DIMMU BORGIR FOR ALL TID Shinigami Records/ Nuclear Blast - Nacional
As grandes bandas nascem inspiradas, e à prova do tempo, se consolidam como referências em seu estilo. O Dimmu Borgir podemos dizer que se encaixa nesse quesito, no que se refere a Black metal sinfônico.
Em sua estréia, o álbum For All Tid, consegue sintetizar melancolia, arranjos sinfônicos, agressividade e rispidez, trazendo inovação e uma atmosfera única em suas canções. Originalmente de 1994, o debut foi relançado pela Nuclear Blast em 1997, trazendo um pouco mais de clareza no som que inicialmente foi agraciado mas também criticado por sua produção, digamos mais crua e primitiva. A bolacha traz nove faixas e o EP Inn I Evighetenens Morke (1993).
Sobre as músicas, temos faixas marcantes e inspiradas como "Under Korpens Vinger" e "Stien", que trazem agressividade e elementos permeando o clássico Black Metal noventista, mas sempre rondando o soturno e o sinfônico, temos faixas mais diretas como "Glittertind" (com riffs flertando com um metal mais tradicional) e faixas como "Raabjorn Speiler Draugheimens Skodde" e a própria faixa título, "For All Tid" que mesclam climas de bastante melancolia e desolação com riffs e andamentos bem épicos.
Encerrando o som, temos o EP já mencionado Inn I Evighetens Morke, com suas duas partes trazendo um clima ainda mais denso para o trabalho, assim como riffs marcantes. A formação conta com Silenoz (vocais e guitarras), Tjoldav (guitarra), Tristan (baixo), Stian Aarstad (teclados, sintetizadores) e Shagrath (bateria)
Com toda certeza, um grande trabalho que balizou a trajetória de uma das maiores bandas de metal extremo da Escandinávia e serviu de norte para lançamentos igualmente brilhantes pouco depois.
Phrenesy: Duas Décadas de Thrash Metal, Cerveja e Resistência no Underground
Por William Ribas
Formada em 2003 no Distrito Federal, o Phrenesy carrega mais de duas décadas de dedicação ao thrash metal, com uma trajetória marcada por muita cerveja, amizade e resistência. Surgida da parceria entre Tiago Teobaldo e Josefer Ayres, a banda cresceu no cenário underground sem pressa, priorizando a diversão e a autenticidade. Com um som agressivo, letras que equilibram crítica social e bom humor etílico, o Phrenesy conquistou reconhecimento com “The Power Comes from the Beer” (2014) e consolidou sua identidade em “Fears Apocalypse” (2022).
Nesta entrevista, Wendel Aires (vocal) e Tiago Teobaldo (guitarra) falam sobre a origem da banda, as dificuldades enfrentadas no caminho, o orgulho da cena do DF e as experiências de dividir o palco com nomes como Destruction e Warrel Dane. Com muita sinceridade e bom humor, eles compartilham os altos e baixos dessa jornada, sempre reforçando o lema de que o verdadeiro poder vem da cerveja — e da paixão pela música pesada.
Rebel Rock: Como se deu o início da banda?
Wendel: A banda foi criada em 2003 pelo Josefer e pelo Tiago Teobaldo, que na época tinha 15 anos de idade. Estava começando a dar os primeiros passos no mundo do metal!
Tiago: Cara, no começo de 2003, quando estava lutando para aprender a tocar guitarra — e até hoje a luta continua (risos), o Josefer começou a me passar uns exercícios e acabou me chamando para montar a banda. Então, no dia 07/06/2003, fizemos nosso primeiro ensaio e estamos aí até hoje!
Rebel Rock: O nome Phrenesy é forte e impactante, transmitindo bem a energia de um show de thrash metal. Como surgiu essa escolha e o que ele representa para vocês?
Wendel: O Josefer escolheu o nome e, diga-se de passagem, foi muito feliz na sua escolha, pois um de seus significados é “estado extremo de loucura”!
Tiago: Um estado de loucura incontrolável! Acho que realmente combina com a gente. Hoje isso representa as nossas vidas.
Rebel Rock: Vocês levaram pouco mais de 10 anos até lançarem o primeiro álbum, “The Power Comes from the Beer”. Qual foi a importância desse período de amadurecimento até a chegada desse trabalho?
Wendel: Mano, foi um período crucial para a gente amadurecer como músicos e como pessoas, pois éramos uns porra-loucas que não tinham limites nas bebedeiras. Para você ter uma ideia, eu tenho poucas lembranças dos shows que fizemos na primeira década da banda. A gente não ligava tanto para gravação de álbuns. Claro que queríamos gravar, mas nunca demos importância para isso. Fora que não tínhamos grana para bancar uma gravação profissional, pois gastávamos tudo com cachaça! (risos)
Rebel Rock: Como foi a repercussão do primeiro álbum na época? Ele atendeu às expectativas da banda?
