quinta-feira, 6 de junho de 2024

SEBASTIAN BACH - CHILD WITHIN THE MAN (2024)

 


SEBASTIAN BACH
CHILD WITHIN THE MAN
Reigning Phoenix Music - Importado

Sebastian Bach é, não apenas o ex-vocalista de uma das mais icônicas bandas do hard rock oitentista, como todos sabem o Skid Row. Ele é um personagem: O rockeiro rebelde que parece nunca ter saído da adolescência. Se por um lado isso pode parecer “cool”, por outro, no meu entender, parece ter prejudicado em parte a sua irregular e inconstante carreira solo.

Nos áureos tempos, Sebastian era o Sex Symbol de uma era e além disso um ótimo vocalista e frontman. Com o passar dos anos, tanto a beleza física como o seu poder vocal foram se esvaindo aos poucos com a idade chegando, e isso é normal para qualquer ser humano e não é demérito, mas ao mesmo tempo, Bach não conseguiu sair da sombra de sua antiga banda, seja fazendo tours em que oitenta por cento do setlist era composto por músicas gravadas com o Skid Row, seja tretando e alfinetando via imprensa e mídias sociais com os seus ex-companheiros.

Entre um treta e uma tour “Skid-Cover” Sebastian lançou alguns álbuns, alguns bons como “Angel Down”(2007), outros esquecíveis como “Give ´Em Hell”(2014). Dez anos após seu último lançamento, Bach nos apresenta “Child Within The Man” e a surpresa é bem positiva. Fui ouvir esperando aquele mais do mesmo, uma tentativa frustrada de emular seus melhores tempos. Ao invés disso, fui surpreendido com um ótimo e consistente trabalho.

A despeito da sua capa pavorosa, lembrando aquelas revistas religiosas tipo “Despertai” ou outras publicações crentes menos lembráveis, o que temos aqui são músicas fortes, composições maduras executadas por uma ótima e coesa banda, a saber: Devin Bronson (guitarras), Todd Kerns (baixo) e Jeremy Coulson (bateria). Exemplos dessa base coesa de canções, temos a abertura Heavy Metal com “Everybody Bleeds” (aquele clima “Slave to the Grind”), a ótima “Freedom”, com solo pirotécnico de John 5, “(Hold On) to The Dream” com clima meio “Sabbathico”.

Falando em convidados, temos na hard rocker “Future of the Youth” a bela Orianthi nas guitarras e backing vocals. Em “F.U” quem aparece é Steve Stevens nas guitarras. Esta faixa lembrou-me bastante algo feito pelo UFO nos anos 1970, obviamente guardando todas as proporções. Temos um quê de modernidade com a pesada “Vendetta” e obviamente a balada que não pode faltar, “To Live Again”, que se nem de perto relembra uma “In a Darned Room” ou “I Remember You”, cumpre o seu papel.

Sebastian Bach sempre se mostrou um bom letrista e aqui temos uma diversificação de temas, sendo falando sobre suas próprias visões, desencantos ou afirmações. Sua voz segue sendo muito característica e reconhecível, porém ele não arrisca muito e atinge as notas até onde sua garganta permite. Finalizando, se “Child Within The Man” não irá se tornar um clássico, ao menos é um trabalho honesto e coeso. Os fãs irão curtir e aos assim não tão fãs, mas que curtem um bom hard/heavy poderão gostar deste que, ao meu ver, é o melhor trabalho de Sebastian Bach desde “Angel Down”.

José Henrique Godoy






MERCYFUL FATE - SUMMER BREEZE BRASIL 2024 - 28/04/2024

 


MERCYFUL FATE
SUMMER BREEZE BRASIL 2024
28/04/2024
MEMORIAL DA AMÉRICA LATINA - SÃO PAULO/SP

Texto: Fernando Aguiar
Fotos: Ian Dias (Headbangers Brasil)

Após longos 25 anos de espera, os fãs de Mercyful Fate puderam saciar a fome pela missa satânica da banda. E não havia banda melhor para encerrar a segunda edição do sucesso que virou o Summer Breeze.

Após o encerramento do fantástico show do Anthrax, todos os olhares se voltaram ao palco Hot Stage, onde estava sendo montado um templo satânico com uma enorme cortina com o nome da banda. Templo este que teve direito a altar, pentagrama, cruz invertida, arcos com o número 666 cravados e claro, Baphomet.

