jameson Kerber