Wendel: Foi muito bom. Poderia ter sido melhor, mas nós éramos inexperientes quanto à distribuição. Não tínhamos um selo ou gravadora que distribuísse os CDs e, mesmo assim, tivemos boa repercussão do álbum, com elogios do Possessed, Phil Anselmo e imprensa especializada. Recebemos até uma foto de uma molecada em Moscou (Rússia) segurando o CD com o Kremlin ao fundo!
Tiago: Olha, eu e minha esposa, Jacqueline, assim que recebemos as cópias físicas, fizemos uma distribuição gigantesca desse material. Pegamos vários contatos e enviamos para todo canto. Acredito que, graças a esse trabalho, tivemos várias resenhas em diversos sites especializados, rolando nossas músicas em rádios de metal espalhadas pelo país e recebendo comentários positivos de uma galera que curtimos muito. Isso foi muito foda! Nesse período, também recebemos vários convites para tocar em outros estados. Porém, como os gastos com as viagens deveriam ser divididos com as produtoras, acabamos não conseguindo ir por questões de logística, trabalho e, principalmente, grana.
Rebel Rock: Em 2016, vocês tiveram a oportunidade de abrir shows para Warrel Dane (ex-vocalista do Nevermore) e para o Destruction. Como foi a experiência de dividir o palco com nomes tão conceituados da cena mundial? Que aprendizados ficaram desses momentos?
Tiago: Destruction é, com certeza, uma influência para os cinco da banda, então foi inacreditável poder dividir o palco com os caras. Warrel Dane foi uma lenda e, com certeza, vamos levar esse momento para sempre. Mas não posso deixar de comentar que a experiência do show foi frustrante. Não sei direito o porquê, mas sempre que somos chamados para tocar nesses shows com bandas maiores, a sensação que tenho é que a produção nos trata como lixo. Fica aquele sentimento de que estão fazendo um favor e que temos que ser eternamente agradecidos por estarmos ali. De qualquer forma, nos divertimos muito, pois estarmos juntos sempre vai ser o que importa.
Rebel Rock: Após quase dez anos, vocês retornaram com o segundo álbum, “Fears Apocalypse” (2022). Por que houve esse intervalo tão longo entre os lançamentos?
Wendel: Boa pergunta!. O tempo foi passando e a gente nem percebeu… Fora que cada um tem seus trabalhos fora da música e não deu para conciliar muito bem, devido às contas para pagar e à falta de grana para investir em um novo álbum. Sem contar uma pandemia no meio disso tudo, que ao menos serviu para a gente compor o “Fears…”
Tiago: Acredito que o maior motivo da demora — não querendo ser chato sempre tocando nesse assunto — é a questão financeira. Todos temos nossas lutas diárias fora da banda e, infelizmente, não podemos deixar de dar prioridade a elas. Para completar, tivemos a pandemia, que acabou atrasando ainda mais nossos planos.
Rebel Rock: No segundo álbum, faixas como “My Hate Is Gonna Speak For Me”, “Vultures” e “The Truth Is All There” são verdadeiras pancadas, perfeitas para levantar rodas nos shows. Durante o processo de composição, vocês já pensam em como essas músicas vão soar ao vivo?
Wendel: Não! O termômetro é o Tiago. Se ele se arrepiar quando executamos a música depois de pronta, pode ter certeza que será porrada na moleira da galera!!! (risos). “The Truth Is All There” é a minha música preferida do disco!
Rebel Rock: Vocês acreditam que boa parte do sucesso de “Fears Apocalypse” está na gravação e mixagem extremamente eficientes, que unem uma sonoridade “old school” e impactante?
Wendel: Com certeza!!! O Thiago Bianchi (produtor) fez um trabalho extraordinário. Ele tirou leite de pedra (risos).. Ele teve esse feeling de dar essa roupagem old school para as músicas! Elas soam bem orgânicas!
Tiago: Ficou incrível o trabalho que o Bianchi fez, pois chegou exatamente no ponto que queríamos. Lembro de quando ele mostrou “The Party Won’t Stop” para a gente e, velho, foi arrepiante esse momento. Tivemos um deslumbre do que estava por vir e ali tivemos certeza de que toda a luta valeria a pena.