Após um pequeno atraso de 10 minutos, a cortina caiu e o que se viu daquele momento em diante, foi uma banda extremamente entrosada dando A AULA de Heavy Metal, com King Diamond entrando lentamente no palco enquanto a introdução rolava. No lugar da famosa cartola, King entrou com a máscara demoníaca do Baphomet e em seguida deixando explícito, quase que em um sussurro aterrorizante: “Juro dar minha mente, meu corpo e alma sem reservas para promoção dos desígnios do nosso Senhor Satanás” em “The Oath, que serviu de introdução ao ritual da missa negra que a banda estava por nos brindar.



Mesmo sendo um setlist já conhecido por todos, desde que a banda voltou a ativa, em 2019, a banda foi sucinta e direta ao ponto ao apresentar e focar nas músicas dos discos “Melissa” (1983) e “Don’t Break the Oath” (1984), além do EP homônimo de 1982. Discos estes que, sempre são lembrados e citados dentro do panteão dos melhores e mais influentes da história do Heavy Metal.

Após The Oath, veio “A Corpse Without Soul” com uma execução e solo perfeito de Hank Shermann, este que é o único membro original que ainda permanece na banda. O Mercyful Fate conta hoje com Bjarne T. Holm na bateria, Mike Wead na guitarra e Becky Baldwin, que apesar de novata, manda super bem no baixo como uma veterana.

“The Jackal Of Salzburg” veio em seguida. Novo trabalho Mercyful Fate, que infelizmente ainda não ganhou uma versão de estúdio, completamente sombria, cadenciada, com potência, que dá o ar de tensão. E ver ela ao vivo, mostra o quanto ela é poderosa. Que música foda!
A primeira de Melissa (1983) da noite foi “Curse of the Pharaohs”, onde Shermann mais uma vez, foi o destaque, com um solo maravilhoso.


Em seguida, mais uma do Don’t Break The Oath, “A Dangerous Meeting” vem com sua introdução com linhas pesadas de baixo. O duelo de Becky duelo com as guitarras aqui foi lindo. Outro destaque, como sempre, o vocal de King sempre alinhado com o instrumental da banda.

“Doomed By The Living Dead”, uma das melhores composições da banda, continuou com a AULA que torna impossível não cantar e bater cabeça junto.
“Melissa”, outra que é uma das melhores da discografia da banda, ouvi-la vê-la ao vivo é ainda mais emocionante. King, novamente volta a brilhar nessa faixa, soltando a voz, com bastante habilidade e controle absoluto.

“Black Funeral” traz aquela potência dos riffs e bateria com andamento acelerado e rítmico que só o Mercyful Fate é capaz de fazer.

Quando veio “Evil”, público foi ao delírio, cantando junto com King Diamond. A dupla de Shermann e Wead se destacaram fácil nesse som com duelos precisos e perfeitos.
E para não deixar a peteca cair (como se possível em um show do Mercyful Fate) “Come To The Sabbath” empolgou e fez com que o público cantasse em uníssono igualmente a anterior. Após finalizar, a banda saiu para uma pausa, mais longa que o habitual.

Pausa esta, que parece ter sido proposital para “recarregar” as energias banda para, por fim encerrar a noite e o festival com a música mais pedida e esperada da noite, “Satan’s Fall”, com seus mais de 11 minutos. Uma música perfeita, para um final perfeito, de um show perfeito, fazendo com que os fãs saíssem extasiados e extremamente satisfeitos com a apresentação da banda, que por sinal, King demorou mais que normal para sair do palco, tamanha gratidão que ele demostrava e demostrou durante todo o show.

King, inclusive mencionou algumas vezes durante o show que demoraram muito tempo para voltar e prometeu que voltarão em breve. TOMARA!

Com certeza, este foi o melhor show da banda no Brasil, vide toda cenografia do palco, ambientação, teatralidade de King Diamond e principalmente pela execução perfeita das músicas e este show ficará na memória de cada um que esteve lá, para sempre.
Hail To The King \m/



quarta-feira, 5 de junho de 2024

NESTOR - TEENAGE REBEL (2024)

 


NESTOR
TEENAGE REBEL (2024)
Hellion Records/ Frontiers Music Srl - Nacional

Se você é fã de Hard Rock, AOR e toda atmosfera que circundava os anos oitenta, tendo vivido à época, ou querendo ter vivido, e ao mesmo tempo, conseguiu vencer a barreira do nome da banda, com certeza você já teve contato com os suecos do Nestor. Se na Suécia, Nestor pode ser um nome qualquer, aqui para nós brasileiros, este nome nos remete a algum tio nosso, ou algum dono de uma fruteira do seu bairro.