Rebel Rock: A capa de “Fears Apocalypse” traz elementos marcantes da cidade natal de vocês, como o pôster do festival Headbangers Attack. A arte, criada pela Jaqueline Sales, ficou belíssima. Como foi o processo de trabalhar com ela na concepção da capa? Ela teve total liberdade criativa ou a banda participou ativamente, dando sugestões?
Wendel: A Jack se confunde com a banda. Ela faz um corre fudido para a gente. Para você ter uma ideia da importância dela na banda, o refrão da música “F.U.C.K” é dela. Ela também faz os flyers de show, dá ideias para clipes e músicas, além de ser fotógrafa da banda. Trabalhamos em conjunto com ela: damos as ideias e ela coloca em ação, e vice-versa! Não sabemos viver sem ela em nossas vidas! Ela tem liberdade TOTAL para usar sua criatividade em prol do Phrenesy!
Tiago: A Jackie tomou a frente dessa parte. Ela é fundamental e não conseguimos imaginar como seria sem ela. Consigo imaginar como seria sem o Aluísio, baixista, mas sem ela não (risos). Sobre a execução do trabalho, normalmente damos uma ideia do que queremos e ela faz todo o resto. Não temos do que reclamar — é um trabalho sensacional.
Rebel Rock: Qual a importância de incluir essas referências locais e pessoais na identidade visual do álbum? Acreditam que isso aproxima ainda mais o público da banda?
Wendel: Acredito que sim, mas não fazemos só por causa disso. É mais para divulgar a periferia do DF. Brasília não é só política, Congresso Nacional e todo esse tipo de lixo que o Brasil inteiro manda para cá e depois coloca na nossa conta. Nós só mandamos oito deputados federais e dois senadores para lá; o resto do lixo é o país que manda!!! O DF tem uma cultura muito ativa, um caldeirão cultural que vai desde os anos 70, com a banda Mel da Terra, anos 80 com Legião Urbana encabeçando uma leva de bandas, anos 90 com Raimundos, Natiruts, DFC, Macakongs 2099 do nosso irmão Phú, e as bandas de metal como Violator, Mofo, Dark Avenger, Flashover, Device, Slug, Miasthenia, NW 77, Amazing. O rap aqui é um movimento muito forte — temos uma das melhores cenas —, fora o teatro com Os Melhores do Mundo, cinema, etc. Enfim, as referências servem para divulgar Taguatinga, que é a nossa cidade, onde o Phrenesy nasceu, e para mostrar o DF além do Plano Piloto (Brasília).
Tiago: Temos orgulho de onde viemos e da cena que fazemos parte. Construímos uma rede de amigos ao longo desses 22 anos e nada mais justo do que incluir essa galera quando tivermos a oportunidade. O DF não é só aquela corja filha da puta que “representa” nosso país. Temos uma cena rica em diversos aspectos e lutamos diariamente para mantê-la viva.
Rebel Rock: Como estão os shows de divulgação do novo álbum?
Tiago: Após o lançamento, fizemos vários shows em cidades aqui do Distrito Federal, alguns em São Paulo e Goiânia. Não fizemos mais porque estávamos esperando nossa gravadora, o que acabou nos frustrando. Estamos com a agenda aberta, mas vamos focar na regravação de uma demo que tem aproximadamente 20 anos, a “Do You Like Mocotó?”, e também estamos com algumas músicas no gatilho para o novo disco.
Rebel Rock: Algo que sempre chamou atenção no Phrenesy é o amor explícito pela cerveja. Músicas como “Never Forget The Beer Of You Girl”, “The Power Comes From The Beer”, “The Party Won't Stop” e “War For Beer” são bons exemplos. É sempre bom levantar um copo e brindar ao som pesado, certo? Esse tema sempre fará parte da essência da banda?
Wendel: Provavelmente, até porque tudo é motivo para tomar uma gelada. Se estamos tristes, tomamos uma para alegrar; se estamos alegres, tomamos uma gelada para comemorar; se temos uma lembrança ruim, tomamos uma para esquecer. Ou seja, tudo é só uma desculpa para tomar uma breja! Não é uma coisa obrigatória; surge naturalmente quando estamos compondo. Eu, por mim, não abordaria mais esse tema, mas tem músicas que pedem isso quando estamos compondo, e não tem como fugir dessa sina! (risos).
Tiago: A cerveja faz parte de nossas vidas, então provavelmente sempre estará em nossas músicas (risos). Não que seja um tema obrigatório, mas sempre aparece uma letra ou um riff que pede uma cerveja bem gelada!
Rebel Rock: Por outro lado, o Phrenesy também traz letras mais ácidas e críticas sociais. Como vocês encontram o equilíbrio entre a diversão e a necessidade de abordar temas mais sérios e reflexivos?
Wendel: Depende do feeling no momento em que estamos compondo. Eu gosto de sentir a música, o que ela me passa, para poder compor em cima disso. Muitas letras eu faço no estúdio: vou ouvindo a música e compondo de acordo com aquilo que ela me transmite.
Tiago: Vivemos em um mundo sombrio, onde os erros do passado estão voltando. Isso mostra como não podemos deixar de falar sobre as atrocidades que aconteceram e ainda acontecem. Passamos por um governo genocida e, infelizmente, não podemos nos calar.
Rebel Rock: Em “The Power Comes From the Beer”, vocês gravaram “Contra Tudo, Contra Todos” em português. Existe a possibilidade de novas músicas na língua portuguesa em futuros trabalhos?
Wendel: Sim, não descartamos essa possibilidade. Se eu sentir que alguma coisa ou um sentimento precisa ser transmitido em português, eu escreverei com certeza!
Rebel Rock: Qual música vocês acreditam que representa melhor a essência do Phrenesy? Por quê?
Wendel: “Contra Tudo e Contra Todos”! Essa letra foi escrita com raiva, muita coisa que estava dentro de mim e que eu queria falar para muita gente que não entende e não acredita no que é a música, a paixão, o amor de quem trabalha com isso por amor e não por dinheiro. Fazemos o que gostamos por amor, acima de tudo!
Tiago: Essa é bem difícil. Eu, particularmente, me identifico com várias, mas, para a banda, acredito que realmente seja “Contra Tudo e Contra Todos”. Resume bem o que passamos para manter essa chama viva.
Rebel Rock: Para finalizar, qual músico ou banda vocês pagariam a conta no bar sem pensar duas vezes? E porque?
Wendel: Pagaríamos a conta do Lemmy e do Jão (Ratos de Porão). Eles são ícones pra gente, são inspiração. O Krisiun que também é chegado numa breja como a gente.
Rebel Rock: Obrigado pela entrevista! O espaço final é todo de vocês para deixarem uma mensagem aos fãs.
Wendel: Obrigado à Rebel Rock pelo espaço e por dizer que foi uma das melhores pautas/entrevistas. Continuem apoiando a cena local de sua cidade, estado e país. O Brasil tem muita banda boa e muitos músicos talentosos!
Tiago: Agradecemos demais o espaço. É sempre gratificante poder compartilhar um pouco da nossa história. Para os nossos fãs, pedimos que apoiem a cena de sua cidade, comprando e divulgando os materiais das bandas locais, zines, revistas... Vamos manter o underground vivo!
VADER NECROPOLIS Shinigami Records/Nuclear Blast - Nacional
Quando a banda precursora do metal extremo da Polônia chega ao seu décimo álbum de estúdio, é preciso realmente prestar atenção, pois não tem como não vir coisa boa por aí! Sim! Estamos falando do Vader, que com seu Necropolis, nos brinda com a mais fina nata do estilo que perseguem, o death metal.
Originalmente lançado em 2009, o Necropolis já nos deixava curiosos, pois depois de um longo período de parceria de composições com o guitarrista Mauser, agora seria a primeira vez em anos de Peter compondo sozinho, e não só compondo, já que gravou todos os instrumentos junto ao baterista Paewl Jaroszewicz, o Paul, e me obrigo a dizer: essa aventura “solo” de Peter, nos trouxe um álbum simplesmente perfeito. Sim!
Perfeito desde o ínicio com "Devilizer", soando num clima de intro, com uma levada mais lenta e crescendo no que desemboca em "Rise of the Undead", música extremamente rápida no melhor estilo Vader de blast beat bem veloz e com um refrão muito marcante e solo simplesmente avassalador! "Never Say my Name" vem pra equilibrar o álbum com uma levada mista entre partes lentas e rápidas assim como "Blast", que também soa rápida e agressiva. Nesse álbum o Vader nos traz muita influência de thrash metal em meio ao caos sonoro que sempre nos apresenta, "Dark Heart", e "Impure' são exemplos disso. "Anger' volta á carga com agressividade e velocidade e "We are the Horde" dosando partes rápidas mescladas com lentas. A última música "When the Sun Drowns in Dark" encerra com chave de ouro esse álbum, como já citado antes, perfeito!
Mas se você pensa que era isso, está enganado, o relançamento da Shinigami nos traz também duas versões simplesmente espetaculares de "Black Metal" do Venom e 'Fight Fire with Fire" do Metallica. Necropolis se coloca sem sombra de dúvida no status de grandes álbuns já lançados pelo Vader.