A despeito de não gostar do nome ou ao contrário, achar ele muito “cool” , o que a banda nos entrega, desde o seu primeiro álbum lançado em 2022, “Kids In a Ghost Town”, é um trabalho de alto nível, que se tornou uma sensação entre os fãs do estilo Hard/Heavy oitentista, inclusive participando dos maiores festivais mundo afora, incluindo o nosso Summer Breeze 2024.

Não espere inovações em “Teenage Rebel”, e se você é daqueles que, assim como eu, prefere que a banda siga a sua fórmula vitoriosa do que ir em busca de malogradas invencionices, este álbum vai lhe agradar inteiramente. Você está a procura de uma grande abertura de álbum , com aquele clima de início de show? Temos aqui: “We Come Alive”. E uma música com cara de trilha sonora de filme do diretor John Hughes? “Caroline” vai te atender.

E aquele hino super motivacional, que levanta o astral até de quem já desencarnou? “Victorious”. E a baladinha sobre um “complicado amor adolescente”? Pega aqui a faixa “Last To Know”. Não bastando a qualidade das faixas, a habilidade dos músicos e a produção do álbum são de altíssimo quilate. Enfim, todos os elementos para a felicidade dos fãs do estilo estão distribuídos aqui em 42 minutos de pura inspiração. O álbum fecha com a emocional balada “Daughter”.

Outro ponto que não pode deixar de ser citado: a sensacional capa do álbum, que retrata o quarto de um adolescente oitentista, com fotos de filmes, séries, atores e atrizes ( Ahhh... Samantha Fox!!!) e bandas. Todos os que estiveram lá nos oitenta tivemos quartos assim, e os que são fãs da época e que não estavam lá, com certeza tentam imitar o espaço que poderia/pode ser muito bem chamado de santuário/refúgio para os que foram jovens nos 80 e são jovens agora.

Ainda estamos no inicio de junho, mas posso garantir que “Teenage Rebel” estará entre meus “melhores do ano”, sem dúvida alguma!

José Henrique Godoy




EXODUS - BRITISH DISASTER - THE BATTLE OF '89 (LIVE AT THE ASTORIA) (2024)

 


EXODUS
BRITISH DISASTER - THE BATTLE OF '89 (LIVE AT THE ASTORIA)
Shinigami Records/Nuclear Blast - Nacional

Eis que, com certo atraso – somente 35 anos – o Exodus nos presenteia com seu álbum ao vivo definitivo, e já igualmente tratado como mais um clássico da banda (para este que vos escreve), o arregaço intitulado "British Disaster: The Battle of ’89 (Live At The Astoria)"!

Visto que a banda estava trocando de gravadora e ainda devia um lançamento pela Nuclear Blast, resolveram buscar em seus arquivos e acharam simplesmente este tesouro do Thrash Metal, que ficou enjaulado por tanto tempo e como diz aquele famoso ditado clichê “Antes tarde do que nunca”, se encaixa perfeitamente aqui!

Se você estiver em dúvidas ainda quanto a minha afirmação de ser o ao vivo definitivo da banda, tenho certeza que você, caro leitor, ainda não ouviu. Ah, mas e os outros Lives? Pois bem, Good Friendly..., Another Lesson... e Shovel Headed (Live Wacken) estão longe de serem ruins (Exodus não tem disco ruim, ok?!), porém todos são incompletos, principalmente em relação ao repertório da banda e uma vez que você ouvir este novo lançamento, esquecerá completamente que banda possui outros em sua discografia.

Qualquer álbum ao vivo é difícil de escrever, uma vez que todas as músicas já são conhecidas pelos fãs, então o que podemos focar é na qualidade da gravação, mixagem, setlist, etc.

O que temos aqui é uma qualidade absurda no que diz respeito a gravação e mixagem, um show que foi gravado no Astoria, em Londres, em 8 de março de 1989 e mostra a banda em seu auge, que na época tinha em seu line up Steve “Zetro” Souza (vocais), Gary Holt e Rick Hunolt (guitarras), Rob McKillop (baixo) e Tom Hunting (bateria) e que estavam lançando o fabuloso e um dos melhores discos de Thrash Americano da História: “Fabolous Disaster”, mas calma que este não fica a frente do sagrado “Bonded By Blood”.