GRAND MAGUS SUNRAVEN Shinigami Records/Nuclear Blast - Nacional
Foram 5 anos de silêncio! “Wolf God” (2019) foi um trabalho intenso, pesado como todos os outros que o Grand Magus fez em sua carreira. Nunca a banda ficou tanto tempo sem lançar nada e quando “Sunraven” foi anunciado minha expectativa ficou a níveis estratosféricos.
Um ponto que me agrada na extensa discografia do Grand Magus, é que seus discos parecem claramente uma continuação uns dos outros. “Sunraven” é o décimo disco deste trio e se você, caro leitor, ouvir este trabalho em pleno 2025, pode se imaginar em uma cápsula do tempo e imaginar que está em 2005, por exemplo, há exatos 20 anos atrás, quando os caras começaram sua trajetória.
Depois de ouvir “Sunraven” pela primeira vez, fiz um teste: ouvi também na íntegra, os dois primeiros trabalhos da banda, lançados há mais de 20 anos, e, a sonoridade deles são incrivelmente semelhantes.
Em um trabalho tão consistente como “Sunraven”, fica difícil apontar qualquer destaque, “Skybound”, a faixa título e “Hour of the Wolf” são faixas que você pode ouvir no volume mais alto já que simbolizam tudo o que o Grand Magus representa: letras do mal, Doom Metal sombrio e performances classudas de seus músicos, em especial, o mestre JB Christoffersson, a personificação e a cara do Grand Magus.
Fazendo um exercício de futurologia, eles parecem ser aquela banda que sempre fará coisas boas, nunca inventará a roda e sempre será uma das queridinhas dos headbangers em geral. Tirar-lhes o mérito por isso é no mínimo uma insensatez. Os caras estão envelhecendo, mas sua música não; ao contrário, passa longe, muito longe disso! A impressão é que se eles gravarem mais 20 discos, os 20 discos serão tão bons como “Sunraven”, “Wolf God” ou os anteriores a eles. Bandaça que dá gosto ser fã!
KORPIKLAANI RANKARUMPU Shinigami Records/ Nuclear Blast - Nacional
Os finlandeses do Korpiklaani seguem há anos trilhando sua jornada pelas “florestas encantadas” do heavy metal. Sua sonoridade é marcada por uma atmosfera mágica e inquieta, impulsionada por ritmos alegres e dançantes que tornam impossível ficar indiferente.
Cantado em finlandês, o impacto inicial é uma surpresa saborosa, onde cada nota se entrelaça de forma orgânica com a proposta vibrante do som. Em seu décimo segundo álbum de estúdio, o Korpiklaani entrega um trabalho que equilibra peso e tons dançantes na medida certa. Mesmo quando a banda pisa no acelerador, a sensação inevitável é ser arrastado para um redemoinho contagiante de celebração.
A abertura com "Kotomaa", traz o tom é definido em melodias folclóricas envolventes, letras celebrando a natureza e a cultura, e uma fusão harmoniosa entre instrumentos tradicionais, como acordeões e violinos, com um instrumental pesado. A música “Aita", tem um ritmo animado e letra leve — a interação entre acordeão e violino cria um clima festivo perfeito, com uma melodia que convida o ouvinte a cantar junto — daquelas faixas feitas sob medida para incendiar os shows.
O uso marcante desses instrumentos cria uma atmosfera que pode soar estranha para os novatos, mas a energia vibrante das 12 faixas logo cativa. "Saunaan" é um ótimo exemplo, trazendo a sonoridade acelerada e alegre típica da banda, homenageando a tradição finlandesa da sauna em um dos momentos mais animados do álbum.
Outro destaque é "Mettään" adiciona profundidade ao álbum com um tom sombrio e introspectivo, marcado por um andamento cadenciado e elementos quase xamânicos. A faixa-título é o ponto central do disco. Com percussões fortes e repetitivas que funcionam como um mantra, representa o compasso que marca o ciclo da vida, impulsionando dança, guerra, colheitas e festividades. Cada música soa como uma história contada ao redor de uma fogueira nas florestas finlandesas.
O encerramento com “Harhainenen höyhen” traz uma abordagem melódica e um toque melancólico, contrastando com a energia do restante do disco. O instrumental cresce gradualmente, proporcionando um final épico e reflexivo — um convite à celebração de um trabalho intenso e ímpar.
“Rankarumpu” reforça o domínio do Korpiklaani em criar álbuns com identidade como poucos hoje em dia. Combinando tradição e novas abordagens, o disco mantém a banda relevante e garante que o "tambor pesado" continue ecoando mundo afora.