Outro destaque deste disco vai para ninguém menos que Steve “Zetro” Souza, cantando como nunca, performance matadora, ainda mais nas músicas do já citado “Bonded By Blood”. Já sobre a performance da banda nem preciso comentar, pois dispensa quaisquer comentários já que seria chover no molhado.
Dito isto, se você procura destaques neste disco, simplesmente aperte o play, pegue uma cerveja e saia bangueando pela casa ou onde estiver, pois temos um álbum perfeito – desde o tracklist até a mixagem – e que certamente irá figurar na lista de melhores discos ao vivo da história do Thrash!

Enjoy it! Keep Thrashing Around \m/

Fernando Aguiar



DEMON - INVINCIBLE (2024)

 


DEMON
INVINCIBLE
Shinigami Records/ Frontiers Music Srl - Nacional


O ano era 1984 (40 anos já!) e eu então com 14 anos, ainda na fase da descoberta do mundo do Heavy Metal, ia na loja Pop Som, no centro de Porto Alegre, em busca de novas bandas e álbuns. A loja disponibilizava “toca discos" com fones para que você pudesse ouvir os discos, e eu sempre que possível enchia o saco dos vendedores Dudu (fanático pelo Van Halen) e do Beto Led (colecionador #1 de Led Zeppelin do RS e talvez do Brasil) para ouvir os novos lançamentos.

Numa manhã de sábado, em uma das minhas visitas a loja, eles me mostraram um disco de uma banda chamada Demon, com uma capa onde havia mãos saindo de um suposto túmulo endiabrado e com umas vísceras em cima de um cruz... o nome do álbum era “Night Of The Demon”(lançado em 1981 – o álbum de estreia da banda) e eu pensei: “Cara, isso deve ser a coisa mais pesada e barulhenta do mundo!!!”. Logo no primeiro minuto de audição, veio a “decepção”: Ao invés de um Motörhead Satânico (era o que eu esperava) o som era um Hard Rock no melhor estilo NWOBHM.

Passando o impacto inverso inicial, a voz grave e marcante do vocalista Dave Hill, junto aos riffs “BlueOyterCulterianos” da banda, me chamaram a atenção e curti muito o álbum e ele foi uma das minhas próximas aquisições. Durante os anos seguintes, após mais bons álbuns , “Unexpected Guest” e “The Plague”, o Demon quis se aventurar por outros ambientes do rock, como o Progressivo e até Jazz-Rock, deixando bastante de lado o seu ótimo Hard Rock inicial e acabaram perdendo-se pelo caminho e o Demon, infelizmente, caiu no esquecimento.

Na última década, o Demon voltou aos trilhos e realizou uma sequência de ótimos álbuns e, agora 2024 , de contrato assinado com a Frontiers, lança o ótimo “Invincible”, lançado por aqui pela Shinigami Records. Dave Hill segue a frente da banda, liderando o que deve ser a centésima trigésima nona formação do Demon. Com uma produção poderosa, que ficou a cargo de Dave Hill e pelo baterista Neil Odgen, o álbum teve a masterização de Harry Hess, vocalista do Harem Scarem.

O som no álbum evoca o Demon dos primeiros anos, mas porém com um frescor dos tempos atuais. “In My Blood” tem um quê de Whitesnake, “Face The Master” tem um riff e pegada Hard & Heavy. “Beyond The Darkside” é rápida e com ótimos riffs e solos da dupla de guitarristas Dave Cotterill e Paul Hume, e contrasta com a pesada e cadenciada “Ghost From the Past” que faria Tony Iommi sorrir orgulhoso. Falando no pai de todos, “Hole In The Sky” conjura o Black Sabbath novamente, não apenas pelo nome da música, como também pelo seu andamento sombrio. "Break The Spell” é uma faixa mais acessível, com um andamento quase AOR, enquanto “Rise Up”, “Invincible” e “Breaking The Silence” são ótimas sequências do que o Demon apresentou nos lançamentos da década de 2010. O álbum fecha com a excelente balada “Forever Seventeen”.

Um ótimo e variado lançamento desta veterana banda inglesa que merecia ter tido muito mais sorte e reconhecimento na sua trajetória. "Invincible" estará, provavelmente, na lista dos meus melhores de 2024.

José Henrique Godoy